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quinta-feira, 1 de junho de 2017

[RESENHA] Anne with an E - Especial Netflix



Anne with an 'E' estreou na Netflix no dia 12 de maio, e já arrebatou uma legião de corações. Perfeita para fãs de dramas e comédias leves, possui um contexto histórico consistente, e uma fidelidade literária digna de menção.
Para aqueles que não sabem, Anne with an 'E' é uma adaptação da obra literária de Lucy Maud Montgomery, Anne de Green Gables. Publicado em 2015 pela editora Pedrazul, a obra esgotou nos estoques, motivando a publicação das demais obras da série - composta ao todo por 8 livros. Sendo assim, assistir Anne with an 'E' requer certo recorte histórico... e uma caixinha de lenços.


Composta por 7 episódios, a primeira temporada de Anne foi um sucesso absoluto. Apresentando a protagonista, o primeiro episódio conta com 1h30' de duração, numa espécie de filme com final aberto. A história da pequena Anne é tocante, e infelizmente mais real do que parece, o que a torna ainda mais comovente. Pequena, magra, ruiva numa sociedade que despreza essa característica, pobre e orfã desde os 3 meses de idade, sofreu maus bocados na infância. Adotada e devolvida diversas vezes, trabalhou desde muito cedo para sobreviver, em casas de diversas famílias, como empregada, babá, cortando lenha, presenciando e sofrendo humilhações e agressões - cenas abordadas pela série em formato de flashes de memória.


Mas a série começa com os irmãos Cuthbert. Marilla e Matthew são já senis donos de Green Gables, no condado de Avonlea. Solteiros e sem filhos, o trabalho começa a se tornar pesado demais, e os dois decidem adotar um menino para ajudar nos cuidados com a terra e os animais. Mas um erro de comunicação lhes trás Anne, que muda a vida de Green Gables completamente. 
Com uma mente livre e um talento nato para se meter em confusão, Anne vai aos poucos conquistando seu lugar na família Cuthbert, na sociedade de Avonlea e no mundo.
Acredito que a palavra-chave em questão seria FAMÍLIA.
Uma lebre que foi levantada nos últimos anos, a definição de "família" é com certeza o tema central da série. Quando dois irmãos decidem adotar uma criança, como filha - não como empregado, a sociedade começa a olhar de forma diferente para os Cuthbert, não por serem estranhos, ou estarem errados, mas poque era uma atitude nova. Tanto no livro quanto na série esse tema foi bastante destrinchado, mostrando uma menina que apenas queria ser parte de uma família, e todos os desafios que lhe foram apresentados.
Não vou dar spoilers, mas como leitora da obra original posso garantir a fidelidade da série em relação a obra literária. A escolha dos atores para representar esses personagens tão únicos foi perfeita. Fiquei impressionada positivamente com Geraldine James, atriz que interpreta Marilla, e o faz de maneira verdadeiramente convincente. Mas os aplausos vão para a pequena Amybeth McNulty, atualmente com 15 anos - fato que eu fiquei assustada ao descobrir, porque ela realmente parece uma criança - que dá vida e voz à pequena Anne, é esperta o suficiente para entender a personalidade e vivê-la com veracidade.


Preciso ressaltar a fotografia e ambientação da série com uma palavra que Anne gosta bastante: Deslumbrante! A fazenda é exatamente como imaginamos ao ler as palavras de Montgomery, e a fotografia nos transporta para 1878, época em que se passa a história.
A série apostou em focar não apenas em Anne, mas em assuntos delicados que são abordados no livro, alguns de forma profunda, outros de forma superficial. Bullying, violência e trabalho infantil, relação homo afetiva entre mulheres, igualdade de gênero, são grandes temas que compõem o drama de Montgomery, que possui um tom mais cômico do que a série apresenta.
Mas a aposta da Netflix cumpriu sua proposta, trazendo as fantasias infantis da pequena órfã, e as relações entre as pessoas, sempre pautadas em amor e aceitação. A série também traz alguma contemporaneidade, modernizando um pouco o linguajar vitoriano original, o que é ousado - como todo jogo em que envolve riscos, não acerta sempre, mas também não se afasta de todo da comédia dramática de Montgomery.

Por fim, só podemos aguardar a atualização da série na plataforma, e a publicação das continuações pela Pedrazul, que já anunciou a pré-venda de Anne de Avonlea no site oficial (clique aqui e saiba mais). Eu já garanti o meu. Corra e garanta o seu também com preço promocional de pré-venda! 

sábado, 12 de março de 2016

"Porque, se é pra imaginar, que seja algo que vale a pena."

Sinopse: Tudo parecia confortável demais na vida dos irmãos Matthew e Marilla Cuthbert, mas o coração de Matthew começou a dar sinais de que a idade lhe havia chegado. Decidiram, não antes sem muita ponderação, adotar um menino, de uns onze anos, para que pudesse receber educação apropriada e ser o ajudante de Matthew. Mas, a mão da Providência já havia agido na vida deles, e através de um erro de comunicação, uma menina ruiva, tagarela e sardenta ocupou o lugar do menino. Anne, assim que chegou a Green Gables, fica sabendo do engano, mas com sua imaginação fértil e conversa afiada, já havia conquistado o coração de Matthew. E assim começa a história de suas aventuras fascinantes, com sua “amiga do peito” Diana, e sua competição com o inteligente e perspicaz Gilbert Blyhte. À medida que Anne foi aceita em Green Gables, ela conquista também a admiração de toda a cidade de Avonlea e o encanto do seu mundo de sonho e imaginação se espalha e vai contagiar você também.

Me encantei logo de cara com a pequena Anne. Ruiva, sardenta, magrinha, aos 11 anos sempre com algo a dizer com seu vocabulário, no mínimo, difícil demais para sua idade. Possui imaginação fértil e da voz a tal imaginação; Se apaixona fácil por tudo o que vê, o que a torna uma criança fácil de lidar, e também apaixonante. Seu desejo por ser amada torna impossível não gostar dela. Me deixou a sensação de que mesmo com todas as desventuras vividas, ainda tinha uma paixão pela própria vida que a fazia ser feliz. Era consciente da própria situação, mas revertia sua tristeza em aventuras criadas na própria cabeça. Mas o que mais me encanta em Anne é sua pureza e sua inocência. A pequena não possuía nenhum tipo de mesquinhez, nem sequer poderia reconhecer a hipocrisia. As confusões em que se mete conservando em si a inocência infantil é de tirar lágrimas.

Amor, carinho, lar e família. Todos os seus sonhos podem ser resumidos nessas quatro palavras. Todas as suas ações são em busca desses quatro tópicos, e isso torna a convivência de Anne com as pessoas ao seu redor muito prazerosa. Todos se encantam por Anne. Não tem para onde fugir. Inicialmente eu achei que ela falava demais, sempre com algo a dizer, e com longas falas. Mas o tempo vai passando, e o mesmo tempo a vai moldando, mostrando-lhe onde mudar, onde conservar-se.
"Eu não mudei nem um pouco, não de verdade. Eu só estou podada e ramificada. A verdadeira EU, aqui dentro, continua a mesma de sempre . Não vai fazer a menor diferença para onde eu vou ou o quanto eu mude por fora. No fundo do meu coração, sempre serei sua pequena Anne, que amará você e Matthew, e minha querida Green Gables, mais e melhor durante todos os dias da minha vida .”
Por fim, esse clássico da literatura canadense, escrito em 1908, conquistou gerações. Infelizmente não vejo muitas pessoas falando do livro, e ele não tem tanta fama quanto alguns outros da mesma época. Não entendo o porquê, visto que esse livro é um clássico maravilhoso, com pontos tocantes, temáticas emocionantes, escrita excepcional, e uma sensibilidade indescritível. Recomendo para todo fã de clássicos. Não podemos passar sem ter Anne na prateleira e no coração.

Título Original: Anne of Green Gables
Título no Brasil: Anne de Green Gables
Autora: Lucy M. Montgomery
Editora: Pedrazul
Tradução: Tully Ehlers
Páginas: 228