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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Se você tem mais de 75 anos, está na hora de se alistar!


Título Original: Old man’s war
Título no Brasil: Guerra do velho
Autor: John Scalzi
Editora: Aleph
Tradução: Pete Rissatti
Páginas: 368

Oi pessoal!
                Quanto tempo não é mesmo? Desde a última vez que eu resenhei aqui pra vocês muitas coisas aconteceram, como por exemplo, eu ganhar na loteria e ter Zika (uma das duas é mentira...tentem adivinhar qual! Pois é! Não ganhei na loteria dessa vez....). Mas vamos aos trabalhos não é mesmo?

“No meu aniversário de 75 anos fiz duas coisas: visitei o túmulo da minha esposa, depois entrei para o exército.”

E é assim que começa o livro Guerra do velho lançado no primeiro semestre (acho que foi em Abril...) desse ano  (2016) pela editora Aleph. Ficaram curiosos?Vamos ler a sinopse então?

Sinopse: A humanidade finalmente chegou à era das viagens interestelares. A má notícia é que há poucos planetas habitáveis disponíveis – e muitos alienígenas lutando por eles. Para proteger a Terra e também conquistar novos territórios, a raça humana conta com tecnologias inovadoras e com a habilidade e a disposição das FCD - Forças Coloniais de Defesa. Mas, para se alistar, é necessário ter mais de 75 anos. John Perry vai aceitar esse desafio, e ele tem apenas uma vaga ideia do que pode esperar.
Como você podem ver esse livro vai tratar de uma distopia em que vamos seguir os passos de John Perry um recruta de 75 anos das FCD –Forças Coloniais de Defesa que tem como principal função expandir os territórios de domínio humano na nossa querida galáxia. Ao longo dos capítulos vamos acompanhando as missões do recruta e seus amigos além de conhecer novas raças de extraterrestres e tecnologias que desenvolvemos e/ou que nossos inimigos desenvolveram.
Antes de escrever essa resenha e até mesmo de ler o livro li algumas opiniões sobre o livro e pude perceber que as opiniões ficaram bem divididas, o que me deixou mais curiosa ainda e me fez comprar o livro em pré-venda. Eu não conseguia pensar em como Scalzi ia desenvolver a premissa de colocar senhores e senhoras com mais de 75 anos pra lutar contra criaturas extraterrestres, amarrar tudo e dar um desfecho no mínimo satisfatório!
Mas a história é muito mais do que isso! Não estamos apenas lidando com eventos de um futuro imaginado, extraterrestres ou apenas um livro para entretenimento. Somos colocados de frente com o problema da colonização e as implicações delas para os colonizados e os colonizadores. Foi levada a pensar na situação de séculos atrás em que os povos europeus se lançaram a colonizar novas terras em busca de território, especiarias e tudo aquilo que aprendemos nas aulas de história que conseguimos ficar acordados.
Sei que posso estar exagerando um pouco, mas a cada novo raça extraterrestre que eu era apresentada pensava na necessidade do ser humano de conquistar/dominar novos territórios, achar que sua cultura é mais importante que a dos outros e que sua religião supera a dos outros (vemos isso todo dia na internet não é não?).
Mas o livro não é perfeito! Não consegui identificar em nenhum dos personagens características de senhores e senhoras de idade. Parecia apenas que todos eram jovens! Não consegui sentir quase nada da maturidade que ganhamos com a idade e muitas vezes me esquecia da idade que os personagens tinham. Outra coisa que ainda não consegui determinar foi se a pouca exploração dos personagens foi algo pensado ou não. Em nenhum momento o autor se aprofunda nas histórias e caráter dos personagens deixando difícil nos apegarmos e sofrermos com os personagens, lembrem-se que estamos no meio de uma guerra, então os personagens estão sempre em risco de morte, sendo assim seria importante nos apegarmos aos personagens. Mas como a história é contada em primeira pessoa pelo personagem John Perry, dessa forma só conhecemos os outros personagens pelo pouco tempo que Perry passou com eles.
O livro super vale à pena para quem, como eu, é fã de ficção científica e distopias! Além da escrita leve e do universo muito interessante criado pelo autor o enredo é criativo e nos apresenta certas tecnologias que eu amaria ter à minha disposição!
Bem é isso pessoal!
Até a próxima!

Deborah M.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Quer dar uma espiadinha? - Especial Distopias


Alguns de vocês devem estar pensando “Por que esta louca está usando o bordão do Pedro Bial como título pra uma resenha?”, certo? Já explico! A razão é que a resenha de hoje para o “Especial Distopias” do GDP é sobre o livro 1984. Começou a fazer sentido agora, né?

A história se passa em Londres, mas não existe mais Inglaterra ou Reino Unido. O mundo está dividido em Oceania, Eurásia e Lestásia, que hora são aliadas e hora inimigas da Oceania. O continente é controlado pelo Grande Irmão, figura que ninguém viu, mas adorado por todos. Existem quatro ministérios: Ministério do Amor reprimia o desejo, além de torturar os rebeldes; o Ministério da Verdade se encarregava de censurar as más notícias e de criar mentiras a serviço do Partido; o Ministério da Fartura administrava a fome e o Ministério da Paz conduzia os assuntos da guerra.

É proibido aos membros do partido questionar mesmo em pensamento, é proibido amar, é proibido sentir prazer, é proibido ficar sozinho, existe horário para acordar e dormir, uma nova língua está sendo criada para que não possam existir pensamentos discordantes, filhos são ensinados a denunciar possíveis subversões dos pais. E 85% da população, os proles, é totalmente alheia ao governo e vive em miséria.

O protagonista do livro é Winston, um funcionário do Ministério da Verdade que trabalha adulterando textos de verdades que deixaram de existir sobre o governo. Oi? Verdades que deixaram de existir? Sim! A partir do momento que não existem documentos ou nenhuma outra prova de que uma situação aconteceu, como ter certeza de que não é só uma alucinação?

Esse é o dilema de Wisnton. Entre seus vizinhos e colegas de trabalho, ele tenta se comportar como todos, seguindo a manada, mas trancado em sua casa, escondido da teletela que registra quase todos os seus movimentos, ele se permite questionar a realidade da sociedade em que vive. Só pelo fato de duvidar das verdades propagadas pelo partido, o protagonista já está cometendo um crime. Mas ele vai mais longe: começa a escrever um diário, mesmo sabendo que o preço disso é sua vida.  


Guerra é Paz
Liberdade é Escravidão
Ignorância é Força



Quem sou eu pra falar de George Orwell? 1984 estava na minha lista de leitura há uns 3 anos, mas só criei vergonha na cara para começar a leitura depois de ouvir minha professora de Teorias da Comunicação falar dele durante um semestre inteiro (obrigada, Ediene!). Sem dúvida, o melhor livro que já li. Não sou fã de distopias, mas a história me prendeu da primeira a última página. Fui obrigada a reduzir o ritmo de leitura para poder refletir mais sobre as críticas sociais abordadas e tentar fazer as devidas ligações com a realidade.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

“Oh, admirável mundo novo, que encerra criaturas tais.” - Especial Distopia

por Aline Tavares


Título no Brasil: Admirável Mundo Novo
Título Original: Brave New Word
Autora: Aldous Huxley
Tradução: Lino Vallandro e Vidal Serrano
Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 312

Sinopse: Uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras “pai” e “mãe” produzem repugnância. Um mundo de pessoas programadas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. Um mundo no qual a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar o espírito de conformismo. Um universo que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade, e que idolatra Henry Ford.

Essa é a visão desenvolvida no clarividente romance distópico de Aldous Huxley, que ao lado de 1984, de George Orwell, constituem os exemplos mais marcantes, na esfera literária, da tematização de estados autoritários. Se o livro de Orwell criticava acidamente os governos totalitários de esquerda e de direita, o terror do stalinismo e a barbárie do nazifascismo, em Huxley o objeto é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, em que a racionalidade se tornou a nova religião, em que a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual a experiência do sujeito não parece mais fazer nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare adquire tons revolucionários.

Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um mero exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais grave, de um olhar agudo acerca das potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos.

A história de Admirável Mundo Novo foi desenvolvida em um futuro onde os seres humanos são pré-condicionados biologicamente e condicionados psicologicamente em uma sociedade dividida em castas, temos Bernard Marx, um psicológo Alfa-Mais, que por se sentir desajustado, passa a questionar a sociedade em que vive, e em uma viagem a um dos redutos “selvagens” que ainda existem conhece John, e o leva para a civilização. Porém John é incompreendido em ambos os ambientes, principalmente por ter pais, em um ambiente em que as crianças nascem em incubadoras.  Dessa maneira, a obra mostra um contraponto entre as sociedades tidas como primitivas e modernas, nos levando a reflexão do conceito de civilização.

No livro, a sociedade civilizada é aquela em que o ser humano é visto como uma máquina, orientado especificamente para o trabalho e para a produção. Nesse contexto, qualquer coisa que prejudique a produtividade, como a família e emoções como o amor foram abolidas. Todos pertencem a todos. Além disso, o hedonismo e um objetivo, obtido seja por meio do sexo ou de drogas como o alucinógeno SOMA.

Em um ambiente onde as pessoas não são condicionadas a questionar, as atitudes de Bernard e John são vistas como subversivas, principalmente as de John, uma vez que o rapaz é sensível, expressa seus sentimentos e conhece a obra de William Shakespeare, e se espanta com aquela sociedade estruturada racionalmente, tanto que o título do livro foi retirado da peça A Tempestade, a última escrita pelo Bardo, e que expressa esse estranhamento.

Aldous Huxley escreveu Admirável Mundo Novo em 1932 e hoje, 80 anos depois, é impressionante a capacidade profética da obra, uma vez que muitas das situações expostas no livro já são observadas na sociedade atual. Uma leitura obrigatória, que nos leva a reflexão sobre o papel da ciência, o avanço do capitalismo e a importância da reflexão crítica, das emoções e da literatura como instrumentos de transformação da sociedade.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Especial Distopias: Jogos Vorazes



'JOGOS VORAZES': Numa nação chamada Panem, jovens de 12 a 18 anos são selecionados para lutar até a morte nos chamados Jogos vorazes. Katniss Everdeen se oferece para lutar no lugar da irmã, escolhida para o programa. Vinda do empobrecido Distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Até onde ela estará disposta a ir para ser vitoriosa? EM CHAMAS Depois de ganhar a brutal competição conhecida como Jogos vorazes, Katniss retorna ao seu distrito, torcendo por um futuro pacífico. Mas rumores sobre uma rebelião contra a Capital a colocam no centro de um novo conflito. A ESPERANÇA Depois de sobreviver aos jogos por duas vezes, Katniss tentará se encontrar no papel de símbolo de uma revolução, enquanto luta para proteger sua mãe e sua irmã no meio de uma guerra.


A trilogia jogos vorazes com 3 adaptações para o cinema( Jogos Vorazes 2012, Em chamas 2013, A Esperança parte 1 2014, A Esperança o final 2015), sendo a esperança dividida em duas partes com a última chegando aos cinemas nessa quarta feira(18/11/2015) , conquistou milhões de pessoas de diversas idades e lugares do mundo inteiro desde seu lançamento.
A trilogia que se passa no futuro pós o fim da América do Norte nos traz a história de Katniss Everdeen, voluntária para os jogos vorazes com objetivo de proteger sua irmã mais nova Prim. A história conta sua luta pela sobrevivência em uma competição em que é vencer ou morrer; o amor fez com que Katniss e Peeta Mellark saíssem com vida na 1a vez em que participaram de uma edição dos jogos.
Enquanto as pessoas na capital comemoram a vitória do casal, as pessoas nos distritos veem na atitude dos dois uma ponta de esperança para mudar a realidade pobre em que a maioria dos distritos vivem, fazendo com que todos os anos seus jovens sejam enviados  para os jogos vorazes, reforçando assim a autoridade e o domínio da capital.
A história nos mostra que mesmo em momentos difíceis ou na perda de alguém querido não podemos perder a esperança, que é preciso lutar para mudar a realidade atual e para que outras pessoas tenham um futuro em meio a uma guerra, a mesma faz o leitor pensar sobre a humanidade e nos rumos que ela está tomando...também faz pensar sobre certas atitudes que parecem simples, mas que aos personagens são negadas, resultando numa reflexão de suas  próprias atitudes e decisões tomadas diariamente. E analisando os noticiários que vemos todos os dias sobre guerras em vários lugares, será que a história do livro está em um futuro muito distante?




Título Original: The Hunger Games
Título no Brasil: Jogos Vorazes
Autor: Suzanne Collins
Editora: Rocco
Tradução: Alexandre D'Elia
Ano: 2010