Mostrando postagens com marcador Mãe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mãe. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de maio de 2015

As Mães de Jane Austen - Final

A série de posts para mulheres especiais...



Sra Bennet


Não temos certeza de seu primeiro nome, a pesar de alguns apostarem em Jane – visto que naquela época era costume a primeira filha levar o nome da mãe, outros apostam em Fanny (não sei de onde surgiu essa tese, só sei que ela existe), mas mesmo que Jane Austen não nos tenha revelado essa informação, podemos observar características interessantes na mãe de Jane, Lizzie, Mary, Kitty e Lidia Bennet.
Tinha um comportamento tolo, cansativo, frívolo e inadequado, que afastava quaisquer pretendentes de suas filhas. Vivia a beira de ataque dos nervos, falando muito, fofocando, e criou as filhas com muita liberdade. Não teve uma instrutora para as meninas, e assim, nenhuma delas tinha nenhum talento excepcional, e as mais novas eram frívolas e estúpidas ao seu exemplo. A mais velha era extremamente educada e simpática, a segunda era mais arisca, a terceira era desajeitada e sem noção, e as duas mais novas causavam vergonha alheia. Era uma mãe afetuosa, porém queria tudo ao seu próprio modo. Não respeitava as escolhas e decisões das filhas, a não ser que fossem equivalentes às dela. O tipo de mãe que causa um colapso nervoso nas filhas.


Mas agora não quero mais falar de mães personagens. Quero falar da mãe que existe dentro da sua casa, ou na sua vida. Pelo mundo existem diversas senhoras Dashwood, senhoras Bennet, Ladys Elliot, Ladys Russell... Dentro de cada mulher existe um pouco que cada uma delas, sejam mães ou não. E é graças a essas pessoas que somos o que somos. Graças a esses exemplos. Hoje, mães reais dão à luz e criam verdadeiras heroínas e legítimos mocinhos em cada canto do mundo.
Nós, leitores, devemos ser eternamente gratos a essas mães, pois sem elas não teríamos Elizabeth, Darcy, Elinor, Marianne, Wenthworth, Thorton, Emma, Fanny, Edmund... Você e eu!

Um Feliz Dia das Mães à todas!!!

sábado, 9 de maio de 2015

As Mães de Jane Austen - Parte IV

A série de posts para mulheres especiais...



Sra Price e Lady Bertram


Bom, a opinião geral sobre Mansfield Park não é muito favorável. Contudo, no que diz respeito à mães, temos dois exemplos um tanto quanto exóticos. Diferente do post dobre Lady Elliot e Lady Russell, onde falei de cada uma em separado, aqui pretendo traçar um paralelo entre as mães de Mansfield Park e Portsmouth, Lady Bertram e sra Price respectivamente.


Duas irmãs, muito semelhantes em aparência e em temperamento, indolentes, diferenciando apenas no nervosismo. Ambas eram mais teóricas que práticas, não eram ativas, não se sacrificavam pelos filhos - nem por nada, mas nos atenhamos aos filhos - e dedicavam mais tempo à tentativa de conforto do que à organizações e práticas. Devemos convir também que Lady Bertram possuía meios para não fazer nada, enquanto a sra Price necessitava estar ativa, arrumar e cuidar dos filhos e da casa. Mas com certeza, se lhe tivesse dado o poder de escolha, ela não faria nada. Tudo o que começava não finalizava, tudo o que planejava não praticava, e assim seguia a sua vida, sempre fazendo algo que não iria terminar.
Lady Bertram pôde contratar empregados, e uma criada exclusiva para seus filhos. E além disso ainda tinha a irmã para ajudá-la nos serviços que deveriam ser da senhora da casa. Sra Price não tinha meios para tanto. Seus filhos homens receberam a instrução para que pudessem ser úteis em casa e ao mundo, enquanto as filhas foram postas de lado. Fanny, que poderia ter sido a maior ajudadora da mãe por ser a filha mais velha, foi para Mansfield aos 10 anos.
Uma vida de luxo e uma vida sofrida e de pobreza separava essas duas irmãs. Lady Bertram com quatro filhos educados de melhor maneira possível, os rapazes em ótimas escolas e universidades, as moças com uma ótima instrutora. Sra Price com nove filhos bagunceiros, livres, mal educados e desobedientes, dando preferência aos filhos homens, contudo sem tempo para instruí-los como deveria. Mães relapsas, que criaram ou filhos mimados ou filhos arrogantes, com raras exceções. Não sabemos se os casamentos das irmãs foram pautados em amor, mas o carinho para com os filhos era apenas instintivo, não sendo grande a ponto de demonstrado por mais de 15 minutos.

REFERÊNCIA: AUSTEN, Jane; Mansfield Park. São Paulo: Editora Landmark, 2013.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

As Mães de Jane Austen - Parte III

A série de posts para mulheres especiais...



Lady Anne Elliot e Lady Russell


Na falta de uma foto de Lady Elliot, sua filha Anne Elliot.
Infelizmente, Lady Anne Elliot não teve muito tempo como mãe, mas Jane Austen fez questão de dizer quem foi essa mulher. "Lady Elliot havia sido uma mulher excelente, sensata, agradável, ajuizada e educada. Havia tolerado, atenuado e ocultado os defeitos do marido e promovido sua verdadeira respeitabilidade ao longo de dezessete anos; e ainda que não fosse ela própria a criatura mais feliz do mundo, havia encontrado nos afazeres, nos amigos e nas filhas razão suficiente para prender-se a vida e para não ser motivo de indiferença quando foi chamada a abandona-los. Três meninas, as duas mais velhas com dezesseis e quatorze anos, era um péssimo legado para uma mãe deixar; ou melhor dizendo, um péssimo fardo a se confiar à autoridade e orientação de um pai tolo e vaidoso." Percebemos que no pouco tempo que pôde, foi uma mãe atenciosa, bondosa, e que ministrou uma educação com bons princípios. Era preocupada com a família e tomou para si a responsabilidade de ensinar o que realmente importava, já que o pai se encarregou do trivial, a vaidade. Na história, vemos muito do caráter da mãe em Anne Elliot, sua filha segunda.

Mas prosseguindo à história, a pesar de não terem tido uma madrasta, as meninas Elliot tiveram uma boa mulher para auxiliar na educação e manter os bons princípios que Lady Elliot se empenhou em passar às filhas. Lady Russell era a melhor amiga de Lady Elliot, e compartilhava de suas convicções, preocupações, e de seu amor pelas meninas. Ela entra na vida de Anne Elliot como uma figura importante em seu crescimento e aprendizado. Percebemos pela história o quão importante para a menina era o seu discernimento e juízo, e sua influência era fortemente respeitada - vemos isso com a rejeição de Anne ao capitão Wenthworth, apesar de amá-lo, por persuasão da amiga.
Não é perfeita, de fato, e não se sabe com certeza se todos os conselhos que dá para Anne são movidos por seu amor e sentimento maternal, como vontade de vê-la feliz, ou se por preconceitos contra determinados tipos de pessoas e classes sociais. Seja qual for a motivação, sempre esteve ao lado de Anne auxiliando, aconselhando, protegendo e incentivando, papel que Lady Elliot teria desenvolvido com tanto amor quanto Lady Russell, mostrando que não precisa ser progenitora para ser mãe.

REFERÊNCIA: AUSTEN, Jane. Persuasão. Rio de Janeiro: Zahar, 2012

quinta-feira, 7 de maio de 2015

As Mães de Jane Austen - Parte II

A série de posts para mulheres especiais...



Sra. Morland


"Sua [Catherine] mãe era mulher de muito senso prático, de bom temperamento e, o que é o mais notável, de boa constituição. [...] Era uma mulher muito bondosa, e queria ver os filhos tornarem-se tudo o que deviam ser." Contudo, devemos considerar que, quando uma mulher se vê mãe de 10 crianças, não tem muito tempo, nem para si, nem para os próprios filhos. As filhas mais velhas da sra Morland foram as que tiveram menos sorte e atenção. Não por maldade, ou preferência, mas porque os dias, já naquele tempo, tinham 24 horas cada um. Não era uma  mãe relapsa, mas precisou, em muitos momentos, de fazer uma escala de prioridades entre os filhos, estando o mais novo em primeiro lugar e a mais velha em último. Criou os filhos com muita liberdade, mas também com muito amor. Por ser mais necessário alimentar e dar banho, a instrução não veio como prioridade, mas teve sorte por ter filhos de bom caráter. Imagino que não havia rotina na vida dessa mãe, contudo, seu lazer - e de seus filhos - se restringia ao quintal e jardim de sua casa, pois, se hoje vemos mães "enlouquecendo" arrumando dois ou três pequenos para sair, 10 devia ser uma grande missão! Suponho que ela tenha desistido de grande parte de sua vida social em prol do cuidado dos filhos. Seus conselhos eram ingênuos, o que pode indicar que casou-se cedo, e cedo se viu privada do conhecimento do mundo. Mas em momento algum se demonstra irritadiça, depressiva ou indiferente. Dontro de seus limites, era uma ótima mãe.

REFERÊNCIA: AUSTEN, Jane. A Abadia de Northanger. São Paulo: Martin Claret, 2012.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

As Mães de Jane Austen - Parte I

A série de posts para mulheres especiais...



Sra Dashwood


Não se sabe ao certo se o sr e a sra Dashwood foram casados por amor, mas podemos perceber que havia, no mínimo, algum carinho, tanto no cuidado do marido com sua esposa e filhas após sua morte, quanto às boas lembranças que a viúva guardou, tanto de seu falecido marido quanto da vizinhança. Contudo, a sra Dashwood era uma mãe sensível e romântica, e dois fatos são destacáveis para comprovar. 1. "A sra Dashwood não era influenciada por nenhuma dessas considerações. Para ela bastava que ele parecesse amável, que amasse a filha, e que Elinor lhe correspondesse o afeto. Era contra todas as suas ideias que a diferença de riqueza devesse separar todos os casais que fossem atraídos pela semelhança de temperamento; e que o mérito de Elinor não fosse reconhecido por todos que a conhecessem era para ela algo impossível." Essa quote mostra o respeito que como mãe, tinha pelas escolhas das filhas, e seu orgulho pelo caráter de sua primogênita. Mostra também seu romantismo e crédito ao amor, que também é visto quando 2. sonhava com o amor e um casamento romântico com sua segunda filha, Marianne. Suas maneiras eram afetuosas, e isso se dava com a família, os amigos ou conhecidos. Para com suas filhas, podemos lembrar o fato de ter suportado sua insuportável nora, Fanny, apenas para que Elinor pudesse conviver por mais tempo com Edward, por quem era apaixonada. Um gesto bastante altruísta, de mãe para filha.

REFERÊNCIA: AUSTEN, Jane. Razão e Sensibilidade. São Paulo: Martin Claret, 2012.