quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Harry Potter e a criança amaldiçoada

Sinopse:
Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.

Titulo Original: Harry Potter and the cursed child
Editora: Rocco
Ano: 2016
Edição: 1ª 
Páginas: 352
Autor:  J.K Rowling ; John Tiffany e Jack Thorne







Voltar ao universo de Harry Potter depois de anos foi maravilhoso, aguardava por um livro novo desde que li o último livro e fiquei com um vazio, Harry Potter fez parte da minha infância e adolescência. 
O livro nos trás a história 19 anos depois, com rápidas passagem de tempo, nos envolvemos com o livro facilmente, no início estranhei um pouco a escrita, por ser uma peça teatral, logo me acostumei, parecia que conhecia os personagens desde criança. Ele prende o leitor do inicio ao fim, nos emocionando com sua história, me fez ficar até tarde acordada lendo, ainda assim acordar cedo no outro dia pra continuar, quando terminei senti que uma parte de mim tava faltando, onde tava a história, porque ja tinha acabado.
 Um livro surpreendente do inicio ao fim, nos mostra que as trevas podem estar em quem menos imaginamos, o perigo de mexer com o curso natural da vida e as consequências que podem vir a ser devastadoras para todos, não é apenas uma vida, são várias, mexer com o tempo pode ser irreparável, nos mostra que mesmo mudando o passado algumas coisas não vão mudar. Me encantei, chorei com o livro, ficou aquela sensação de quero mais.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O livro sobre um livro - Uma história de respeito

Olá, pessoinhas de Pemberley! Hoje venho falar pra vocês de um livro que ganhei no amigo secreto das Garotas de Pemberley do ano passado, mas só tive a oportunidade de ler agora em novembro. A obra se chama As Memórias do Livro e a autora é a premiada Geraldine Brooks. Sim, amigos, o livro é sobre a história de um livro, mais precisamente, o Manuscrito de Sarajevo.

A história começa falando de Hanna, uma restauradora de livros antigos chegando a cidade de Sarajevo, na Bósnia, onde uma antiga e raríssima Hagadá foi encontrada e precisavam que ela a analisasse. Uma hagadá é um livro que narra a saída do povo judeu do Egito e que é recitada na primeira noite da Páscoa judaica. Esse manuscrito em questão foi escrito em hebraico na Espanha medieval e muito adornado, isso em uma época que o Judaísmo condenava todo tipo de ilustrações.

Durante a narrativa, a autora descreve o trabalho de Hanna e também suas descobertas pessoais enquanto estuda a Hagadá, como por exemplo, quem é o seu pai. Mas muito além da vida de Hanna, o livro foca na trajetória que o livro percorreu durante séculos até ser salvo por um jovem muçulmano nos anos de 1990. Algo muito interessante é que apesar de o livro ter valor religioso e os conflitos entre cristãos, muçulmanos e judeus datarem de séculos atrás, a Hagadá só não foi destruída diversas vezes por causa de cristãos e muçulmanos, trazendo nas entrelinhas da narrativa uma mensagem de tolerância e respeito pela crença do outro.

A Hagadá de Sarajevo
Dessa forma, podemos conhecer personagens muito interessantes e bem construídos: Uma jovem judia, fugindo dos exércitos de Hitler e abrigada por um casal muçulmano que ajudou a esconder o manuscrito; um rabino viciado em jogos de baralho que convenceu um padre inquisitor alcoólatra a assinar o livro em Veneza no ano de 1609, deixando-o livre das garras da Igreja Católica; um médico adultero de Viena, em 1894, que tratava um dos restauradores da hagadá, já que este sofria de uma doença venérea;  o homem que escreveu a hagadá e sua família, em 1492 durante a expulsão dos judeus da Península Ibérica e também a pessoa que fez as ilustrações em 1480 que, aliás, foi uma grande surpresa pra mim. 
Além de ficar presa na narrativa que a cada momento tem uma grande reviravolta, o livro também nos proporciona a oportunidade de aprender sobre a história da Europa e dos hebreus. Claro que mesmo o livro existindo, a maioria dos acontecimento narrados são ficcionais, apenas encaixados na história, já outros são deduções dos estudiosos da obra, sem nenhuma prova de que realmente aconteceram. As Memórias do Livro é emocionante, envolvente, bem escrito e muito lindo, vale a pena dar uma chance.

Ficha Técnica:
Título: As Memória do Livro: Romance sobre o Manuscrito de Sarajevo
Título Original: People of the Book
Ano: 2012
Editora: Agir 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

[RESENHA] Depois Daquela Montanha - Charles Martin

Título Original: The Mountain Between Us
Título no Brasil: Depois Daquela Montanha
Autor: Charles Martin
Editora: Arqueiro
Tradução: Vera Ribeiro
Páginas: 304
Sinopse: O Dr. Ben Payne acordou na neve. Flocos sobre os cílios. Vento cortante na pele. Dor aguda nas costelas toda vez que respirava fundo.
Teve flashes do que havia acontecido. Luzes piscavam no painel do avião. Ele estava conversando com o piloto. O piloto. Ataque cardíaco, sem dúvida.
Mas havia uma mulher também – Ashley, ele se lembra. Encontrou-a. Ombro deslocado. Perna quebrada.
Agora eles estão sozinhos, isolados a quase 3.500 metros de altitude, numa extensa área de floresta coberta por quilômetros de neve. Como sair dali e, ainda mais complicado, como tirar Ashley daquele lugar sem agravar seu estado? À medida que os dias passam, porém, vai ficando claro que, se Ben cuida das feridas físicas de Ashley, é ela quem revigora o coração dele. Cada vez mais um se torna o grande apoio e a maior motivação do outro. E, se há dúvidas de que possam sobreviver, uma certeza eles têm: nada jamais será igual em suas vidas.
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       Acho que essa é a resenha mais difícil que já escrevi. Os últimos acontecimentos noticiados me deixaram um pouco abalada a cerca de acidentes aéreos, então pensei em começar falando mal. Dizendo que leitura é meio parada, enfim, que não me prendeu. Mas não quero começar assim. Pensei em começar abordando os personagens, que são totalmente humanos, com histórias humanas. Mas também achei muito aquém do que li. Então, vou falar do que eu li.

       A síntese do amor mais profundo, foi isso o que eu li. Do amor Homem-Mulher, aquele que surge da paixão e vai fincando raízes cada vez mais profundas, ate onde nada mais alcança. Daquele que apaga qualquer resquício de mágoa, rancor, incredulidade, desesperança. Um amor que eu nunca senti, e nem sei se é pra todos. Um amor que abraça e aquece, que cola todos os cacos. E ah... os cacos.
       Um homem em cacos. Esse é Ben Payne, nosso protagonista. Um homem com uma história dolorida, que o quebrava dia a dia, e que um dia conhece o amor que cola todos os cacos, tornando-o numa peça só. Esse amor o faz ser quem é, molda seu caráter, delineia sua história. Mas um dia esse amor o quebra, e novamente ele se torna um monte de cacos.

       Do mesmo lado dessa montanha temos Ashley, uma mulher que também já sofreu decepções, mas que, como eu, nunca conheceu esse amor. Eles topam um com o outro e são atraídos: ele por seu senso de humor; ela por seu amor.
       Unidos pela fatalidade do acidente e perdidos em meio a um deserto gelado, Ben e Ashley devem vencer suas barreiras, suas montanhas intransponíveis, deixar de olhar o passado e viver um passo após o outro. A montanha se mostra transponível aos poucos, e eles passam a observar que a companhia um do outro é o que os mantém vivos. Os problemas inimagináveis vão sendo resolvidos um a um, e a dependência que criam um do outro se torna maior que tudo. Sozinhos, nenhum dos dois sairia daquela montanha, mas o que há depois dela é o que os motiva a prosseguir.

       No início a leitura não me levou de forma leve. Parecia arrastado, me sentia presa à montanha com eles, onde nada anda, nada acontece. Mas depois, os movimentos dos personagens tornam o livro mais dinâmico. O suspense é sempre presente, e não sabemos o que há depois daquela montanha. Eles podem estar caminhando para a salvação, mas também podem estar indo em direção ao nada. O presente, a situação decadente em que se encontram, se mistura às lembranças do passado de Ben e de seu amor: durante todo o tempo Ben 'conversou' com sua esposa através de um gravador, contando tanto os seus medos presentes quanto suas boas lembranças da história dos dois, na esperança de poder retornar e entregar o gravador e seus pensamentos a ela. Uma história muito atual. Talvez seja por isso que demorei a entrar na história: estou mau acostumada depois de tantos romances de época!

       Pude notar que o autor não delirou ao descrever personagens perfeitos. Ben é um médico relativamente bem sucedido, casado, com 2 filhos, porém se mostra bastante misterioso, com alguns conhecimentos rasos, a outros profundos. Ashley é uma jornalista bem sucedida, noiva às vésperas de seu casamento com um homem bom, mas que tem consciência de que não o ama. O acidente mostra o melhor e o pior lado de ambos, pessoas reais, personalidades reais, problemas reais. Depilação que atrasa, cheiro ruim após vários dias perdidos, dor física depois de um sério acidente, fome 24h por dia, a perda da noção do tempo.

       A história não acaba na montanha. Ambos são levados à história um do outro, às montanhas um do outro, começam a dividir, compartilhar e multiplicar. Voltar é uma incógnita ainda maior do que como voltar. Depois daquela montanha existe mais história, existe um futuro que ninguém conhece, e que deve ser escrito como uma grande caminhada rumo ao desconhecido: um passo de cada vez, olho no presente, cabeça no futuro.

       Este livro mostrou que 'depois daquela montanha' existe Esperança!

Publicado em mais de dez países, Depois daquela montanha chegará às telas de cinema em 2017, com Kate Winslet (de Titanic) e Idris Elba (de Mandela) escalados para os papéis principais de uma história que vai reafirmar sua crença na vida e no poder do amor.