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domingo, 30 de agosto de 2015

Entrevista Dona Moça - Parte 2

Na sexta - feira, apresentamos a primeira parte da entrevista com as criadoras da web série Dona Moça, inspirada na obra Senhora, de José de Alencar. Esse é um projeto Adorbs Produções e a primeira temporada contou com 10 episódios. Nesse momento a campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) para produzir a segunda temporada está na última semana. Um dos aspectos mais importantes do financiamento coletivo é a concessão de recompensas para os financiadores, de acordo com o valor doado. No caso de Dona Moça, as recompensas variam desde postais e marcadores da série até a possibilidade de visitar os estúdios, ou atuar como produtor executivo da web série.


7. Como foi o processo de seleção dos atores?

Maria Raquel: Longo e demorado [risos]. Nós postamos a chamada no Facebook e em alguns sites e tivemos muitas respostas. A partir daí fomos selecionando os atores que tinham mais perfil para o que procurávamos. Então pedimos para os atores enviarem um vídeo fazendo o personagem. Poucos nos responderam nessa segunda fase, mas os que fizeram tinham o perfil perfeito que procurávamos. Em seguida fizemos os testes de química ao vivo e depois disso já tínhamos quem ia ser cada personagem.

Jacqueline: Foi uma novela à parte, não? Muita gente boa mandou currículo e a gente precisou ter muito critério para selecionar aqueles que realmente se encaixavam no perfil dos personagens. E muitos atores bons desistiram no meio do processo. Posso dizer que tivemos muita sorte em ter um elenco tão bom com atores tão comprometidos e bem entrosados. Todo mundo é amigo de todo mundo!

Os testes das atrizes Flávia Dessoldi (Mari Seixas), Sílvia Bitente (Fifi Mascarenhas) e do ator Daniel Cabral (Fernando Seixas) foram divulgados no YouTube da Adorbs. Confiram!!!

8. Como foram as gravações?

Jacqueline: As gravações foram um processo bem corrido. Todos os episódios foram gravados em dois domingos seguidos. Das sete da manhã até as seis da tarde. Foram dois dias extremamente cansativos, com metade do elenco e equipe doentes, mas extremamente divertidos e ver o resultado disso tudo pronto e editado é bem gratificante.



Veja outras fotos do Set "Dona Moça".

9. Com tem sido a interação com os espectadores?

Jacqueline: A interação tem sido muito boa e até mesmo surpreendente. Quando criamos a série, imaginamos que nossa audiência seria basicamente a do pessoal que já está acostumado a acompanhar web séries americanas e com quem temos certo contato, mas quando o primeiro episódio passou de mil visualizações em 24 horas percebemos que a coisa era bem maior do que pensávamos. A galera realmente se interessa pelos personagens, conversa com eles no Twitter, envia vídeos para gente, comenta os episódios no Tumblr, faz gifs...está sendo uma delícia acompanhar tudo isso.


10. A primeira temporada acabou e o crowdfunding para uma nova temporada está em andamento. Como vai funcionar o financiamento coletivo e qual será a destinação dos recursos?

Jacqueline: Os primeiros dez episódios foram produzidos com recursos escassos e cerca de 500 reais de orçamento, mas infelizmente não temos dinheiro para investir mais que isso. Por isso iniciamos a campanha de financiamento coletivo. A maior parte do dinheiro arrecadado será gasto em infraestrutura, como alimentação, transporte e manutenção do set no dia de filmagem e na compra e aluguel de equipamentos e ferramentas que possam melhorar a qualidade estética da série, como câmeras mais potentes, cenário e figurino. O restante do dinheiro será gasto com bonificações para o elenco. Parte do dinheiro também financiará a produção e envio dos brindes adquiridos pela galera que participou do crowdfunding. Pedimos 7.500 reais e no momento já arrecadamos cerca de 3 mil. Faltam só uma semana para a campanha acabar, então por favor, colaborem e ajudem a gente! (risos)

11. Teremos mais personagens na história?

Maria Raquel: SIM! Temos pelo menos mais dois personagens novos, e um deles vai ter um spin-off. O público também vai ver bem mais de outros personagens que apareceram pouco nessa primeira fase.


12. Vocês já possuem uma estimativa de quantos episódios terá a série?

Maria Raquel: Desde o começo, antes de começarmos a filmar a primeira temporada, já sabíamos que a série teria 35 episódios. O spin-off oscilou um pouco, mas no final acabou ficando com 10 episódios.


13. Vocês planejam adaptar outras obras brasileiras ou possuem algum projeto original?

Maria Raquel: Por enquanto apenas sonhamos em adaptar mais clássicos brasileiros, mas ainda é bem cedo pra falar qual. Nem nós mesmas decidimos ainda [risos].

Fim!!!

Agradeço a Jacqueline e Maria Raquel por responderem à entrevista!!!



sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Entrevista Dona Moça - Parte 1

Há quase dois meses, eu falei aqui no blog sobre um dos meus livros preferidos, Senhora, do escritor brasileiro José de Alencar. No post sobre o livro, falei sobre suas adaptações para a TV e comentei sobre Dona Moça, web série inspirada no livro e produzida pela Adorbs Produções. A web série, que em sua primeira temporada contou com 10 episódios, está na fase final de um processo de financiamento coletivo para produzir a segunda temporada. Nesta entrevista com as criadoras vocês terão a oportunidade de conhecer melhor o projeto. 





1. Por que Adorbs Produções?

Maria Raquel:  Adorbs era uma espécie de jargão que Lydia Bennet, personagem de The Lizzie Bennet Diaries, usava. Tudo que ela achava fofo ela dizia “Totes adorbs”, algo como “totalmente adorável”. Quando começamos a legendar a webserie para o português, o nome do grupo de legendas era Team Adorbs. Nos inspiramos nisso e resolvemos nomear nossa produtora como Adorbs Produções.



2. Como surgiu a ideia de adaptar Senhora para web série?

Maria Raquel: A Chris Salles, uma amiga nossa, comentou comigo no Facebook que seria bem legal ver Senhora como uma web série ao estilo de Lizzie Bennet Diaries. Todo mundo se animou e achou que era possível fazermos sim. E aí que começou a adaptação em si.

3. Quais são os desafios em se adaptar uma história clássica para os dias atuais?

Maria Raquel: Com Senhora foi o enredo em si. Hoje em dia não é tão comum ver casamentos que envolvam dotes e todo o negócio de “compra” de marido. Então esse foi o principal desafio, já que a história da Aurélia e do Fernando gira em torno disso. Tivemos que pensar um pouco sobre como poderíamos fazer o Fernando ser forçado a conviver com a Aurélia hoje em dia.

Jacqueline: daí que chegamos à conclusão de que a melhor forma de transpor a relação deles para os dias atuais foi transformá-la em uma relação empregador-empregado. Afinal, o Fernando do livro não se considerava nada mais que outro servo ou escravo da Aurélia, e ela mesma já era uma mulher bem autossuficiente e independente para a época. Transformá-la na chefe dele foi o caminho natural.


4. Como foi o processo de adaptação? Qual é a tarefa de cada uma nesse processo?

Maria Raquel: Primeiro tivemos que trazer a história para os dias atuais. Como a Aurélia seria hoje em dia. Não poderíamos manter a idade dos personagens como no livro, pois não faria sentido. A gente queria manter a Aurélia como “rainha dos salões”, que é algo bem marcante na personagem do livro. As festas são bem importantes pro enredo da história. A solução que encontramos foi transformar a Aurélia em uma organizadora de festas bem famosa. Assim ela continuou sendo a “rainha dos salões”. Não teria sentido ter a personagem da Dona Firmina como uma matrona que acompanha a Aurélia, então a transformamos na Fifi, que cumpre a mesma tarefa de ser a companheira dela em todos os eventos. Mas algumas coisas você tem que manter porque se não acaba virando uma história original e não uma adaptação. A crise financeira dos Seixas foi crucial para ser mantida, porque é a fagulha do início de todo o enredo. Mesma coisa para o passado de Fernando e Aurélia/Fernando e Amaralzinha/Fernando, e para todos os personagens interagindo no mesmo meio e se conhecendo.

Jacqueline:  Outra coisa importante é que nenhuma de nós tem uma tarefa definida no processo de adaptação em si. Todas damos ideias e discutimos o que faz mais sentido dentro da história que estamos querendo contar.  Todo mundo participa e dá ideias e todas elas são consideradas em pé de igualdade e depois testadas para ver se podem ou não dar certo.

5. Vocês já possuíam experiência nesse tipo de projeto? Tiveram ajuda de outros profissionais?

Maria Raquel:  A Larissa e a Anna Lívia são formadas em Audiovisual e já tinham experiência na área. A Jacqueline é formada em Comunicação Social e já trabalhou em algumas emissoras de TV na área de jornalismo e produção. A Maynnara também é formada na área de Comunicação, voltada para Moda. Já eu sou graduanda em Letras com foco em literatura de língua portuguesa e inglesa.

Jacqueline: Também convidamos amigos que trabalham na área para fazer a série ter um ar mais profissional. O Iuri Galletti é nosso diretor de fotografia a Natalie Rocha é nossa técnica de som. A Elen Godoi faz nossa direção de arte. Sem eles “Dona Moça” não teria a qualidade que tem. E devemos muito a eles, pois os três toparam trabalhar com a gente sem receber nenhum tipo de pagamento em troca, estão nessa por pura camaradagem e amor ao projeto. Eles são os nossos heróis (risos).

6. Dona Moça é um projeto transmídia. Qual é a importância dela para quem acompanha a história? Quem cuida do que?

Maria Raquel: A transmídia de Dona Moça faz com que os personagens se aproximem dos espectadores. Ela é parte da história, não apenas algo a mais, pois muita coisa importante mostrada mais a fundo na transmídia acabam sendo endereçadas de leve nos vídeos. Porém, é possível entender o enredo apenas assistindo os vídeos, a transmídia não é crucial para o entendimento.

Quem coordena a transmídia é a Jacqueline. Ela faz a Fifi nas redes sociais e as notas de coluna social do Jota Alencar, além de cuidar das outras redes sociais em geral, como o tumblr (Laboratório da Nic), o 8tracks (playlist) e os blogs (Adorbs e Dona Moça Eventos). A Larissa e eu somos também ajudamos, dividindo a ação dos personagens. A Larissa cuida do twitter da Nic e da Aurélia e eu faço todas as redes sociais do Fernando, além de ajudar a Jacque no tumblr e no 8tracks. Mas nada está escrito em pedra. Sempre que uma não pode fazer um personagem, a outra cobre no lugar.

Todos os tweets dos personagens da série podem ser lidos aqui.

Para ajudar no financiamento da segunda temporada: http://www.kickante.com.br/campanhas/dona-moca-segunda-temporada


No domingo será divulgada a segunda parte da entrevista.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela

Li “Senhora” pela primeira vez em 2008, e foi o único clássico que li na época da escola sem ter sido prescrito inicialmente para trabalho e/ou prova (acabou que no mesmo ano ele foi adotado para o mesmo fim). O amor foi tanto que desde então faço uma releitura anual, posto que “Orgulho e Preconceito” também ocupa no meu coração.

Sinopse: Publicado em 1875, dois anos antes da morte do autor, Senhora é um dos principais romances urbanos de José de Alencar, e uma de suas críticas sociais mais contundentes. Narrativa dividida em quatro partes, conta a história do casamento entre Aurélia, moça pobre e órfã que acaba se tornando herdeira de grande fortuna, e Fernando Seixas, frequentador dos altos círculos da corte, mas incapaz de manter financeiramente sua vida luxuosa. Apaixonada por Seixas em seus dias de pobreza, Aurélia é trocada pelo amado por uma moça com um dote de trinta contos de réis. Em uma das muitas reviravoltas do enredo, porém, Aurélia acaba herdeira de grande fortuna, e atrai Seixas de volta para si, anonimamente, em troca de uma quantia três vezes maior. No entanto, logo na noite de núpcias ela revela seu expediente e toda a hipocrisia inerente à transação da compra do marido, e a partir de então a relação dos recém-casados se torna um jogo mordaz de intrigas, manobras sigilosas e diálogos ácidos e repletos de subentendidos.

Embora a obra seja pertencente ao período Romântico, que apresenta como principal característica o amor é o único meio de redenção, “Senhora” já apresenta alguns traços do Realismo, como a crítica a futilidade e a fragilidade dos valores burgueses e certo grau de introspecção psicológica. O romance apresenta uma personagem feminina independente e gira entorno de dramas morais, intrigas de amor, desigualdade econômica, sociedade patriarcal e a importância do dinheiro, mas o final é feliz, pois o amor prevalece. O livro é dividido em quatro partes: Preço, Quitação, Posse, Resgate. A adoção desses termos estritamente comerciais destaca o ponto central da obra: o casamento como forma de ascensão social.

 “Senhora” teve diversas adaptações para a TV e o cinema. A primeira, no formato de teleteatro foi exibida pela TV Tupi em 1952 e trouxe Bibi Ferreira no papel principal. Entre tantas adaptações, destacam-se a versão modernizada “O preço de um homem”, exibida pela TV Tupi em 1952, com Arlete Montenegro; a novela exibida em 1975 pela TV Globo, com Norma Blum e Claudio Marzo, sendo esta a adaptação mais fiel do livro (minha mãe assistiu e fala muito bem dessa versão); e “Essas Mulheres” exibida pela Record em 2005, que apresentava em conjunto os três principais romances urbanos de Alencar, conhecidos como “Perfis de Mulher”: Lucíola, Diva e Senhora. Nesta versão, Aurélia e Fernando são interpretados por Christine Fernandes e Gabriel Braga Nunes (ainda me pergunto onde estava em 2005 para não ter assistido essa novela. Logo eu, que sempre fui tão noveleira?).

Fotos do casal Aurélia e Fernando nas novelas Senhora de 1975 e Essas Mulheres, de 2005.

Por fim, está no ar atualmente a websérie Dona Moça, produzida pela Adorbs Produções. Quem acompanha a página do blog no facebook sabe que desde a estreia eu tenho compartilhado o link dos episódios lá. A ideia para essa versão nasceu em um grupo no facebook que conversa sobre várias webséries e eu tenho um carinho especial por ela, não só por se tratar de um dos meus livros favoritos, mas também porque eu conheço as pessoas envolvidas na sua produção e me sinto orgulhosa em ver o trabalho delas dando tão certo.

Nessa versão, Aurélia Camargo é uma produtora de eventos. Junto com sua melhor amiga Fifi Mascarenhas ela possui a agência Dona Moça. Após uma vida difícil, Aurélia tornou-se uma promoter famosa, muito requisitada pela sociedade paulistana. O excesso de trabalho obriga Aurélia a contratar um assistente e, bom, o contratado acaba sendo o Fernando, seu antigo amor, que a trocou ainda na época da faculdade por uma jovem socialite. Com a convivência, lembranças antigas e sentimentos reprimidos virão à tona.

Fifi Mascarenhas (Silvia Bitente) e Aurélia Camargo (Aline Mattos)


A série vai ao ar toda quarta-feira, às 12h, no YouTube. Além dos vídeos, a história é contada por outras mídias, como twitter, posts no blog da empresa, Dona Moça Eventos, uma Coluna de Fofocas e playlists que ajudam a conhecer um pouco mais os personagens. A primeira temporada terá 10 episódios e hoje o sexto episódio foi a ar. Para saber mais informações, acesse o site, o blog e a página no facebook da Adorbs Produções.