quarta-feira, 6 de maio de 2015

As Mães de Jane Austen - Parte I

A série de posts para mulheres especiais...



Sra Dashwood


Não se sabe ao certo se o sr e a sra Dashwood foram casados por amor, mas podemos perceber que havia, no mínimo, algum carinho, tanto no cuidado do marido com sua esposa e filhas após sua morte, quanto às boas lembranças que a viúva guardou, tanto de seu falecido marido quanto da vizinhança. Contudo, a sra Dashwood era uma mãe sensível e romântica, e dois fatos são destacáveis para comprovar. 1. "A sra Dashwood não era influenciada por nenhuma dessas considerações. Para ela bastava que ele parecesse amável, que amasse a filha, e que Elinor lhe correspondesse o afeto. Era contra todas as suas ideias que a diferença de riqueza devesse separar todos os casais que fossem atraídos pela semelhança de temperamento; e que o mérito de Elinor não fosse reconhecido por todos que a conhecessem era para ela algo impossível." Essa quote mostra o respeito que como mãe, tinha pelas escolhas das filhas, e seu orgulho pelo caráter de sua primogênita. Mostra também seu romantismo e crédito ao amor, que também é visto quando 2. sonhava com o amor e um casamento romântico com sua segunda filha, Marianne. Suas maneiras eram afetuosas, e isso se dava com a família, os amigos ou conhecidos. Para com suas filhas, podemos lembrar o fato de ter suportado sua insuportável nora, Fanny, apenas para que Elinor pudesse conviver por mais tempo com Edward, por quem era apaixonada. Um gesto bastante altruísta, de mãe para filha.

REFERÊNCIA: AUSTEN, Jane. Razão e Sensibilidade. São Paulo: Martin Claret, 2012.

Jane Austen e Harry Potter - Parte 1

Vocês devem estar pensando? 

O que os dois tem em comum?

Primeiro: Jane Austen e J. K. Rowling são as mais famosas autoras em língua inglesa

Segundo: tanto a obra da Jane Austen quanto o universo criado pela J. K. deixaram para nós um grande legado, que atravessa gerações e possuem um papel importante na formação do hábito de leitura.

Terceiro (e o assunto desse post): são muitos os atores britânicos que trabalharam em adaptações dessas obras.

Nesse post, falarei daqueles que, além de atuarem nos filmes da Saga Harry Potter, atuam nas duas adaptações mais recentes de Sense & Sensibility, primeiro livro publicado por Jane Austen.

Da adaptação de 1995 temos:


Emma Thompson, que em Sense & Sensibility interpreta a reservada protagonista Elinor Dashwood, em Harry Potter interpreta a estranha professora de Advinhação Sybil Trelawney. Observação: Emma também é a roteirista desse filme (que ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 1996 e de Orgulho & Preconceito (2005).


Já a mãe de Elinor, Mrs. Dashwood, interpretada por Gemma Jones, em Harry Potter é a competente Madam Pomfrey, curandeira-chefe da Ala Hospitalar de Hogwarts.


A já falecida atriz Elizabeth Spriggs interpreta a divertida viúva Mrs. Jennings em S&S e guardiã da torre da Grifinória Fat Lady no primeiro filme da saga, Harry Potter e a Pedra Filosofal.


O genro da Mrs. Jennings o também divertido Sir John Middleton, é interptretado por Robert Hardy, que na saga Harry Potter interpreta Cornelius Fudge, Ministro da Magia até o quinto filme.


O bondoso Colonel Brandon, um dos protagonistas de S&S, é interpretado por Alan Rickman, que em Harry Potter dá a vida ao controverso professor de Poções Severus Snape.



Imelda Staunton interpreta em S&S a tola Charlotte Palmer, filha mais nova de Mrs. Jennings. Já em Harry Potter, ela faz umas das personagens mais odiadas da saga, Dolores Umbridge.

Já na minissérie de 2008:



Se em 1995, Robert Hardy interpretou Sir John Middleton, em 2008, que dá a vida a esse personagem é Mark Williams, que em Harry Potter faz Arthur Weasley, chefe do clã dos ruivos, e fascinado pelos artefatos trouxas.


Daisy Haggard interpreta Miss Steele, a tola irmã mais velha de Lucy. Em Harry Potter desempenha um papel curioso, é a voz por trás do Elevador do Ministério da Magia.

Gostaram das coincidências? Nos próximos meses falarei sobre os atores da saga Harry Potter que trabalharam nas adaptações dos outras obras da Jane Austen. Informação útil para qualquer Janeite. E Potterhead.

Até a próxima!!!


sábado, 2 de maio de 2015

Ponciá Vicêncio, Conceição Evaristo

(por Raquel Sacramento)




  • Título Original: Ponciá Vivêncio


  • Autora: Conceição Evaristo
  • Editora Mazza Edições
  • Número de págs: 128


  •             As garotas de Pemberley amam a literatura inglesa clássica, mas isso não quer dizer que desprezamos a rica produção literária brasileira contemporânea. Por isso, a resenha de hoje será do livro “Ponciá Vicêncio” da escritora mineira Conceição Evaristo, o qual foi publicado pela Mazza Edições, em 2003.
                A obra nos relata a vida de Ponciá - mulher, negra e pobre - contando suas perdas desde sua infância até a vida adulta, dando ênfase à construção de sua identidade, com base nos relacionamentos familiares e herança cultural. Para tentar uma vida diferente daquela do interior, a personagem vai para a cidade grande, mas acaba presa a um relacionamento abusivo e morando em uma região de extrema pobreza. São destacadas, ainda, as vidas da mãe e do irmão de Ponciá, mostrando seus vazios e buscas. Os dois também decidem deixar para trás a terra que tanto conheciam e que lhes concedia o pouco sustento que tinham e trilham uma jornada recheada de momentos que nos fazem pensar em nossa própria vida.
                O livro é construído com capítulos bem pequenos e com uma linguagem bastante simples e poética, apesar de se tratar de uma prosa. Os temas abordados são muito profundos e interessantes, sendo a solidão dos indivíduos um dos assuntos mais recorrentes na obra, como ocorre, por exemplo, em “Foi tanto pavor, tanto sofrimento, tanta dor que ele leu nos olhos dela, enquanto lhe limpava o sangue, que descobriu não só o desamparo dela, mas também o dele. Descobriu que eram sós.” (referindo-se ao marido de Ponciá).
                Ponciá Vicêncio é um “soco no estômago” para quem acha que a abolição da escravatura resolveu as questões raciais no Brasil, vemos, na obra, o quanto seu reflexo está presente na sociedade atual.   Apesar de relatar tristeza e sofrimento, a solidariedade, os laços do amor e a força do povo gritam através das palavras e frases maravilhosamente estruturadas por Conceição Evaristo. 

    Referência:
    EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2003.