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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

BEDA #24 - Bienal do Livro SP - Dicas da Line

Faltam dois dias para a Bienal do Livro SP!!! Estou super empolgada, pois será minha primeira vez no evento. Quem me conhece sabe que sou uma grande entusiasta da literatura nacional, principalmente da literatura de gênero, que costuma sofrer um certo preconceito da academia. No post de hoje apresentarei os livros que pretendo comprar, fazer algumas indicações que acabaram ficando de fora da minha lista de compras porque faltou $$$, além de falar sobre os autores das nossas editoras parceiras que estarão no evento, além de outros autores que já foram apresentados aqui no blog. SÓ AUTORES NACIONAIS NESSE POST, e eventos como a Bienal são uma grande oportunidade para conhecer o trabalho deles. 


O Garoto do Cachecol Vermelho, Ana Beatriz Brandão, 294 págs, Verus Editora. A autora tem 16 anos e está relançando seu terceiro livro, o primeiro romance, que também possui pitadas de drama e suspense.

Sob o mesmo Teto, Bruna Fontes, 352 págs, Duplo Sentido Editorial. Conheci o trabalho da Bruna Fontes na plataforma de autopublicação Wattpad, através desse livro, e me apaixonei pela forma que ele escreve, tanto que ela é uma das minhas autoras preferidas por lá. Esse é o primeiro livro da série Medina-Becker, uma ‘família muito unida, mas também muito ouriçada”, e será lançado pela editora que a Bruna criou com um grupo de amigas.

Amor Plus Size, Larissa Siriani, 280 págs, Verus Editora. O livro é sobre a jornada de autoconhecimento, aceitação e empoderamento. A Larissa é uma grande amiga e foi entrevistada aqui no blog no início do mês.

Uma Canção para Você, Luiza Trigo, 208 págs, Rocco Jovens Leitores. Já acompanho o trabalho da Luly desde 2014, uma vez que ela é uma das autoras preferidas da minha irmã. Esse é o terceiro livro sobre um grupo de cinco amigas, cada um focado em uma delas. Neste livro, a protagonista é a Amanda, e além de apresentar temas comuns do universo adolescente, o livro também fala sobre relacionamentos abusivos e perdas.



O Despertar do Lírio, Babi A. Sette, 382 págs, Editora Novo Século. Esse é o segundo livro da série de romances de época Flores da Temporada, e como esse é um dos meus gêneros preferidos, não poderia ficar de fora. Já li o primeiro livro da série, A Promessa da Rosa, e gostei muito da escrita da Babi.


Aonde quer que eu vá, Beatriz Cortes, 320 págs, Editora Novo Século. Também conheci a Beatriz Cortez no Wattpad, com o chick lit Meu Doce Azar, e gostei bastante. Aonde quer que eu vá tem como protagonista uma ginasta e como ainda estou no ritmo das Olimpíadas, tenho boas expectativas quanto a essa leitura.

Como se fosse Magia, Bianca Briones, 208 págs, Editora Gutenberg. Já conheço o trabalho da Bianca através da série New Adult Batidas Perdidas. Mas agora, nessa nova história, uma escritora em um bloqueio criativo, e por isso não consegue terminar sua série de fantasia, que acaba conhecendo um cara desmemoriado que se parece demais com o protagonista dos seus livros. Como não ficar interessada?


Quando o Amor bater à sua Porta, Samanta Holtz, 304 págs, Editora Arqueiro. Aqui também temos uma escritora o um homem que perdeu a memória, mas dessa vez, ajudar esse desconhecido pode trazer à tona fatos e sentimentos que a protagonista prefere esquecer. Também entrevistamos a Samanta esse mês.







Você também pode acompanhar as peripécias de uma adolescente brasileira na Terra do Mickey em O Diário Internacional de Babi, da Chris Salles, que também fez muito sucesso no Wattpad. Bullying é o principal assunto apresentado no mais novo livro da Thalita Rebouças. Tango, alfajor e empoderamento são os ingredientes de Poder Extra G, da Thati Machado, que também fez muito sucesso no Wattpad. O Livro Delas reúne contos de nove autoras nacionais (adoro antologias, pela oportunidade de conhecer o trabalho de várias pessoas de uma vez só). E Cabeças de Ferro promete ser bem divertido, como costumam ser os livros da Carol Sabar, e dessa vez com uma pitada de mistério.

Outros autores que estarão presentes no evento são: 





















Para mais informações sobre sessões de autógrafos, acesse o site oficial da Bienal do Livro SP, assim como as redes sociais dos seus autores preferidos. Estarei presente no evento nesse final de semana. Quem sabe a gente não se encontra por lá? 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O desabrochar de uma mulher

Chimamanda Ngozi Adichie.
Nunca tive muito contato com a literatura africana. O único livro que tinha lido até semana passada que se passava no continente era Planície Proibida, sobre descendentes de colonizadores holandeses durante  a Guerra dos Boeres. Então apareceu Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie.

Conheci a Chimamanda pelo livro "Sejamos Todos Feministas"(Companhia das Letras, 2015) e de alguns discursos seus também sobre feminismo, especialmente o que ela fez em uma formatura na Universidade de Wellesley. No entanto,  confesso que não esperava uma obra tão forte como esse livro.

Hibisco Roxo conta a história de Kambili, uma menina nigeriana de 15 anos extremamente tímida e reprimida. Ela mora com seu irmão mais velho Jaja, que tenta protegê-la sempre, sua mãe Beatrice, a típica esposa submissa que pode ser encontrada em qualquer lugar do mundo, e seu pai, um homem extremamente católico, dono de um jornal de oposição ao governo e de várias fábricas de alimentos. Ou seja, muito rico.
Esse pai, Eugene, é sem dúvida o personagem mais complexo do livro. Completamente cego pelo fanatismo religioso, ao mesmo tempo que é conhecido por gastar boa parte do seu dinheiro com caridade e ajudar sua comunidade, é um carrasco dentro de casa. Espanca sua mulher e filhos com frequência por motivos bestas, como não querer visitar o pároco por estar passando mal, não ser o primeiro da turma ou tomar café da manhã antes de ir à missa. Ele também rejeita seu pai por não ter se convertido ao Catolicismo e seguir sua religião politeísta e foi responsável por pelo menos dois abortos que sua esposa sofreu. 

A realidade desta família começa a mudar quando uma irmã de Eugene aparece. Ifeoma é o completo oposto de Beatrice. Ela é uma professora universitária totalmente independente que cria sozinha seus filhos
e os estimula a serem pessoas críticas e questionadoras. Quando ela convence o irmão a deixar os filhos a passarem uma semana com ela, Kambili e Jaja conhecem um mundo novo, sem a ameaça do inferno (e dos castigos paternos) pairando sobre eles. 

Na casa da tia, sem os luxos e regras com que está acostumada, a menina passa a desabrochar e ver o mundo de forma diferente. Aprende a questionar, a ter vontades próprias, a rir e sorrir,  se apaixona pela primeira vez e descobre que ao contrário do que seu pai diz, nem tudo é pecado. Tudo isso acontece gradualmente com ajuda de sua tia, seus primos e especialmente do padre Amadi.

A relação dela com o padre é doce e pura, e a paixão platônica que a garota desenvolve é benéfica a ela (ao contrário do que se pode imaginar quando o assunto é ficar apaixonada por padres). Pe. Amadi é um cara completamente diferente dos que Kambili conhece. Ao mesmo tempo em que leva muito a sério seu sacerdócio, ele sabe respeitar as tradições do povo local e mostra à menina outras formas de vida, sem deixar sua fé de lado.

Ao mesmo tempo que a autora conta a história de Kambili, ela mostra a realidade do sistema educacional e político do país, a influencia da colonização branca e do catolicismo na vida das pessoas e traços da cultura da Nigéria. Ela joga na cara do mundo que nem todos que vivem no continente africano são extremamente pobres e que cada país tem culturas e tradições independentes. O livro também é totalmente feminista, o que eu já esperava, e aborda o tema de forma indireta, mas muito forte.  Com certeza foi um ótimo jeito de começar as leituras do ano.

Título Original: Purple Hibiscus
Título no Brasil: Hibisco Roxo
Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Julia Romeu
Páginas: 324


PS: Estou aceitando mais livros da Chimamanda de presente

sábado, 3 de outubro de 2015

“e aos vinte nove, com o retorno de Saturno, decidi começar a viver.”

Título Original: Quando Saturno Voltar

Autora: Laura Conrado

Editora: Globo Livros

Páginas: 248











Sinopse: Déborah Zolini é uma jornalista sonhadora, que trabalha como assessora de imprensa em um clube de futebol da segunda divisão, e namora o médico Sérgio há quatro anos. Ela faz planos de construir uma vida a dois, arrumar um emprego melhor e correr atrás de desejos que ainda não realizou. Só que a vida, ou as estrelas, guardam surpresas para Déborah. Em uma viagem ao Chile, ela encontra uma mulher misteriosa que lhe fala sobre o retorno de Saturno. Déborah não leva a moça muito a sério, mas pede às estrelas que a ajudem a realizar seus desejos. No entanto, no vôo de volta ao Brasil, um encontro inesperado começa a abalar a vida aparentemente certinha da protagonista. Aos poucos, Déborah começa a admitir que não está gostando do rumo que as coisas estão tomando em sua vida. Será a hora de partir para novos desafios? Trocar aquele relacionamento confortável pelo frio na barriga? Sair de vez da zona de conforto e ver o que acontece?

O Retorno de Saturno é um fenômeno astrológico ligado ao movimento de translação desse planeta. Quando nascemos, Saturno ocupa um lugar no céu. Quando ele retorna a esse ponto, 29 anos depois, isso pode resultar em transformações profundas.  Qualquer semelhança com a “crise dos 30” não é mera coincidência. Dessa maneira, o Retorno de Saturno é um recurso narrativo para contextualizar os acontecimentos do livro, em que a protagonista passa a questionar a maneira como lida com seus relacionamentos amorosos, escolhas profissionais e crises familiares.


Como um bom chick-lit, o livro possui uma protagonista por quem sentimos empatia imediata; um mocinho charmoso apelidado de “moreno tentação”; e um enredo recheado de momentos divertidos, em especial os ligados ao Taes, clube fictício de Minas Gerais onde Déborah trabalha. Mas como é comum em seus livros, a autora mineira Laura Conrado vai além, pois ao contar sobre esse processo de transformação na vida da protagonista, em especial a superação do comodismo, nos leva a questionar nossas escolhas, a refletir sobre o que estamos fazendo para tornar nossos sonhos realidade, nos dando uma injeção de ânimo na procura pela felicidade.

Cada capítulo do livro começa com um trecho do poema “Ode a uma estrela”, do poeta chileno Pablo Neruda. Nesse poema, o eu - lírico captura uma estrela, mas encontra dificuldades para lidar com seu brilho e por fim lança a estrela em um rio, fazendo assim uma metáfora sobre o amor, a posse e a liberdade.


“Ter sonhos esfacelados pode ser bom: dá para sonhar outros.” 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A cor púrpura, Alice Walker - por Raquel Sacramento

        Tomei conhecimento do livro “A cor púrpura”, da escritora estadunidense Alice Walker, ao descobrir que meus alunos do 7º Ano o pegavam na biblioteca pra ler as “partes pornográficas”. Obviamente, fiquei curiosa, iniciei a leitura e agora mal posso conter as lágrimas enquanto escrevo essa resenha, peço licença, portanto, para escrever de maneira pessoal e emocional.
        O livro é em formato epistolar, ou seja, através das cartas da personagem principal, Celie, conhecemos uma história extremamente sofrida e que, infelizmente, podia muito bem ser baseada em fatos. O contexto é a sociedade americana do final do século XX, a qual era baseada na segregação racista. Celie sofre uma série de violências durante sua infância e acaba se casando com um homem que também a subjugava e a traía. Em busca de algum alívio, a personagem recorre às missivas que escreve, mesmo sem saber se seu destinatário a ouvia e seria capaz de responder.
         É de suma importância, para entendermos bem a história, consideramos a interlocução nas cartas, uma vez que é, justamente, a relação entre a remetente e os destinatários que nos mostram os aspectos mais subjetivos da história. Celie escreve, a princípio, apenas pra Deus, contando todas as situações pelas quais passava e rememorando sua própria história. Depois, ela passa a remeter à sua irmã, de quem desconhece o paradeiro, e, por fim, quando parece ter assimilado  “a cor púrpura”, se dirige aos “Querido Deus, Queridas estrela, queridas árvore, querido céu, querida gente. Querido tudo.”
          O texto é carregando de trechos super emocionantes e que nos levam à muitas reflexões existenciais, destaco aqui o momento em que – na minha percepção – o título da obra é explicado: “Você tá dizendo que Deus é vaidoso? Eu perguntei. Não, ela falou. Num é vaidoso, só quer repartir uma coisa boa. Eu acho que Deus deve ficar fora de si se você passa pela cor púrpura num campo qualquer e nem repara.” (Reparem que a linguagem é informal, o que confere ainda mais simplicidade e delicadeza à história narrada.)
       Outro tema que é muito explorado pela autora é a importância da sororidade (amizade entre as mulheres), posto que é no momento em que as personagens femininas se unem que a libertação começa a ocorrer. O interessante é que o empoderamento vem de onde menos se espera, fazendo com que enxerguemos que amor e amizade precisam, necessariamente, estar ao lado da luta contra as opressões.
           Essa leitura foi, para mim, mais uma prova de que sempre se pode aprender com os alunos, mesmo com as “travessuras” que eles aprontam. Aproveitei o “interesse” deles pela obra e selecionei uns excertos para discutir o gênero epistolar e racismo estrutural.

P.s.: Pasmem, mas só depois fui descobrir que este livro incrível foi adaptado para o cinema, em 1985, por Steven Spelbierg e estrelado por Whoopi Goldberg e Oprah Winfrey, sendo indicado a vários prêmios e muito elogiado pela crítica.

Referência:
WALKER, Alice. A cor púrpura. São Paulo: Círculo do Livro, 1982.