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quarta-feira, 18 de maio de 2016

Dicas da Mih - Históricos ou De Época? (Indicações #2)

Hoje minha abordagem vai ser um pouquinho diferente!
Estamos à todo vapor com nosso Top Comentarista, que desde Fevereiro tem movimentado nosso blog. Tudo, é claro, graças à vocês, que lêem, gostam, aprovam [ou não], e comentam. Adoramos esse retorno. Mas a questão não é essa. A questão é: tenho notado uma certa confusão quanto a dois gêneros literários muito amados por todos nós, então resolvi dar uma pesquisada, estudar um pouquinho, pra trazer uma informação mais precisa sobre a diferença entre Romances Históricos e Romances de Época, e aproveitar a deixa pra deixar minhas indicações aqui, que se resume a todos os livros citados! ;-)
***Apenas uma observação: A distinção entre Romance de Época e Romance Histórico existe apenas na nossa cultura. Lá fora - no exterior - todos são Romances Históricos. E outra coisa: existem pontos controversos, e diversas opiniões diferentes a respeito do assunto, visto que o termo Romance de Época é um termo contemporâneo. Então não briguem comigo, pois existem pessoas que analisam a questão de maneira diferente. Eu trouxe apenas os pontos em que há mais concordância, ok?!***

Temos as resenhas aqui no Blog! [Fica a dica!]
“O Romance de Época, além de não se importar com datas e nem fazer referências a fatos históricos importantes, se preocupa em mostrar como vivia e se comportava um povo em um determinado tempo. A maioria deles destaca a vida da sociedade londrina no período vitoriano, valorizando costumes como: moda, etiqueta social, passeios de charretes ou no campo, jantares, festas, teatros. A fragilidade da mulher, o casamento por conveniência, as amantes, a diferença entre as classes sociais, o valor de um título nobre, as intimidades sexuais entre os protagonistas são fatores importantes e estão sempre presentes nesses romances.”
Identificou? Aquele livro que a gente lê e logo fica claro o casal protagonista, e tudo gira em torno deles, trazendo uma problemática para a trama, mostrando seu cotidiano, e fechando com um belo final feliz, é um Romance de Época. Muitas vezes ainda ficamos indagando certas coisas, como por exemplo, um livro que se passa no século XVIII e não tem escravidão, ou a classe mais baixa nem sente os reflexos ou as consequências de uma guerra. Não é um erro. Esses fatos podem apenas não ser importantes para a trama central, pois trata-se de um Romance de Época.

Os Romances Históricos têm um compromisso maior com a realidade. Não deixando de ser um romance, esse gênero mistura história local com ficção, unindo o real ao imaginário. Por exemplo, um acontecimento histórico, ou um personagem real, em meio a uma história fictícia que esteja de acordo com dados históricos.
O gênero surgiu no início do século XIX, no período denominado Romantismo, e possui grandes nomes, como Alexandre Dumas e seu clássico Os Três Mosqueteiros, e Leon Tolstói com o conhecido Guerra e Paz. Suas principais características são:
  • O fato histórico deve ser o ponto de partida para a construção da ficção, ambos - história e ficção - interagindo;
  • Uso de temas heroicos e personagens representando valores éticos e morais;
  • A narrativa é construída no tempo passado, em detrimento ao tempo em que escreve o autor;
  • Busca de legitimação dos fatos históricos através de documentos e referências históricas;
  • Tentativa de recuperar estruturas sociais, culturais, políticas e estilos do passado;
“(...) um romance histórico é um romance que é definido antes da guerra do Vietnã (ou a Segunda Guerra Mundial, dependendo da editora). Lembre-se, a definição de um romance é que o enredo se concentra no desenvolvimento da relação entre o herói e a heroína – se o romance é retirado, não há mais história. Enquanto os livros de ficção histórica acontecem em um cenário histórico que foca sobre o efeito desse ajuste sobre os personagens – seja uma guerra, uma fronteira, ou a Revolução Protestante. Pode haver um romance na história, mas é uma subtrama”.
Com base nessa análise, podemos dividir esse gênero em:
  • Ficção Histórica: obras que focam em determinados períodos e fatos históricos (e que podem ter romance desde que ele seja uma subtrama);
  • Romances Históricos: obras ambientadas em um período anterior a 1950 e que usam um determinado pano de fundo para descrever um romance.
Podemos dizer então que, em geral, todos os livros narrados num período anterior a 1950 são considerados históricos, pois uma das grandes características desse gênero é reviver comportamentos e fatos do passado da sociedade. No entanto, deve ficar claro que nos Romances de Época esse compromisso com a história, com o real, não é pré-requisito, o que significa que não precisamos crucificar os autores por terem derrapado neste ou naquele fato histórico, ok?!

Sendo assim:
  • Romances históricos têm o foco nos fatos históricos, sem deixar, é claro, de ter romance. Nesse gênero, mesmo tendo romance, com várias tramas em plano de fundo, o cenário é embasado em situações reais que são o ponto de partida da história.
  • Romances de época são obras que usam um determinado período histórico como pano de fundo mas focam no desenrolar do romance central. Nesse caco, o foco está nos costumes da época e em como isso vai montando o romance.
Entendi, então, que TODO ROMANCE DE ÉPOCA É UM ROMANCE HISTÓRICO, MAS NEM TODO ROMANCE HISTÓRICO É UM ROMANCE DE ÉPOCA. No entanto, o mais importante é viajar nessas leituras e se encantar pelos costumes, linguagens, culturas e características dos séculos passados – seja através de um romance embasado em fatos históricos reais (romance histórico) ou seja por meio de um romance narrado em uma época remota (romance de época).

Espero ter conseguido explicar, e não deixar vocês ainda mais confusos [peço que me perdoem caso tenha sido esse o ocorrido]! E para maiores esclarecimentos, as fontes das minhas pesquisas estão no final do post!

Indicações:


Até a próxima *-*
Bjs da Mih




FONTE:

http://www.todamateria.com.br/romance-historico/
https://kayedacus.com/2008/05/13/writing-the-romance-novel-historical-romance-vs-historical-fiction/
https://www.rwa.org/p/cm/ld/fid=579
http://www.livrosefuxicos.com/2016/05/romance-historico-ou-romance-de-epoca.html#.Vzx025ErLDc

quarta-feira, 9 de março de 2016

Evelina - ou A História da entrada de uma senhora para o mundo



Título Original: Evelina
Título no Brasil: Evelina
Autor(a): Frances Burney
Editora: Pedrazul Editora
Tradução: Gabriela Alcoforado
Nº de páginas: 388




       Este livro foi publicado pela primeira vez em português pela Pedrazul Editora, em 2014 (capa e ilustrações lindas *-*). É um romance epistolar sobre a entrada de uma jovem dama, com seus 17 anos, aos círculos da sociedade londrina do séc. XVIII. Escrito por Frances Burney, grande nome da literatura inglesa e uma das inspirações de Jane Austen.



       Evelina é a história de uma menina criada sem pais. A mãe morreu e o pai desconhecido por ela abandonou sua mãe logo depois de terem se casado as escuras deixando assim a garota em posição social duvidosa. Ela desde sempre tem sido criada e educada em Berry Hill, no interior, pelo Rev. Mr. Villars, a quem ela tem uma completa devoção.

       A influente família Mirvan, conhecidos de Mr. Villars, solicitam a presença de Evelina como companhia para sua única filha e para isso eles pedem permissão para que Evelina passe algum tempo com eles na cidade para que ela respire outros ares e se familiarize com os costumes em sociedade, o que deixa a garota muito animada. Com o consentimento de Mr. Villars, Evelina viaja. Eventualmente se faz necessário que a família Mirvan viaje à Londres, portanto, Evelina, que está sub seus cuidados, vai com eles e começa a frequentar teatros, operas, bailes e outros ambientes sociais. Em meio à comitiva de Mrs. Mirvan, Evelina conhece Mr. Lovel, Sir Clement Willoughby, Lord Orville, entre outros da alta sociedade. Lord Orville, por seus excelentes modos, ganha a confiança e admiração de Evelina, que prefere omitir todos os fatos desagradáveis sobre seu nascimento.
       A mãe de Caroline e portanto avó de Evelina, Madame Duval [ri muito dessa velhota senhora], uma senhora vulgar, prepotente e rude que só faz o que bem entende, veio após tantos anos de negligência solicitar sua guarda temporariamente, o que acaba sendo aceito. A pobre Evelina então se vê membro da comitiva dos Branghton, a interesseira família de Madame Duval – e consequentemente sua também – e sem escolha, passa a frequentar com eles ambientes menos adequados a uma respeitável dama.
       Em seu tempo longe de Berry Hill e da proteção do Rev. Mr. Villars, e entre as muitas aventuras, galanteios e equívocos que Evelina passa, está a oportunidade de reivindicar seu sobrenome e direitos, assim como limpar a honra de sua falecida mãe. Porém há tantos mal entendidos e tantos obstáculos que uma pobre jovem dama mal consegue dar um passo por si só sem ser vigiada, conduzida e submetida ao poder e a própria vontade de algum tutor qualquer. Evelina terá de ser forte o suficiente para controlar sua própria mente e vontades para não se deixar levar por caminhos que não deseja.
       A protagonista deste romance é ainda inocente e pura, pelo que se pode supor de seu comportamento, ainda inexperiente e ignorante da vida na alta sociedade [me lembrou muito a Catherine Morland de Jane Austen]. Sim, eu queria sacudir e dar uns tapas em Evelina, de vez em quando, para ela abrir os olhos e não ser tão ingênua. Levou 100 páginas para eu desfrutar da narrativa, porque não tenho o costume de ler em forma epistolar. Mas quando peguei o ritmo da cativante escrita de Burney não conseguia parar de ler. E, sim, eu adorei o Senhor Orville. *-*
       Desde que li A Abadia de Northanger fiquei curiosa sobre essa autora e foi uma alegria começar a minha jornada para a ficção que inspirou Jane Austen com Evelina, e eu mal posso esperar para ler mais livros dela.