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sexta-feira, 31 de março de 2017

[Resenha] O Navio das Noivas

Olá, galerinha de Pemberley! A resenha de hoje é sobre o livro Navio das Noivas, escrito pela maravilhosíssima Jojo Moyes. A Hanna me deu ele de presente começo do ano e estou há meses pra trazer a resenha pra vocês. Confesso que apesar de ter pedido no nosso amigo secreto das GDP um livro da Jojo , por eu amar a autora, não tinha a menor noção da sinopse dessa obra e não botava muita fé. Até que eu abri a embalagem do correio comecei a ler. 

Sinopse: Austrália, 1946. É terminada a Segunda Guerra Mundial, chega o momento de retomar a vida e apostar novamente no amor. Mais de seiscentas mulheres embarcam em um navio com destino a Inglaterra para encontrar os soldados ingleses com quem se casaram durante o conflito. Em Sydney, Austrália, quatro mulheres com personalidades fortes embarcam em uma extraordinária viagem a bordo do HMS Victoria, um porta-aviões que as levará, junto de outras noivas, armas, aeronaves e mil oficiais da Marinha, até a distante Inglaterra. As regras no navio são rígidas, mas o destino que reuniu todos ali, homens e mulheres atravessando mares, será implacável ao entrelaçar e modificar para sempre suas vidas. Com personagens únicas e uma narrativa tocante, Jojo Moyes conta uma história inesquecível que captura perfeitamente o espírito romântico e de aventura desse período da História, destacando a bravura de inúmeras mulheres que arriscaram tudo em busca de um sonho. 

A autora nos apresenta quatro jovens australianas que estão indo rumo a Inglaterra para encontrar com os soldados ingleses que se tornaram seus maridos durante a guerra, bem como a família deles. As quatro acabam ficando na mesma cabine e criam laços. Temos a doce, caipira e super grávida Maggie, a fútil Avice, a jovem demais para estar casada e sem um pingo de juízo Jean e a reclusa enfermeira de guerra Frances. 

Durante o mês e duas semanas que passam em alto mar elas se metem em várias confusões (não leia com voz do locutor da Sessão da Tarde, se leu, desleia!) especialmente por desrespeitarem uma das principais regras do navio, que é não falar com os homens da tripulação. Com o tempo vamos conhecendo a história de cada uma e como aconteceu cada casamento, bem como o medo que elas passam a sentir quando telegramas começam a chegar pedindo para algumas noivas desistirem da viagem, já que seus maridos não as querem mais. 

Jojo Moyes se inspirou na história de sua avó para escrever o livro. Para a avó de Moyes houve um final feliz, mas nem todas podem dizer o mesmo. Durante a viagem existe vários problemas que vão desde um médico alcoólatra e negligente até racionamento de água e violência. Como sempre, a autora sabe dosar o romance com o realismo. 

O Navio das Noivas já foi para minha lista de preferido, impossível não se emocionar e empolgar com as quatro recém casadas que se aventuraram atravessando o mundo apenas com a promessa de uma nova vida.

Título: O Navio das Noivas
Título Original: The Ship of The Brides
Páginas:384
Editora: Intrínseca

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Dicas da Mih - Históricos ou De Época? (Indicações #2)

Hoje minha abordagem vai ser um pouquinho diferente!
Estamos à todo vapor com nosso Top Comentarista, que desde Fevereiro tem movimentado nosso blog. Tudo, é claro, graças à vocês, que lêem, gostam, aprovam [ou não], e comentam. Adoramos esse retorno. Mas a questão não é essa. A questão é: tenho notado uma certa confusão quanto a dois gêneros literários muito amados por todos nós, então resolvi dar uma pesquisada, estudar um pouquinho, pra trazer uma informação mais precisa sobre a diferença entre Romances Históricos e Romances de Época, e aproveitar a deixa pra deixar minhas indicações aqui, que se resume a todos os livros citados! ;-)
***Apenas uma observação: A distinção entre Romance de Época e Romance Histórico existe apenas na nossa cultura. Lá fora - no exterior - todos são Romances Históricos. E outra coisa: existem pontos controversos, e diversas opiniões diferentes a respeito do assunto, visto que o termo Romance de Época é um termo contemporâneo. Então não briguem comigo, pois existem pessoas que analisam a questão de maneira diferente. Eu trouxe apenas os pontos em que há mais concordância, ok?!***

Temos as resenhas aqui no Blog! [Fica a dica!]
“O Romance de Época, além de não se importar com datas e nem fazer referências a fatos históricos importantes, se preocupa em mostrar como vivia e se comportava um povo em um determinado tempo. A maioria deles destaca a vida da sociedade londrina no período vitoriano, valorizando costumes como: moda, etiqueta social, passeios de charretes ou no campo, jantares, festas, teatros. A fragilidade da mulher, o casamento por conveniência, as amantes, a diferença entre as classes sociais, o valor de um título nobre, as intimidades sexuais entre os protagonistas são fatores importantes e estão sempre presentes nesses romances.”
Identificou? Aquele livro que a gente lê e logo fica claro o casal protagonista, e tudo gira em torno deles, trazendo uma problemática para a trama, mostrando seu cotidiano, e fechando com um belo final feliz, é um Romance de Época. Muitas vezes ainda ficamos indagando certas coisas, como por exemplo, um livro que se passa no século XVIII e não tem escravidão, ou a classe mais baixa nem sente os reflexos ou as consequências de uma guerra. Não é um erro. Esses fatos podem apenas não ser importantes para a trama central, pois trata-se de um Romance de Época.

Os Romances Históricos têm um compromisso maior com a realidade. Não deixando de ser um romance, esse gênero mistura história local com ficção, unindo o real ao imaginário. Por exemplo, um acontecimento histórico, ou um personagem real, em meio a uma história fictícia que esteja de acordo com dados históricos.
O gênero surgiu no início do século XIX, no período denominado Romantismo, e possui grandes nomes, como Alexandre Dumas e seu clássico Os Três Mosqueteiros, e Leon Tolstói com o conhecido Guerra e Paz. Suas principais características são:
  • O fato histórico deve ser o ponto de partida para a construção da ficção, ambos - história e ficção - interagindo;
  • Uso de temas heroicos e personagens representando valores éticos e morais;
  • A narrativa é construída no tempo passado, em detrimento ao tempo em que escreve o autor;
  • Busca de legitimação dos fatos históricos através de documentos e referências históricas;
  • Tentativa de recuperar estruturas sociais, culturais, políticas e estilos do passado;
“(...) um romance histórico é um romance que é definido antes da guerra do Vietnã (ou a Segunda Guerra Mundial, dependendo da editora). Lembre-se, a definição de um romance é que o enredo se concentra no desenvolvimento da relação entre o herói e a heroína – se o romance é retirado, não há mais história. Enquanto os livros de ficção histórica acontecem em um cenário histórico que foca sobre o efeito desse ajuste sobre os personagens – seja uma guerra, uma fronteira, ou a Revolução Protestante. Pode haver um romance na história, mas é uma subtrama”.
Com base nessa análise, podemos dividir esse gênero em:
  • Ficção Histórica: obras que focam em determinados períodos e fatos históricos (e que podem ter romance desde que ele seja uma subtrama);
  • Romances Históricos: obras ambientadas em um período anterior a 1950 e que usam um determinado pano de fundo para descrever um romance.
Podemos dizer então que, em geral, todos os livros narrados num período anterior a 1950 são considerados históricos, pois uma das grandes características desse gênero é reviver comportamentos e fatos do passado da sociedade. No entanto, deve ficar claro que nos Romances de Época esse compromisso com a história, com o real, não é pré-requisito, o que significa que não precisamos crucificar os autores por terem derrapado neste ou naquele fato histórico, ok?!

Sendo assim:
  • Romances históricos têm o foco nos fatos históricos, sem deixar, é claro, de ter romance. Nesse gênero, mesmo tendo romance, com várias tramas em plano de fundo, o cenário é embasado em situações reais que são o ponto de partida da história.
  • Romances de época são obras que usam um determinado período histórico como pano de fundo mas focam no desenrolar do romance central. Nesse caco, o foco está nos costumes da época e em como isso vai montando o romance.
Entendi, então, que TODO ROMANCE DE ÉPOCA É UM ROMANCE HISTÓRICO, MAS NEM TODO ROMANCE HISTÓRICO É UM ROMANCE DE ÉPOCA. No entanto, o mais importante é viajar nessas leituras e se encantar pelos costumes, linguagens, culturas e características dos séculos passados – seja através de um romance embasado em fatos históricos reais (romance histórico) ou seja por meio de um romance narrado em uma época remota (romance de época).

Espero ter conseguido explicar, e não deixar vocês ainda mais confusos [peço que me perdoem caso tenha sido esse o ocorrido]! E para maiores esclarecimentos, as fontes das minhas pesquisas estão no final do post!

Indicações:


Até a próxima *-*
Bjs da Mih




FONTE:

http://www.todamateria.com.br/romance-historico/
https://kayedacus.com/2008/05/13/writing-the-romance-novel-historical-romance-vs-historical-fiction/
https://www.rwa.org/p/cm/ld/fid=579
http://www.livrosefuxicos.com/2016/05/romance-historico-ou-romance-de-epoca.html#.Vzx025ErLDc

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Um romance histórico dourado

Título: O Amor nos Tempos do Ouro
Autora: Marina Carvalho
Editora: Globo Alt
Páginas: 328


Sinopse: Cécile Lavigne é uma jovem que nasceu em uma família de nobres, filha de uma portuguesa de Coimbra, pertencente à Casa de Bragança, e de Antoine Lavigne, aristocrata francês de mente liberal e dono de uma riqueza imensurável. Após um acidente, a garota perde os pais e os dois irmãos e, antes de completar 20 anos, é enviada ao Brasil pelo único parente que lhe restou, o ambicioso tio Euzébio, para casar-se com um latifundiário de Minas Gerais.
Depois de desembarcar no Rio de Janeiro, Cécile sente-se angustiada pela falta da família e teme o futuro que terá ao lado de um homem que tem idade para ser seu pai e é conhecido por suas crueldades com seus escravos. Porém, o trajeto entre o Rio e Minas promete mudar o destino da garota: o explorador Fernão, contratado pelo seu futuro marido para acompanhá-la na viagem, despertará nela sentimentos de aversão e de desejo. Enquanto aguarda o temido casamento arranjado, Cécile vai descobrir os encantos e perigos que existem na nova terra e os sentimentos mais nobres que vivem dentro de si.


Eu acho que vocês já conhecem meu xodó por romances históricos ou de época. Quando a Marina Carvalho anunciou que seu novo livro seria um romance histórico ambientado nas Minas Gerais, no auge do “ciclo do ouro”, na primeira metade do século XVIII, fiquei muito contente. E ter tido a oportunidade de participar um pouquinho desse projeto como leitora beta foi a realização de sonho. Há duas semanas, a Marina concedeu uma entrevista ao nosso blog, onde conversamos sobre sua carreira literária e sobre o livro lançado esse mês. E hoje vou falar um pouco sobre esse livro maravilhoso, que alia entretenimento e informação.


À primeira vista, nos chama atenção o cuidado que a autora teve ao escrever o livro. A obra, narrada em terceira pessoa, faz diversas referências ao português falado no nosso país nos tempos de colônia, conhecido como língua-geral, uma mistura de português com dialetos indígenas e expressões africanas. Porém a narração se atém a norma culta vigente nos dias atuais, tornando a linguagem acessível a todos, respeitando as características de cada personagem. Esse cuidado também pode ser observado na contextualização histórica, trazendo à tona fatos desse período tão rico, que não costumam sem abordados na educação básica. Isso é feito ao longo do livro, costurada à trama ficcional, sem didatismos, enriquecendo ainda mais a obra.


O livro também apresenta personagens muito bem construídos. Como o livro é narrado em terceira pessoa, utilizando um narrador onisciente, confere uma visão mais global do enredo. A personalidade dos protagonistas, Cécile e Fernão, é apresentada aos poucos, e à medida que eles se envolvem, nós, leitores, também somos envolvidos. A trajetória deles é distinta, uma vez que a aristocrata Cécile vai revelando sua força, enquanto Fernão, o explorador, mostra sua sensibilidade. Juntos, formam um casal de herois. Além disso, Cécile carrega a marca de uma mocinha da Marina Carvalho, principalmente nos momentos em que se refere com tanto carinho à família. Entre os coadjuvantes, destacam-se o trio vindo da África: Malikah, Hasan e Akin, que possuem seus arcos desenvolvidos paralelamente a trama principal. Assim, nossa trajetória como povo brasileiro encontra-se representada, desde as riquezas naturais e culturais, como fauna e flora, culinária, hábitos e crenças,  até as dinâmicas sociais, sendo que certas caraterísticas dessas, infelizmente, ainda perduram na nossa sociedade.


A capa do livro é muito linda, e combina perfeitamente com a história. Um destaque para a lombada e o detalhe do camafeu. Outro destaque são os trechos de poemas, a maioria de escritores de língua portuguesa, de diferentes escolas literárias, que introduzem cada capítulo. Enfim, O Amor nos Tempos do Ouro é um romance histórico ideal para quem quer suspirar por um romance bem desenvolvido, aprender um pouco mais sobre a nossa história, e refletir sobre questões que são atemporais.