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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Orgulho e Preconceito nas Olimpíadas de Inverno

Olá meninos e meninas de Pemberley.
Tudo bom com vocês?!

Ontem (20 de fevereiro) foi a final da Patinação no Gelo em Dupla, e o primeiro lugar ficou com a Dupla Canadense. Mas não foi pra falar do Canadá que eu vim. Na verdade, quero que vocês desçam um pouquinho a tabela, mais precisamente para o 16º lugar.



Na segunda-feira, 19, a dupla Kavita Lorenz e Joti Polizoakis, da equipe alemã, arrebatou nosso coração e alma na pista de patinação artística. Apresentaram-se ao som de “Dawn” e “Liz On Top of the World”, do compositor italiano Dario Marianelli,  que pertencem a premiada trilha sonora de Orgulho e Preconceito (2005).


Orgulho e Preconceito é uma obra clássica que arrebata seguidores, fãs e adoradores ao redor do mundo há mais de 200 anos. E ver essa obra, particularmente a favorita desta autora, representada num dos esportes mais charmosos, se não o mais charmoso, praticado numa olimpíada, foi de arrepiar. Jane Austen ficaria orgulhosa!

Em 2016 a dupla já havia se apresentado ao som de uma trilha sonora também premiada, "La Valse d'Amélie", do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, 2001, conseguindo o 14º lugar.



sábado, 17 de dezembro de 2016

Maratona Jane Austen Day na Netflix

Quer programa melhor para esse fim de semana cinzento (pelo menos aqui na região sudeste está assim) do que assistir os filmes inspirados ou relacionados na obra da Jane Austen? No momento a Netflix está com seis filmes assim. Aperte o play e binge-watching!!!


1 - Emma (1996)


A jovem e agradável Emma Woodhouse (Gwyneth Paltrow) adora cuidar dos problemas de outras pessoas. Ela se dedica incessantemente a unir homens e mulheres que na teoria tem tudo para dar errado. Apesar de lidar corriqueiramente com o romance, Emma é confusa em relação aos seus sentimentos, sobretudo os que envolvem o Sr. Knightley (Jeremy Northam). (Ganhador do Oscar 1997 de Melhor Trilha Sonora Original. Filme com um elenco simpático e meu Mr. Knightley favorito!!!)








2 - Palácio das Ilusões (1999)


Aos 12 anos de idade a jovem Fanny passa a morar de favor em Mansfield Park, a casa do esposo de sua tia, Sir Thomas Bertram (Harold Pinter). Inteligente e estudiosa, ela logo se torna amiga de seu primo Edmund (Jonny Lee Miller), o filho mais novo de seus tios, apesar de ser sempre destratada por seu tio e pelas suas primas fúteis. Com o passar do tempo Fanny se torna uma bela mulher, que acaba chamando a atenção de Henry Crawford (Alessandro Nivola), jovem que se tornou recentemente seu vizinho juntamente com sua irmã, Mary (Embeth Davidz). Notando o interesse de Henry por Fanny, os tios dela logo promovem um encontro entre os dois para logo depois se sentirem revoltados com o desprezo que a jovem demonstra pelo seu novo vizinho. (De onde tiraram esse título em português é uma questão que nunca entenderei. Jonny Lee Miller também foi protagonista de outra adaptação de Jane Austen, a minissérie Emma, 2008).


3 - Noiva e Preconceito (2004)


Na cidade de Amritsar, na Índia, a sra. Bakshi (Nadira Babbar) luta para encontrar bons partidos para suas quatro lindas filhas. Porém tudo vai por água abaixo quando Lalita (Aishwarya Rai), a segunda mais velha, decide escolher seu noivo. Do encontro com o magnata americano William Darcy (Martin Henderson) surge uma relação de amor e ódio. Lalita fica furiosa com o preconceito e a falta de respeito que William demonstra em relação à Índia, enquanto ele fica exasperado com as reclamações da moça, que o considera um americano mimado. Em meio a tantos atritos, nasce uma atração irresistível. (E não é que Jane Austen e Bollywood deu uma mistura interessante e divertida?) Resenha aqui.




4 - Orgulho e Preconceito (2005)


Inglaterra, 1797. As cinco irmãs Bennet - Elizabeth (Keira Knightley), Jane (Rosamund Pike), Lydia (Jena Malone), Mary (Talulah Riley) e Kitty (Carey Mulligan) - foram criadas por uma mãe (Brenda Blethyn) que tinha fixação em lhes encontrar maridos que garantissem seu futuro. Porém Elizabeth deseja ter uma vida mais ampla do que apenas se dedicar ao marido, sendo apoiada pelo pai (Donald Sutherland). Quando o sr. Bingley (Simon Woods), um solteiro rico, passa a morar em uma mansão vizinha, as irmãs logo ficam agitadas. Jane logo parece que conquistará o coração do novo vizinho, enquanto que Elizabeth conhece o bonito e esnobe sr. Darcy (Matthew Macfadyen). Os encontros entre Elizabeth e Darcy passam a ser cada vez mais constantes, apesar deles sempre discutirem. (Emma Thompson, Elinor Dashwood em Razão e Sensibilidade 1995 participou do roteiro, apesar de não ter sido creditada. Keira Knightley foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz pelo papel e o diretor Joe Wright ganhou o Bafta de Melhor Revelação em 2006. Meu primeiro contato real com Jane Austen, há 8 anos. Já sei o filme de cor!!!). Resenha aqui.


5 - Amor e Inocência (2007)


1795. Jane Austen (Anne Hathaway) tem 20 anos e começa a se destacar como uma escritora. Enquanto ela está mais interessada em desvendar o mundo, seus pais querem que ela logo se case com um homem rico, que possa assegurar seu status perante a sociedade. O principal candidato é o sr. Wisley (Laurence Fox), neto da aristocrata Lady Gresham (Maggie Smith), mas Jane se interessa é pelo malandro Tom Lefroy (James McAvoy), cuja inteligência e arrogância a provocam. (Cinebiografia fofinha, a gente fica com a aquela sensação “bem que Jane merecia um romance como os que escreveu”. James MacAvoy <3). Resenha aqui.




6 - Austenlândia (2013)


Com mais de 30 anos de idade, Jane Hayes (Keri Russell) não consegue encontrar um namorado, porque nenhum homem lhe parece à altura de seu grande ídolo: o Sr. Darcy, personagem criado por Jane Austen no romance Orgulho e Preconceito. Um dia, ela decide gastar todas as suas economias e voar ao Reino Unido, onde existe um resort especializado em acolher as mulheres apaixonadas pelas histórias de Austen. Lá, ela descobre que o homem do seus sonhos pode se tornar uma realidade. (Baseado no livro de mesmo nome da escritora Shannon Hale. J.J. Feild, no filme Mr. Henry Nobley, um dos atores do resort, interpretou um mocinho Austen em Northanger Abbey, 2007, onde fez Mr. Henry Nobley. Austenlândia é garantia de boas gargalhadas.)

Sinopses - Fonte: Adoro Cinema

domingo, 28 de agosto de 2016

BEDA #28 - [Resenha] Noiva e Preconceito


Sinopse: Na cidade de Amritsar, na Índia, a sra. Bakshi (Nadira Babbar) luta para encontrar bons partidos para suas quatro lindas filhas. Porém tudo vai por água abaixo quando Lalita (Aishwarya Rai), a segunda mais velha, decide escolher seu noivo. Do encontro com o magnata americano William Darcy (Martin Henderson) surge uma relação de amor e ódio. Lalita fica furiosa com o preconceito e a falta de respeito que William demonstra em relação à Índia, enquanto ele fica exasperado com as reclamações da moça, que o considera um americano mimado. Em meio a tantos atritos, nasce uma atração irresistível. 


Noiva e Preconceito é a versão bollywoodiana de Orgulho e Preconceito. O filme é estrelado por Aishwarya Rai, uma das maiores estrelas do cinema indiano, e o ator neozelandês Martin Henderson (Grey's Anatomy). Além disso, temos no elenco Naveen Andrews (Lost e Sense 8) como Balraj - Bingley e Alexis Bledel (nossa eterna Rory Gilmore) como Georgie Darcy. De maneira geral, o filme é fiel aos principais pontos da narrativa de Orgulho e Preconceito, incorporando adaptações relacionadas a cultura indiana e a sociedade no século XXI. Como é comum em filmes de Bollywood, há muita música e dança, como um musical. 

No filme, a tensão entre Lalita e Darcy gira em torno do preconceito que o Darcy tem em relação a certos aspectos da cultura indiana, o que deixa a mocinha bem ofendida. Outro ponto importante é forma como os personagens foram caracterizados. Ela tende a caricatura em alguns casos, como o Mr. Kholi, que é bem inconveniente no filme. Além da Índia, o filme tem locações em Londres e na Califórnia. 

O filme está disponível no catálogo do Netflix e vale a pena ser visto tanto pela diversão proporcionada, uma vez que algumas passagens são bens engraçadas, pela paisagem indiana, pelas músicas e pela percepção de como a narrativa da Austen dialoga com diferentes culturas e permanece atual.



FICHA TÉCNICA

Nome Original: Bride and Prejudice
Ano de Lançamento: 2004
Diretora: Gurinder Chada
Gênero: Comédia/Musical/Romance/Drama
Duração: 112 min

domingo, 21 de agosto de 2016

BEDA #21 O papel feminino nos romances de Jane Austen


Nos dias atuais, a questão de gênero tem sido discutida amplamente pela sociedade. Mas será que sempre foi assim? A literatura nos ajuda a desvendar alguns mistérios sobre o papel da mulher, já que o autor, quando escreve, imprime além das belas narrativas, o comportamento da sociedade de sua época.

Isso encontramos nos livros clássicos. E o acontece para que um livro seja considerado clássico? É exatamente a sua atemporalidade, ou seja, não importa quanto tempo passe, a história continua produzindo sentido para quem lê.

A questão do papel da mulher no século XIX fica clara nos romances de Jane Austen. Ela é considerada a primeira mulher que se tornou romancista importante. Suas obras foram compostas principalmente por comédias satíricas da vida social e doméstica, de um pequeno segmento da sociedade inglesa de sua época.

O casamento é o principal tema de seus romances. Isso se justifica, pois o mesmo era considerado naquela época, como o único caminho para uma mulher da sociedade. Para as personagens femininas de Austen, casamento era sinônimo de ascensão social, mas, além disso, elas buscavam no matrimônio estabilidade e segurança.

Analisando suas obras, percebemos claramente que suas personagens femininas são mulheres a frente de seu tempo. Além disso, essas heroínas não seguiam os costumes da sociedade, e quando se casavam o faziam por amor.


                                   


Jane encontrou um modo de expressão feminista em suas obras por meio da ironia ou na fingida ignorância que lhe permitiu liberdade que nenhuma outra mulher de seu tempo desfrutou.

Tem uma coisa que une as heroínas austenianas, é o fato delas não dividirem seus conflitos e dúvidas com outros personagens. Ainda que tenham irmãs ou amigas, agem de forma independente, e só comunicam às outras suas decisões mais importantes depois que elas já foram tomadas.

Jane Austen conseguiu de certa forma incutir na mente de suas leitoras alguns dos principais ideais feministas quando o termo mal existia: noções de igualdade, liberdade de expressão e conscientização quanto a situação inferior das mulheres na sociedade.

Uma de suas personagens mais conhecidas, do livro Orgulho e Preconceito, Elizabeth Bennet, mostra-se sempre autentica, fiel aos seus ideais. Lizzie viveu numa sociedade inglesa que, como já citado, o único objetivo para a mulher era o casamento. E nessa época, em que poucas mulheres teriam coragem de recusar um pedido de casamento, ela o faz duas vezes. A primeira feita por seu primo, Mr. Collins. Como ele herdaria a propriedade do pai de Lizzie, Mr. Bennet, Collins acha que está fazendo um grande favor para a família casando-se com sua prima. E qual não foi sua surpresa quando ela o recusou, com firmeza e determinação.

Essa recusa causou um grande espanto na mãe de Elizabth, Mrs. Bennet. Há duas interpretações possíveis para o comportamento da matriarca, que, como possuía cinco filhas, vivia para pensar e planejar casamento para elas. A primeira interpretação, talvez mais superficial, é a futilidade da mãe das moças, que sofria por ver as filhas ainda solteiras. A segunda, e quem sabe a mais segura, é que esse era um comportamento comum para as mulheres daquela época, visto que a sociedade lhes compelia a ter esse tipo de conduta.

Posteriormente, Lizzie é pedida em casamento por Mr. Darcy. Nenhuma mulher em sã consciência, naquela época, teria a audácia de recusar um pedido desses, visto a importância, riqueza e posição social do cavalheiro em questão. Nenhuma mulher, exceto a nossa astuta Lizzie. Ela o recusa, e mais uma vez com firmeza e determinação. 


Claro que com o passar do tempo, ela começa a conhecer melhor Darcy, enfim se apaixona por ele, e os dois ficam juntos no final. Mas ela só o faz por amor, diferentemente de muitas damas contemporâneas dela, como sua amiga Charlotte, que se casa com o recusado Mr. Collins apenas para se estabelecer em sociedade.


Essa pequena reflexão sobre alguns de seus personagens mais conhecidos, nos mostra que, mesmo Austen vivendo em uma sociedade cheia de costumes, enxergava a mulher de uma maneira diferente. Ela via outras possibilidades, como a liberdade de se fazer o que tem vontade, e não apenas o que é imposto.

Voltando ao assunto dos livros clássicos, Orgulho e Preconceito é um dos exemplares da literatura inglesa mais conhecidos e mais lidos até hoje. E sua atemporalidade foi trazida para uma adaptação moderna da história, The Lizzie Bennet Diaries, ou O Diário de Lizzie Bennet. Em episódios curtos em formato de vlog, nessa adaptação as personagens vivem em nossa sociedade, trabalhando, estudando, e levando suas vidas com tudo que a modernidade permite. E Lizzie continua fazendo suas vontades, mais uma vez firme e determinada, não levando em consideração o que as pessoas pensam sobre sua vida e suas escolhas.

Essa é a grande sacada da adaptação, nos mostrar que, independentemente do tempo, do século, a mulher sempre tem seu papel, e com um pouco de garra, sempre transpõe os obstáculos que lhes são impostos.


Hoje, muito mais conscientes sobre a importância de se debater as questões de gênero, vale a reflexão que a opressão sofrida pelo sexo feminino é histórica, e que podemos nos espelhar na nossa heroína Elizabeth, e estarmos sempre a frente de nosso tempo.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Clube do Livro - "Norte e Sul" e "Morte em Pemberley"

por Silvana Fonseca, comentários por Michelle Motta


       No mês de Fevereiro, ocorreu mais um debate do nosso clube do livro, escolhido pela Silvana, foram sobre o livro Morte em Pemberley, da escritora Phyllis Dorothy James, Baronesa James de Holland Park, mais conhecida como P. D. James, e a minissérie britânica adaptada do livro Norte e Sul, da escritora Elizabeth Gaskell que foi ao ar no ano de 2004 pela BBC. Confiram o resultado do debate.

Morte em Pemberley

       Sinopse: O livro se baseia no ano de 1803. Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy já estão casados, tiveram dois filhos e sua felicidade em Pemberley parece inabalável. Mas a paz do lugar é ameaçada quando, na noite da véspera do baile anual de Pemberley, Lydia, uma das irmãs de Elizabeth Bennet, chega à mansão gritando que o marido, George Wickham, foi assassinado na floresta. Com este ponto de partida, P.D. James retoma o universo do clássico Orgulho e preconceito, de Jane Austen, numa trama de assassinato em que nada é o que parece.

       A maioria das GDP´s gostaram de modo geral do livro, apesar de ter um ritmo inicial lento típico do gênero, a adaptação de Orgulho e Preconceito se desenvolveu muito bem ao longo da narrativa e nos conquistou. Foi interessante ter uma visão sobre a vida de casados de Elizabeth e Darcy. Concordamos que a autora também nos proporcionou uma perspectiva mais madura de todos os personagens, ressaltando alguns outros atributos ao Sr. Darcy não só como o senhor de Pemberley, mas também como magistrado. E diferenciando um pouco a identidade do primo de Darcy, o Coronel Fitzwilliam: quando em Orgulho e Preconceito é um jovem risonho, simpático e agradável, agora um homem maduro, responsável, senhor de terras. Opinião unânime: gostamos mais do coronel jovem.
       A maneira como a autora constrói a trama é peculiar e surpreendente. O final superou a expectativa de todas, apesar de ter ficado muito de acordo com a personalidade de cada personagem [pensa que vamos contar? Está enganado!].

Norte e Sul


       Sinopse: 'North and South' é um romance de Elizabeth Gaskell. A trama gira em torno do contraste existente entre o modo de vida da Inglaterra industrializada do norte e da Inglaterra rural e inocente do sul, em uma época marcada pela revolução industrial do século 19. O enredo do livro é um romance social que tenta demonstrar a vida e os conflitos existentes no norte industrializado dos meados do século 19, através das impressões de uma jovem nascida nas regiões rurais da Inglaterra. A heroína da história, Margaret Hale, é filha de um ministro religioso que se muda para a cidade de Milton, na medida em que conhece a difícil realidade da população local, ocorre então a formação de novas amizades e uma crescente atração por Mr. John Thornton, dono de uma fábrica têxtil. 
       Não precisamos dizer que foi unânime o amor por esta série. Norte e Sul nos trouxe um romance diferenciado, bastante trabalhado em cima de questões sociais, trabalhistas, regionais e culturais da Inglaterra da época, que foram pontos de destaques ressaltadas por todas do grupo. Tendo como destaque principal na discussão da série, o galã da história, Sr. Thorthon, personagem que fez suspirar a quase todas nós [porque algumas de nós são insensíveis... mas não vou citar nomes porque é anti-ético. Mas quem foi, sabe!]. 
       A série inglesa da BBC conseguiu retratar bem o livro de Elizabeth Gaskell (com algumas diferenças, natural de qualquer adaptação) com sua boa produção, sua ótima escolha de elenco, de figurino e de locações retratando bem as diferenças do Norte e do Sul da Inglaterra.

Nosso próximo debate será sobre o livro Como eu Era Antes de Você, da Jojo Moyes, e a série Emma de 2009 da BBC, baseado no livro de Jane Austen. [É pra preparar os lencinhos!]


sábado, 23 de janeiro de 2016

De Búzios a Pemberley - uma adaptação moderna

       Como leitora, pude notar que é um grande desafio adaptar Clássicos. Muitos autores já tentaram, porém não foram tão bem sucedidos e críticas choveram por toda parte. Mas devo confessar: Estou positivamente impressionada com o resultado que a Lais Rodrigues me ofereceu.
       Primeiras Impressões é uma adaptação moderna, que traz Orgulho e Preconceito para o século XXI. Como garotas de Pemberley, ou seja, fãs de Jane Austen, conhecemos toda a ironia,  sarcasmo as críticas que Austen traz para suas obras, tornando uma adaptação um desafio para qualquer escritor pôr em prática. A sociedade do século XIX tinha seus trejeitos, e Austen, uma maneira sutil de criticá-los. Como eu já disse uma vez, se você quer adaptar uma autora que criticava a sociedade de sua época, você deve fazer o mesmo, criticando a sociedade da sua própria época. E a Lais, jovem autora baiana, me surpreendeu positivamente com sua adaptação moderna. Podem confiar no que digo: ela adaptou meu nº 1 no top 5. Se não estivesse bom, com certeza eu o diria.
       O livro vem trazendo a história de Liz Benevides (leia em voz alta e você perceberá a semelhança com a original) e Frederick Darcy. Se conhecem num verão em Búzios, RJ, onde a família Benevides é dona de uma rede de pousadas. Frederick [Darcy] é americano, e vem ao Brasil acompanhando seu amigo, Charles Bing, a fim de estudar um novo local para seu empreendimento, acompanhados [ou seguidos] por Caroline Bing, irmã de Charles. Liz e Jane, as filhas mais velhas dos Benevides, logo captam atenção especial dos americanos recém chegados, por falarem inglês fluentemente, por serem simpáticas, extrovertidas e, tipicamente brasileiras, muito bonitas.
       Os jovens, que têm entre 25 e 32 anos de idade, se tornam muito próximos nesse verão, mas Liz e Darcy não se dão muito bem. Caroline e Frederick, movidos, ela pela arrogância e ele pelo presunção, decidem se afastar dos Benevides, arrastando Charles com eles, encerrando assim o convívio. No entanto, Jane e Charles já estão apaixonados um pelo outro, o que torna a separação dolorosa e surpreendente.
       Por terem uma boa situação financeira, as meninas estudaram e possuem uma vida nos Estados Unidos, sendo uma em Boston e outra em Nova York. Sendo assim, um reencontro seria inevitável. Liz passa a ser íntima da família Darcy, uma das melhores amigas de Georgiana, irmã de Frederick, e, um tempo depois, sua cunhada também! Enquanto Jane toca sua vida e se envolve com um outro homem, na tentativa de esquecer Charles. Tentativa essa que se mostra infrutífera. Mesmo assim ela persiste.
       Frederick é um homem rico e influente, senador americano e agora candidato a vice governador, mas isso não o impede de se apaixonar perdidamente por Liz. O que atrapalha o casal é Lídia, irmã caçula de Liz, que se envolve num escândalo que seria prejudicial para a imagem do novo Vice Governador, e o que antes era um noivado agora se torna uma dolorosa separação.
       Bem, sabemos como a história termina [Lais não seria louca a ponto de mudar o final!], e sabemos que é um final lindo. Retornos, segredos revelados, redefinições de prioridades e valores, casamentos, e ainda tem uma gestação fofa no último capítulo! Como eu disse, problemas atuais, críticas atuais. Não poderíamos ter, em pleno século XXI, mulheres que buscam independência financeira através de casamentos com homens ricos, ou que ficam remoendo uma desilusão amorosa sem tocar a vida, ou que são obrigadas a casar com homens que não escolheram, ou que não as escolheram. Existe uma liberdade muito maior em nosso século. Mas ainda existe o orgulho e o preconceito, a diferença entre classes, os enganos e falhas de comunicação. E isso foi muito bem pontuado nessa adaptação.
       Por fim, adorei e recomendo o livro, tanto para fãs de Jane Austen, quanto para fãs de um bom romance. Delicioso do início ao fim!

Título Original: Primeiras Impressões
Autora: LRDO
Editora: Kiron
Páginas: 310

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Clube do Livro - "Orgulho e Preconceito" e "A Dama Dourada"

O debate do Clube do Livro no mês de Dezembro foi bem diferente. Como você já deve ter reparado, Orgulho e Preconceito foi o livro debatido. Você deve pensar “Mas vocês já leram 174820 vezes esse livro, e já devem ter falado sobre ele 97582659 vezes!” E sim, você está certo, mas o diferencial é que cada menina foi desafiada a ler esse livro em OUTRO IDIOMA! E o filme foi um lançamento 2015, um drama baseado numa história verídica. Vamos ver o que rolou?


LIVRO:
- A leitura em uma língua estrangeira trouxe novas experiências e nuances antes não percebidas, e agora ficaram  evidentes.
- Ler Orgulho e Preconceito depois de tantas adaptações - filmes e livros e fanfics - trouxe uma reflexão mais aprofundada. Enquanto o livro traz a visão de Lizzie, tivemos leituras de “O outro lado de Orgulho e Preconceito”, “As Sombras de Longbourn” e “O Diário de Mr. Darcy” para contrastar, com as visões do Darcy e dos empregados. Foi legal fazer essa reflexão.
INGLÊS - Algumas piadas em inglês fizeram mais sentido; a timidez do Darcy ficou mais nítida, e menos confundida com presunção; a discussão da Lady Catherine com a Lizzie trouxe
muitas das palavras que o próprio Darcy havia utilizado quando pediu a primeira vez a mão da Lizzie, deixando muito claro a influência da tia na personalidade do sobrinho.
FRANCÊS - “Mes sentiments et le désir ne changent pas, mais dites-moi un mot, et je vais toujours.” Descobrimos que é possível se apaixonar ainda mais pelo Mr. Darcy!
MANGÁ EM INGLÊS - Foi bem legal ver as caracterizações dos personagens! Algumas coisas ficaram bem diferentes do que imaginamos, ou do que o cinema desenha pra gente!
ESPANHOL - Deixou a leitura mais leve e divertida! Ficou muito engraçado! E quem não leu já ficou imaginando um Orgulho e Preconceito versão novela mexicana!


FILME:


Título Original: Woman in Gold
Título no Brasil: A Dama Dourada
Diretor: Simon Curtis
Distribuidor: Diamond Films
Classificação: 10 anos
Duração: 1h50min
SinopseDécada de 1980. Maria Altmann (Helen Mirren) é uma judia sobrevivente da Segunda Guerra Mundial que decide processar o governo austríaco para recuperar o quadro "Woman in Gold", de Gustav Klimt - retrato de sua tia que foi roubado pelos nazistas durante a ocupação. Ela conta com a ajuda de um jovem advogado, inexperiente e idealista (Ryan Reynolds).

- Carga dramática no ponto certo. Final feliz! Ryan Reynolds gato!
- Helen Mirren é uma lady!
- Alguém discorda???

Um filme intenso, forte e expressivo, que trouxe reflexões profundas. Até os personagens entendem com o decorrer da história que a questão vai muito mais além do que simplesmente o financeiro. A crítica com relação ao sistema, que diz que apoia mas apenas até onde não o prejudica, também é muito forte, e a carga emocional, por saber que é uma história real, aumenta a expectativa pelo desfecho feliz.
Teria tudo pra ser um filme mega triste, mas como a perseguição aos judeus foi retratada por flashes de memória, tornou o drama mais leve, sem perder a emoção. O cenário político da época foi muito bem mostrado. As cenas dos tribunais foram ricas em detalhes e muito reais.
E o que dizer da Trilha Sonora? Uma das coisas boas que o Clube do Livro das Garotas de Pemberley  trouxe foi o gosto pela análise da trilha sonora dos filmes/séries. Antes, a maioria não prestava atenção nisso, hoje quase todas já são atentas a esse tópico, que não deixou a desejar na Dama Dourada. A trilha sonora nos leva para o tom do drama. As vezes uma cena sem diálogos, mas a música te faz sentir o que o protagonista sente. Muito bem colocado.
Foi muito legal ver também o desfecho da história, na verdade já nos créditos, quando diz onde eles usaram o dinheiro que receberam: doações para caridade, museus de arte e pro museu de memória do holocausto. Mostra que realmente a luta era por direitos, não por dinheiro.

Por fim, com as palavras de quem escolheu o filme pro debate: “Acho que o objetivo do filme não foi apenas alertar contra o nazismo, mas mostrar que quando você está certo, não há lei nem esforço que te impeça de reaver o que é seu. Mostrou que nem tudo é perfeito na história do mundo, que o ruim aconteceu pra que não se repita. E o fim não justifica os meios.”

sábado, 24 de outubro de 2015

A Volta de Lydia

Por Tânia Picon


       Depois de seu fracassado casamento chegar ao fim com a morte de Wickham, Lydia Bennet acaba tendo que ir morar de favor em Pemberley, na casa de Elizabeth Darcy, sua irmã. Abatida com os acontecimentos, ela já não é mais a mesma de antes. Devido a tudo que sofreu nas mãos do falecido marido, a ainda jovem Lydia acaba tornando-se mais moderada e decide que nunca mais se casará novamente. Todavia, um homem belo e misterioso aparece em seu caminho, fazendo Lydia se recordar de seus tempos de vigor. Será que ela dará uma chance ao seu coração para amar novamente? Ou as marcar que Wickham deixou serão fortes demais para deixá-la seguir com sua vida?


       "Ele era a primeira coisa em que ela pensava ao acordar e a última imagem que havia em seu cérebro ao adormecer. Ele estava sempre presente, tanto na sua mente quanto no seu coração. E ela sabia que precisava dele. Como precisava do ar que respirava. Como um baile precisava de músicas. Como um dia precisava do sol para se iluminar.”


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

"Keep Calm and Find Mr. Darcy"

  • Título Original: Mr. Darcy's Diary
  • Título no Brasil: O Diário de Mr. Darcy
  • Autora: Amanda Grange
  • Editora: Pedrazul
  • Tradução: Andrea Carvalho
  • Páginas: 220
SINOPSE: "O único lugar em que Mr. Darcy poderia compartilhar seus sentimentos mais íntimos eram as páginas do seu diário. Dividido entre o senso de dever com o nome de sua aristocrática família e a paixão crescente pela plebeia Elizabeth Bennet, tudo o que esse jovem nobre podia fazer era lutar contra tal sentimento. Neto de conde por parte de mãe, Mr. Darcy possuía grande quantidade de terra, enorme receita com os inquilinos e uma grande riqueza herdada. O tamanho de sua propriedade e o seu status social lhe davam, inclusive, o direito de nomear o vigário da paróquia e faziam dele uma pessoa muito influente no condado de Derbyshire, na Inglaterra do início do século XIX. Disputado pelas damas da sociedade londrina, Mr. Darcy vive sua experiência sentimental singular a partir do encontro com Elizabeth em Meryton, pequena vila do condado de Hertfordshire, no interior do país. Embora naturalmente rígido e teimoso, demonstra que, no íntimo, também é um homem dedicado e carinhoso. O Diário de Mr. Darcy, portanto, apresenta a história do improvável namoro de Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy do ponto de vista dele. Esta graciosa continuação de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, enfoca os conflitos de Mr. Darcy e as dificuldades do seu relutante relacionamento, da rejeição inicial à luta desesperada para conquistar o coração de Elizabeth. Orgulho e Preconceito tem inspirado um grande número de sequências nos dias de hoje, mas O Diário de Mr. Darcy é a mais bem-sucedida das que incidem sobre o rico e orgulhoso cavalheiro."
       Quem de nós nunca suspirou pelo Mr. Darcy? Toda fã de Jane Austen conhece [de trás pra frente] a história de Orgulho e Preconceito. Sabemos dos sentimentos e pensamentos de Elizabeth Bennet, mas Amanda Grange vem elucidando um pouco do que seriam os pensamentos do nosso herói favorito [pelo menos da grande maioria]. Li recentemente essa obra, que me despertou sentimentos bastante contraditórios. Vou explicar para vocês.
        Quando lemos Orgulho e Preconceito, nossa primeira impressão em geral é de que Darcy é um homem orgulhoso, preconceituoso, prepotente e arrogante. Não faz questão de fazer novos amigos, não gosta de dançar, possui um olhar presunçoso, e suas conversas são, em geral, monossilábicas. É fácil definir seu caráter logo no princípio. Contudo, Amanda nos traz um Darcy que no início eu não reconheci [apesar de já ter lido o livro original 2.581.052 vezes]. Jovial, capaz de rir, fazer piadas, e de ser realmente querido por seus amigos. Por ter perdido o pai muito novo, foi necessário que assumisse responsabilidades desde muito jovem com as propriedades e com sua irmã. Tornou-se um homem sério, que colocou essas responsabilidades acima de divertimentos ou lazer. 
       O que eu acho mais legal no Diário de Mr. Darcy é a oportunidade que temos de conhecer o verdadeiro Mr. Darcy. Um homem tímido - que conhece esse defeito e o admite, corajoso e generoso. Tais características são apenas elucidadas em Orgulho e Preconceito, e aqui são bastante aprofundadas. Um livro que nos leva a entender o universo de um homem que nunca se abriu com ninguém, nem mesmo com seus amigos mais próximos; Que nos faz sentir os sentimentos de alguém que por muito tempo não se permitiu sentir; Que nos faz compreender suas lutas, e lutar com ele.
       Ao contrário daquela primeira impressão, conhecemos um Darcy que não sabia de tudo, que enfrenta desafios ao cuidar de sua irmã, que sente falta de sua mãe. Um Darcy que pensa nas pessoas ao seu redor, e que cativa a lealdade e a confiança não pelo dinheiro, mas pelo caráter. Um Darcy sensível e tímido, que tem medo de se expôr, e por isso quase não conversa com desconhecidos. Um Darcy generoso, capaz de dar mais do que deve à quem não merece. 
       No início do livro, eu fiquei meio em choque com algumas coisas. 1) Um Bingley como uma espécie branda de mulherengo - Bingley é um homem doce e amável, mas não acredito que ele possa ser desses que se apaixona e "desapaixona" facilmente; 2) Darcy chamando Georgiana por um apelido carinhoso - por mais que ame sua irmã, não seria de seu gênero chama-la de Georgie, ate porque Jane Austen nos mostra que ela o temia, então não poderia haver muito carinho entre os dois; 3) Um Darcy que está sempre sorrindo, ou querendo sorrir - um homem desse não poderia ser tomado por arrogante e insensível. Mas nada disso me fez desgostar do livro.
       Fiz a leitura tendo em mente que quem o escreveu foi uma fã, como eu, como você. E nem sempre compartilhamos das mesmas impressões sobre fatos e personagens literários. Achei que Amanda foi muito feliz com as datas. Ela conseguiu casar os fatos aos períodos corretos, e não deixa ninguém perdido na narrativa. Em momento algum ela foge a história original e os diálogos são as conversas exatas descritas por Austen.
       Provavelmente, o clímax do livro foi sua rejeição. É nesse momento que Darcy começa a enxergar os próprios defeitos. Ele sempre foi um homem que criticava mentalmente as atitudes alheias, e começou a perceber que ele também poderia ser alvo de críticas, e críticas reais. Viu o quão prepotente era, e o quanto ainda precisava amadurecer para ser um homem verdadeiramente feliz. As vezes precisamos de um tapa na cara para encarar a vida da maneira certa. Darcy precisava. Elizabeth o fez. E ele aproveitou a oportunidade não para ficar se remoendo, mas para abrir os olhos e procurar melhorar. E o fez.
       O Diário de Mr. Darcy me fez parar para pensar. "O que será que as pessoas vêem em mim que eu não vejo? Será que eu sou realmente aquilo que eu penso que sou?" Darcy aprendeu sua lição, passou a prestar mais atenção em suas palavras, suas atitudes, e nas pessoas ao seu redor. Coisas que antes eram extremamente importantes para ele perderam o sentido, e o inverso também aconteceu. E Amanda Grange conseguiu captar essas minúncias e passar para nós de uma maneira deliciosa. Minha nota? 10!


quarta-feira, 15 de julho de 2015

A Moda na Regência - Parte II

Penteados Regenciais e seus Acessórios


            Sempre que assistimos a um filme de época, certas coisas nos chamam muito a atenção, em especial, as roupas e os cabelos. Sobre a moda regencial, temos um post aqui feito pela Fernanda Pelizer muito legal, vale a pena conferir. Mas o assunto de hoje são os cabelos. Será que os filmes retratam corretamente o período regencial?

            No final do século XVIII, os penteados femininos tomaram um rumo dramático: dos pomposos e produzidos penteados da época Georgiana aos estilos mais simples inspirados nos gregos, romanos e egípcios. Cachos agora enquadrados no rosto e coques substituíram os cabelos elaborados, complicados e arquitetônicos que tomavam horas para serem criados. Estátuas antigas e obras de arte passaram a revelar os novos penteados clássicos. As mulheres começaram a usar penteados mais simples, como cabelo longo puxado em coques ou rabos de cavalo simples, longas ondas para o lado sobre o ombro e pequenos cachos emoldurando o rosto. Os enfeites consistiam em coroas de flores, fitas, jóias, tiaras e pentes.
            Para ilustrar, Keira Knightley em dois personagens épicos: à esquerda, Georgiana Cavendish (The Duchess, 2008) representando o ano de 1780 aproximadamente, com um penteado clássico da época; ao centro e à direita, Elizabeth Bennet (Orgulho e Preconceito, 2005), com penteados mais simples, representando o ano de 1800.

            Cabelos longos, embora não tão predominantes quanto os presos no alto – coques e rabos de cavalo – geralmente tomavam a forma de uma onda caída sobre o ombro. Em alguns casos, um penteado mais casual deixava os cabelos fluindo ao redor do pescoço e ombros.
            À esquerda, Kelly Reilly como Caroline Bingley (Orgulho e Preconceito, 2005) demonstrando o penteado com a onda caída sobre o ombro. À direita, Tamzin Merchant como Georgiana Darcy (ibidem) com o cabelo mais solto.

            Penteados simples, cabelo liso, com alguns cachos e franjas, ou simplesmente repartido ao meio, foram usados, mas não foram tão retratados por artistas quanto os estilos encaracolados.
            Talulah Riley, a Mary Bennet, e Sinead Matthews, a Betsy, ambas de Orgulho e Preconceito, 2005, utilizam desse penteado simples, sem adornos.

            Quanto ao tipo de acessório, variava de acordo com o vestido, o horário e a ocasião. De flores à jóias, as mulheres da época variavam seus enfeites, contudo, os chapéus eram os mais utilizados. Por muito tempo o chapéu foi um acessório obrigatório para moças, costume que foi diminuindo com o tempo ate se perder por completo.
Em ordem da esquerda para a direita: Brenda Blethyn, em sua personagem Sra Bennet (ibidem) utiliza penas no cabelo para ir ao baile; Rosamund Pike como Jane Bennet (ibidem) usa fitas finas trançadas com pequenas flores como apetrecho de festa; Judi Dench, a Lady Catherine de Bourgh (ibidem) utiliza um chapéu para compor seu vestuário de noite; e Claudie Blakley como Charlotte Lucas (ibidem) escolhe uma pequena coroa de flores para uma noite luxuosa.

Sabemos que a moda vem e vai, e podemos observar certos acessórios que também voltam à moda de vez em quando. Alguns exemplos: Emma Watson utilizando pedrarias, Kirsten Dunst usando tiara de flores, Agatha Moreira com fita amarrada no cabelo, Demi Lovato aderiu a pena como acessório, Kate Middleton arrasando de chapéu...



sábado, 11 de julho de 2015

A Moda na Regência - Parte I

Jane Austen nasceu em uma época onde o interesse por esporte, comodidade, gosto pelo campo e pelo ar livre estava cada vez maior entre a população. Nesse período a Inglaterra começou a ditar a moda, que até esse momento era inspirada pela moda francesa do Rei Louis XIV com seus trajes extremamente extravagantes. Por volta de 1755 o estilo à anglaise (o estilo inglês de se vestir) começou a ganhar maior força por conta de sua simplicidade, conforto e a praticidade que os trajes apresentavam, já que as pessoas procuravam roupas que se adequassem a esse interesse pelo campo e pelos esportes.

O que mais caracterizava essa moda eram os recortes das costas no corpete, que era justo e com barbatanas. Na parte da frente, o decote era profundo coberto por um triângulo de tecido colocado envolta do pescoço e preso nele. As saias eram sustentadas por um simples rolls (duas almofadas presas na cintura para estruturar os vestidos) e se abria na frente de forma ampla sobre uma anágua (saia de baixo) podendo ou não serem feitas do mesmo tecido.

Para ficar mais claro, no filme Orgulho e preconceito a indumentaria usada pela Sra. Bennet é exatamente no estilo à anglaise.


Na moda masculina o silhueta também era mais fina e com cores extravagantes. Os coletes possuíam duas pontas compridas e aos poucos elas foram diminuindo, já os trajes da corte continuavam exagerados tanto nas cores quanto nos adornos, feitos com fio de ouro ou prata. A moda masculina demorou mais para mudar, então nesse período a indumentaria ainda lembrava as roupas da corte do rei Louis XIV.

Podemos visualizar esses trajes masculinos também no filme Orgulho e Preconceito. O Sr. Bennet usa peças com essas características, mas lembrando que ele era de uma classe social inferior e por isso suas roupas não possuíam adornos ou enfeites, mas o estilo do corte e o formato ilustram um pouco esse estilo.


Na sua juventude e durante sua fase adulta, Jane viveu outras duas mudanças na moda. Esses são os estilos mais conhecidos por seus fãs já que na grande maioria seus personagens os utilizam. Entre 1789 e 1799 ocorreu a chamada moda de Diretória, que foi uma mudança extremamente brusca no modo de se vestir. Na indumentaria masculina, no inicio dessa nova fase, os homens possuíam uma roupa bem mais enfeitada do que as femininas e aos poucos essas fitas, rendas e cores foram perdendo espaço para a tão conhecida roupa do nosso querido Sr. Darcy, com cores mais sóbrias. Outra mudança importante na moda masculina foi o desaparecimento gradual das perucas e do pó de cabelo.

Com essa transformação na forma de se vestir o corte e a forma da costura passaram a ser os indicadores de qualidade, ou seja, o que definia sua classe social, diferente da indumentaria antiga que a quantidade de enfeites que definia essa posição.

Os homens passaram a vestir casacos compridos, o colete foi encurtado, os colarinhos ficaram mais altos indo até a nuca e vinham acompanhados de lenços presos envolta do pescoço. Nas pernas usavam calças com bolso estilo faca e botões, finalizando com uma bota de cano longo. Na cabeça uma cartola simples, com os cabelos curtos com costeletas.

Na moda feminina a principal mudança foi elevação da cintura e a troca dos tecido pesado por tecido bem mais fluidos, além do abandono dos corsets e das ancas. A ideia era lembrar as estátuas gregas da antiguidade, ou seja, as roupas eram longilíneas feitas com tecidos transparentes e finos como a musseline.  Por baixo, usava-se uma malha de cor clara para disfarçara essa transparência . Para o inverno eram usados tanto um casaco feito da mesma cor do vestido como um feito com materiais mais pesados e enfeitados com pele. Os calçados eram sapatilhas estilo bailarina sem salto e para os cabelos o penteado era simples (repartido ao meio, preso com alguns cachos).


A outra mudança foi a moda estilo Império que durou até um pouco antes da morte da nossa amada escritora. Esse novo estilo de se vestir surgiu na França tendo seu grande ápice na coroação de Napoleão Bonaparte. Ele estava decidido a fazer a economia da França voltar a ser promovida pela moda, tanto que sua esposa a Imperatriz Josephine eram um dos principais ícones da época.

A moda feminina era composta por um estilo de camisola leve e fluida que ia até os tornozelos, sendo presa logo abaixo do busto podendo também ter mangas bufantes. As roupas não deveriam ter enfeites e nem adornos e para cada momento do dia existia um vestido especifico (vestido de caminhar, vestido da tarde, vestido para o chá, entre muitos outros). Os vestidos brancos eram sinal de status social.

Curiosidade: Até então as mulheres nunca tinham usado tão pouca roupa

Para ilustrar bem essa moda podemos ter em vista as roupas usadas pela Caroline Bingley também no filme Orgulho e Preconceito de 2005. A diferença dos detalhes da roupa dela para as de Lizzie mostra bem a diferença entre a moda das classes mais alta para as mais baixas.


Na moda masculina poucas mudanças apareceram, pois franceses adotaram a forma dos ingleses se vestirem. Mais ou menos nesse período foi criado o estilo Dândis, onde as roupas eram simples, sem enfeite. O colete era curto com o corte quadrado, os botões ficavam abertos para mostrar os babados da camisa, os calções eram justos colocados por dentro da bota, podendo ser mais largos dependendo da ocasião, o colarinho da camisa era virado para cima e era preso pelo lenço enrolado no pescoço e de tão presos dificultava os movimentos da cabeça. As peças eram normalmente uma de cada cor, sempre sendo tons sóbrios. Usavam, também, as cartolas e os cabelos curto.

Como é sempre bom lembrar, a moda não tem uma data especifica de mudança. Elas ocorriam gradualmente e nesse período, principalmente, ela mudava constantemente para que as classes inferiores nunca alcançassem as superiores. Era como se fosse uma torneira pingando, quando finalmente a gota está chegando próximo a pia outra já está caindo e assim um ciclo de mudança sem fim.

Para ilustrar melhor as roupas da época usei o filme Orgulho e Precoceito de 2005. Nele conseguimos enxergar a diferença entre a moda dos mais antigos como Sr. e a Sra Bennet ou a Lady Catherine, a roupa das irmãs Bennet que apesar de serem jovens usavam roupas de uma estilo “mais antigo” por conta de sua classe social e as roupas usadas pelos personagens com mais riquezas como Sr. Darcy, Sr. Bingley e a Caroline Bingley.



*Fonte das imagens históricas e termos ou para maiores informações sobre a moda da época:  
http://modahistorica.blogspot.com.br/