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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

[Coisas pelas quais Jane Austen não passou] E agora? Acabou o papel!


Ai gente, tem coisa mais desagradável do que ir ao banheiro e ao terminar perceber que acabou o papel higiênico? Se tem, é difícil definir. Seja em casa ou na casa de estranhos [principalmente na casa de estranhos] essa é uma situação que todos nós já passamos alguma vez na vida. E quem não passou, vai passar! Mas será que Jane Austen passou por isso??? Hummmm... Será???

Vamos a uma viagem no tempo!

A higiene é um assunto um tanto desagradável quando pensamos nos séculos XVIII e XIX. A ideia do banho, onde a pessoa tira toda a roupa e se lava, só foi disseminada quando já próximo de 1900, e o papel higiênico não foi inventado até o final de 1800. Mas então, como que funcionava essa parte inevitável da vida?

Bem, desde que o mundo é mundo como o conhecemos, nós temos o que chamamos de necessidades fisiológicas. Nossa geração é muito feliz por já ter nascido numa era em que certos apetrechos já haviam sido inventados, como a privada, o chuveiro, o absorvente [e eu nem vou entrar na questão do absorvente!]. No entanto, Austen pode não ter sido tão feliz assim. Abaixo temos duas fotos, a da esquerda representando um tipo de privada portátil do século XVIII, e a da direita mostrando um Urinol. Sim, é pra isso mesmo que você pensou.

Mas Michelle, então não havia privada? Não! Na época haviam pequenos cômodos externos à casa
principal onde havia uma ou mais latrinas. Uma ou mais porque na verdade era comum compartilhar esses locais com outras pessoas. A ideia de privacidade não existia. Eu sei, difícil imaginar... Observe a imagem ao lado, representando um banheiro público muito antigo, aproximadamente do século IV. A primeira coisa que veio a minha cabeça foi "que diabos é isso na mão deles?". E sim, é isso mesmo que você está pensando!

Mas é claro que as coisas foram mudando com o tempo, e isso inclui os banheiros! [Amém!] No séc XVIII ainda não havia um banheiro propriamente dito, e dentro de casa eram usados os Urinóis. Depois veio a "casinha", com latrinas. E agora, falemos do "papel higiênico". Os ricos tinham opções leves e sedosas para se limpar, como o linho, e ate mesmo a seda. Os pobres não tinham essa opção. Alguns utilizavam tiras de tecido, outros utilizavam musgo ou folhas.Os romanos é que vieram com a ideia de enrolar um pano em uma vara e molhar o pano [o que na verdade foi uma das ideias mais inteligentes com as quais me deparei nas pesquisas, como mostra a imagem ali em cima] proporcionando uma limpeza melhor. E se tudo falhasse, ia na mão mesmo, fazer o que?

A tecnologia utilizada na privada, que levava de maneira subterrânea os dejetos, só foi produzida em 1880, em Paris. Foi então que as casinhas começaram a ser substituídas por cômodos dentro de casa. Ou seja, Jane Austen nunca viu essa preciosidade. Posso ate imaginar seus olhos brilhando de pura emoção. E quanto ao papel higiênico, queridos, nada nunca vai substituir a boa e velha ducha higiênica!

http://super.abril.com.br/ciencia/o-inventor-da-privada/
http://revoada.net/10-fatos-horriveis-sobre-o-seculo-18/

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

[Coisas pelas quais Jane Austen não passou] Deu Match! ♥

Hoje em dia a coisa mais comum de se ouvir falar é de Aplicativos e Sites que promovem [ou tentam promover] encontros e relacionamentos. Tinder, Happn, Adote um Cara, Pof, Badoo, e por aí vai. Existem diversas opções, para todos os gostos. Não, na verdade, nem todos. Será que Jane Austen seria uma adepta ao Tinder? Vamos recorrer aos seus livros para desvendar essa questão!


O livro mais popular de Austen é, como todos sabem, Orgulho e Preconceito. Nesse livro Jane Austen utilizou algumas características para montar seus personagens. Vamos a elas:

Elizabeth Bennet - garota do campo, segunda filha, não era a mais bonita, esperta, inteligente, sem habilidades especiais (do tipo costurar, pintar, bordar...), consciente das próprias possibilidades, observadora e seletiva. Com certeza uma mulher dessas não estaria em um aplicativo de relacionamentos!

Fitzwilliam Darcy - homem responsável, bonito, rico, inteligente, observador, discreto, importante, educado, orgulhoso (no sentido bom... ate certo ponto), seletivo, exigente. Um homem desses recorreria à aplicativos de relacionamento? Acho que não.

Lídia Bennet - 5681 matchs, 367 crushes... Lídia com certeza seria adepta e teria perfil em todos os aplicativos! 


Sabe, semana passada, quando falei das cartas, falei que certas coisas perdem muito quando são substituídas. Perderam a beleza, o capricho. E hoje os relacionamentos perderam muito com esses apps. O romantismo, a corte, a criatividade na hora da conquista, tudo foi substituído por um "coração" na tela!

Austen é mestre no quesito romantismo. São declarações lindas em seus livros, olhares, momentos marcantes, que numa era tecnológica seriam substituídos por um "Match"! O que não é nada justo! Imagine a cena clássica de Persuasão, quando o capitão Wentworth escreve aquela linda carta para Anne Elliot, sendo substituída por um match?! Ah não! Há limites!

A grande verdade é que nada nunca vai conseguir substituir aquela paquera do século XIX, a troca de olhares, os sorrisos discretos, a aflição da conquista, o medo de ser ou não correspondido, as cartas escritas para agradar, as visitas, os passeios românticos a parques, a ansiedade na hora de pedir a mão... Pouco a pouco tudo isso foi sendo substituído, e hoje encontros são marcados às cegas. O romance se perdeu quase por completo, para nossa tristeza [sim, coloquei todas vocês no mesmo saco que eu, pois quem ama Jane Austen sabe exatamente do que estou falando!]. Afinal, quem nunca sonhou com aquele cara trazendo flores? Ou te levando para jantar num restaurante romântico à luz de velas? Ou fazendo uma serenata? Um passeio ao fim de tarde na beira da praia? Uma declaração de amor à luz da lua?


A grande conclusão disso tudo é que Jane Austen ficaria muito decepcionada com a mania de match. Não tem nem como colocar isso em seus livros. Ia ser meio estranho e totalmente sem graça. E por falar em coisa estranha... semana que vem falaremos de algo extremamente estranho e desagradável. Vai imaginando aí o tema da próxima publicação da série Coisas pelas quais Jane Austen não passou!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

[Coisas pelas quais Jane Austen não passou] Visualizou e não respondeu!


Desde que o Whatsapp criou esta ferramenta representada acima, nossa vida virou um inferno. O mundo entrou em colapso. O caos instalou-se nos relacionamentos em geral. Pais e filhos, cônjuges, amigos, tios e sobrinhos. Não existe mais a liberdade de ignorar os outros. Não existe mais a possibilidade de inventar desculpas, do tipo "puxa, não vi sua mensagem". A nova ferramenta veio para nos obrigar a completar a comunicação, ainda que não queiramos. "Mas Michelle, isso é ruim?" Claro!
- Aquela sua tia que manda uma imagem com uma flor e um Bom Dia! todos os dias e você ignorava. Agora não pode mais!
- Aquele antigo crush que vem com um "Oi, sumida!" e você ignorava. Agora não pode mais!
- Aquela prima que te manda correntes do tipo "mande para todas as pessoas que você ama, quero receber de volta" e você ignorava. Agora não pode mais!
- Aquela mensagem da sua mãe mandando limpar o coco do cachorro do quintal e você ignorava. Agora não pode mais!

Mas é verdade. A tecnologia nos ajuda a melhorar e otimizar nossa comunicação. Imagine a sua vida dependendo de cartas, correios à cavalo ou mesmo empregados correndo com bilhetes na mão. É, bem complicado! Mas era assim que nossa querida Jane vivia! Vamos entender!


As cartas, por muito tempo, foram o único meio de comunicação no mundo. Enviar uma mensagem e esperar 15 dias, 1 mês para ter a resposta era algo muito comum - coisa que nós não podemos sequer imaginar! Jane viveu na era Georgiana (1714-1830), quando só havia esse meio de comunicação, e podemos perceber em seus escritos que era uma prática que ela gostava muito. Em seus livros temos a presença de cartas trocadas entre os personagens, e temos também romances epistolares, que são completamente compostos por cartas. 

Em sua vida também temos registros de que muitas cartas foram trocadas, em especial com sua irmã Cassandra. Infelizmente a maioria dessas cartas foi perdida - queimada - o que nos deixou uma lacuna gigante quanto à sua vida. Mas a grande verdade é que, por cartas, emails, telefone, sms ou skype, sempre queremos que nossas mensagens permaneçam privadas. e foi pra proteger essa privacidade que Cassandra queimou as cartas. Sabe lá qual segredo de Jane ela queria esconder né...

Mas onde quero chegar? Nos inconvenientes. Assim com o duplo-tique-azul do whatsapp causa inconvenientes diversos, as cartas também tinham seus pontos ruins, além da demora. Muitas cartas foram desviadas de seu destino e nunca chegaram - por diversos motivos, desde uma tempestade no caminho dos correios até a caligrafia ininteligível do remetente. Muitas cartas foram entregues no lugar errado - igual quando a gente printa uma conversa e manda pro grupo que não deveria, sabe?! E muitas cartas foram ignoradas, propositalmente ou não.

Carruagem de Mala-Postal Inglesa utilizada na carreira entre 1859 e 1864

No entanto, havia algo nas cartas que nenhum outro método conseguiu suplantar ate hoje: o capricho. 


Havia aulas de caligrafia, afinava-se as penas com muito cuidado, papéis de carta eram personalizados (e caros) e levavam o brasão da família, traçava-se linhas nas folhas pra ficar certinho, e a linguagem das cartas era, em geral, mais culta do que a oral, com mais floreios, palavras mais bonitas. O visual de uma carta era algo que tinha muita importância, e muitas vezes elas iam acompanhadas de flores, desenhos, ou outras cartas - que foram substituídas pelo famoso print! - ou mesmo eram perfumadas. Lindo né?!

Infelizmente, a carta foi perdendo importância. Desde a criação do telefone, do fax, do telegrama, o costume de enviar cartas foi caindo em desuso, mas o que veio pôr fim à troca de cartas foi o advento do e-mail. Até o século passado as cartas eram ainda um forte meio de comunicação com pessoas que estavam distantes, ainda encontramos um razoável número de cartas escrito por pessoas famosas dessa altura. A rapidez com que recebemos uma resposta e o rápido crescimento que a internet teve nos últimos anos da década de 90 foram os grandes responsáveis por tornar as cartas quase objetos de museu, e hoje, o Whatsapp tomou conta dessa parte quase totalmente.

Conversas fictícias.
Mas de tudo isso tiro uma conclusão: Feliz foi Jane Austen por ter vivido numa época distante dessas tecnologias, pois com Tinder e similares, as declarações românticas de seus livros iriam por água a baixo! E por falar em Tinder e declarações... não, hoje não, mas  falaremos sobre isso numa próxima publicação da série Coisas pelas quais Jane Austen não passou!



Minhas pesquisas:
http://janeaustenpt.blogs.sapo.pt/243792.html
http://www.jornalocasarao.com/2013/07/jane-austen-contexto-historico.html

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

[Coisas pelas quais Jane Austen não passou] Senhora, cartão recusado!



Eis um constrangimento que todas nós já passamos em algum momento. Errar a senha é muito comum, trocar o cartão de débito e crédito e ter uma compra recusada, ou mesmo estourar nosso limite. Não é nenhum crime, eu mesma já passei por isso em várias ocasiões. O bom e velho dinheiro nunca falha nessas horas - a não ser que seja falso - e sempre podemos recorrer a ele em caso de recusa de cartão. Mas será que Jane Austen já passou por isso? Será que num desabafo ela poderia dizer "entendo, querida"? Não, com certeza não!


       Na época de Jane Austen, as compras eram feitas de modo diferente do que temos hoje. O dinheiro em circulação eram moedas, de ouro ou prata, cujos valores eram atribuídos de acordo com o metal e sua pureza e peso. Cada cidade tinha a sua moeda, que era aceita em todos os estabelecimentos daquele condado, mais ou menos como funciona entre países, onde cada um tem sua própria moeda cuja circulação só acontece dentro do mesmo. Sendo assim, Austen, e todas as outras mulheres de sua época, tinham suas carteiras, que nada mais eram do que pequenas bolsinhas onde guardavam suas moedas, cartões de visita, e o que mais quisessem.
       As mulheres eram as grandes responsáveis pelas compras, tanto no que diz respeito à manutenção domiciliar, quanto à roupas e acessórios. Escolher a roupa dos homens da casa era uma parte relativamente fácil. Uma das primeiras lojas no mundo a oferecer roupas prontas foi a nossa super conhecida C&A, que fundou sua primeira loja em 1841. Sendo assim, Jane Austen não comprava roupas prontas. Antes disso as compras eram feitas em lojas têxteis, que vendiam os tecidos, de acordo com o tipo, tamanho, cor e detalhes. A partir de então, os cortes eram levados às costureiras, modistas na época, ou estas eram chamadas em domicílio, tiravam as medidas, mostravam modelos, e eram incumbidas de costurar o vestido. Era um processo demorado, e os pedidos deveriam ser feitos com antecedência, caso o modelo fosse ser usado em ocasiões especiais. Em determinadas épocas do ano, como Natal ou feriados grandes, pedidos feitos "em cima da hora" não ficavam prontos, e isso com certeza dava muita dor de cabeça. E nessas horas, muitas moedas rolavam.

       Quanto a manutenção domiciliar, os utensílios de decoração geralmente eram comprados em grandes cidades, ou por pequenos comerciantes, que traziam dos grandes centros para as cidades pequenas. E as moedas entravam em ação mais uma vez. No entanto, as compras em mercados não eram feitas sempre assim.
       As compras pequenas eram feitas em mercearias. Mas as compras maiores, como grãos ou peças de carne, poderiam ser feitas durante o mês e acumulavam-se numa conta a ser paga mensalmente. O bem conhecido "fiado". Haviam também muitas trocas na época, mercadoria por mercadoria, o que trazia grande economia para pequenas propriedades. E a família Austen vivia nesse ínterim.

       As notas promissórias surgiram em 1694, mas eram usadas apenas pelos ricos que tinham grande quantidade de dinheiro à ponto de "servir" ao rei, em documentos assinados pelo próprio Rei. Isso porque na época o Estado recolheu o ouro disponível no país para financiar a guerra contra a França, e para isso, ressarciu os donos desse ouro com as Notas Promissórias. Em 1797 surgiram as primeiras notas de Libra, todas igualmente assinadas a mão pelo rei. Contudo, por morarem em uma cidade pequena, a família Austen continuou a usar suas boas e velhas moedas para seu livre comércio, ou a conta pendurada na mercearia!

       O Cartão de crédito, no entanto só veio muuuito depois, já no século XX. 
       O Cartão de Crédito, como conhecemos hoje, foi inventado em 1950. Isso devido a um "pequeno engano", onde um grande executivo e seus convidados esqueceram suas carteiras, e para pagar a conta no restaurante, tiveram de assinar um cartão de promessa de pagamento. Esse executivo, Frank MacNamara, teve a brilhante ideia de fazer cartões de compras, em papel, que eram aceitos em alguns restaurantes e hotéis. Surgia então o Diners Club, que passou a ser confeccionado em plástico a partir de 1955.

       Sendo assim, senhoras e senhores, Jane Austen NUNCA teve um cartão recusado na vida! Ela não participou desse mundo tecnológico que é o nosso. E por falar em tecnologia, falemos então do whatsapp da Jane Austen... mas não hoje! Em breve, numa próxima publicação da série Coisas pelas quais Jane Austen não passou!



Beijinhos
Mih *-*


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

[Coisas pelas quais Jane Austen não passou] Aaah... Vai borrar meu Rímel!

Preciso retocar o rímel...

       Aí nós caprichamos na produção: aquela blusa maravilhosa, aquele jeans que levanta o bumbum, cabelo sem um frizz sequer, e a make com aquele olhão marcado. Perfeito! E então o boy escolhe um lindo romance, completamente chorável, bem na estréia. Lá se vai meia hora de preparo no rímel em meio às lagrimas. Quem nunca? 
       Não adianta. Mesmo se não for pelas lágrimas, vai ser o batom que se vai depois da bebida (ou dos beijos?), o delineador naquele dia de calor de 50°C, ou a sombra quando você, acidentalmente, coça o seu olho e esquece que está produzida. Um dos momentos mais comuns na vida de toda mulher, por mais simples que seja a make. Eu por exemplo uso apenas lápis, rímel, blush e batom no dia a dia, e volta e meia estou em apuros. 

       Mas então, será que Jane Austen já passou por isso? Será que ela sentiu a angústia de perceber as lágrimas chegando e ela estar com aquela maquiagem bafônica? A resposta é única: Não! Vamos falar um pouquinho de maquiagem. 

       Mulheres são vaidosas desde que temos registro. É natural querermos nos sentir bonitas, e desde a Bíblia temos exemplos de mulheres que queriam se sentir mais belas do que seu natural. Temos registros da Idade Média retratando cosméticos elaborados, com cores diferentes e fórmulas bastante estranhas. Basta colocar o nome Cleópatra no seu buscador do Google que você vai encontrar uma mulher muito bem maquiada, com o rosto claro - nada comum para uma região como o Egito - e olhos bem marcados.
       No entanto, a maquiagem foi caindo em desuso, e entre a Idade Média e o final do século XIX deixou de ser utilizada. Somente as prostitutas e as mulheres de classe baixa se atreviam a usar cor em suas faces, enquanto que as de classes altas se orgulhavam de sua palidez, a ponto de usarem giz e clara de ovos para dar uma ajudinha. Foi apenas no início do século XX que a maquiagem começou a se tornar comum. No final de 1800 temos a fotografia sendo cada vez mais usada, e o uso da maquiagem se tornou algo habitual para esta época. Os espelhos se tornaram mais acessíveis e cada vez mais pessoas compravam um para suas casas. Enquanto estes dois pontos eram importantes, a chave para o uso habitual da maquiagem foram os filmes, bem mais tarde. Jane Austen veio bem antes disso tudo! 
       Mas o título fala do rímel. O rímel surgiu por volta de 1830, criado por Eugène Rimmel. Nossa diva morreu alguns anos antes, e podemos entender que ela não pôde experimentar esse invento [maravilhoso, por sinal!]. O cosmético "em alta" na época era o pó com base de giz, que deixava as mulheres de classes mais altas ainda mais branquinhas, regra áurea da aristocracia. Elizabeth I usava. 

       Aliás, vamos falar de Elizabeth? 
       Eis aí uma rainha que não poupava para estar bela. A filha bastarda que herdou o trono da Inglaterra queria ser lembrada como algo além de "bastarda", e escolheu para si a característica 'bela' e intocada. Muitos cosméticos foram feitos por farmacêuticos locais, conhecidos como boticários na Inglaterra, e ingredientes comuns incluíam mercúrio, chumbo e ácido nítrico, e há quem diga que sua careca e falta de dentes foi devido ao uso contínuo de tais substâncias - apesar de estudos afirmarem que o real motivo foi a varíola. Devido a isso, os cosméticos começaram a ser vistos como uma ameaça para a saúde na Inglaterra Elizabethana.

       Mas e Jane? 
       Bom, sabemos [ou vamos descobrir agora ;)] que o sr Austen era Pároco, religioso. Não eram uma família rica, e, não sei os outros, mas Jane não era muito dada a vaidades. Não seria de seu feitio ficar horas a frente do espelho se maquiando. Talvez um pouco de pó e algum blush - rouge!, que surgiu no século XVIII por Alexander Bourjois. Ou nem isso. Tapinhas e beliscos nas bochechas funcionavam muito bem a esse propósito, já que era um absurdo uma mulher ficar corada na frente de um homem. Mas Michelle, e se o homem em questão falar algo impróprio ou a elogiar? Ah, querido leitor, falaremos disso em breve, numa próxima publicação da série Coisas pelas quais Jane Austen não passou! 


http://historiadaestetica.com.br/blog/page2/2015/09/16/d9376a88-efe8-45db-9992-23738b77131d.aspx http://www.sobrebeleza.com/sobre-maquiagem/historia-da-maquiagem.html