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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O Gótico em Jane Austen - Especial Terror #1

Bom, você deve estar pensando: "Jane Austen está longe de ser uma escritora Gótica". E você está certo. Mas então, o que existe de Gótico em Jane Austen? 

     Como todo leitor de Jane sabe, o romance que mais se aproxima a algo do gênero gótico seria A Abadia de Northanger, apesar de não ser essa a temática central; podemos observar uma grande influência dessa literatura. 

     Primeiro, você sabe o que é uma abadia? Quando ouvimos essa palavra vem a nossa mente uma construção em ruínas cheia de corredores e quartos. E hoje é isso mesmo. Eram muito comuns, ate o século XVII. Eram destinadas a comunidades católicas, comandadas por um líder espiritual, que podia ser homem ou mulher. Por isso eram grandes e tinham muitos quartos. Foram a origem do que conhecemos por Mosteiros. Muitas delas tinhas túneis subterrâneos, saídas para casos de emergência, torres com quartos trancados... mas pouco se sabe sobre o que realmente acontecia lá dentro. A partir do século XVIII, elas foram sendo destruídas nas reformas protestantes, e hoje o que sobrou foram ruínas semi destruídas que se tornaram ponto turístico. Mas porque eu estou dando uma aula de história aqui? Pra gente poder entender melhor o que existe de tão gótico em A Abadia de Northanger!
     Por causa de seus corredores e túneis que mais pareciam labirintos, alguns autores se aproveitaram desse cenário para criar histórias de prisioneiros, monstros e fantasmas. Ann Radcliffe foi uma das grandes autoras que influenciou Jane Austen nessa temática. Mulheres prisioneiras de seus maridos nas torres, heróis que morriam nos túneis mas que mantinham suas almas presas ao local... são muitas as histórias, e as Abadias eram um belo cenário, pois no final do século XVIII e início do XIX elas já estavam em ruínas - a maior parte delas.
     Abadia de Northanger é uma paródia gótica, que conta a história de uma mocinha muito ingênua que
é extremamente criativa e muito influenciada pelo que lê. Em um determinado ponto da vida, Catherine Morland, a protagonista da história, começa a ler Ann Radcliffe, e a autora se torna sua favorita. Ela então é convidada a viajar por Bath, e lá conhece os irmãos Tilney, que a convidam a passar uma temporada em sua abadia. Chegando ao local, sua mente começa a criar histórias de terror que envolvem a família Tilney e sua abadia, e pior, começa a acreditar nelas. Histórias que chegam a insultar a família. Ao perceber o quanto estava sendo boba, Catherine joga fora seus romances de Radcliffe e derivados.
     Observamos na história a trajetória da evolução da personalidade da protagonista. Ela deixa de ser aquela menina boba, que acredita e confia em todos, e começa a prestar mais atenção ao que de fato está acontecendo ao seu redor. É um romance diferente de Jane Austen em vários tópicos, mas devemos considerar que a protagonista é muito jovem, e que Jane queria apresentar uma sátira ao que estava em voga naquele momento... e isso com certeza é do feitio de nossa querida Austen!!!

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS:
  • Título Original: Northanger Abbey
  • Título no Brasil: A Abadia de Northager
  • Autora: Jane Austen
  • Editora: Landmark
  • Tradução: Eduardo Furtado
  • Páginas: 240

sábado, 5 de setembro de 2015

Conversando com Jane Austen


       No último sábado, dia 29 de agosto de 2015, aconteceu, em Florianópolis, o Sarau Literário Conversando com Jane Austen; evento organizado pela Fine Destinations e com apoio da Sur Livraria (ambos nossos parceiros). Fomos convidadas a participar, como parceiros, e eu (Michelle '3') tive a honra e o prazer de representar As Garotas de Pemberley em Santa Catarina. Um vôo rápido, mas com grandes promessas!
       Não fui sozinha. Outra Garota de Pemberley, Kerolaine Rinaldi, foi comigo. Fomos super bem recepcionadas [agradecemos imensamente à equipe por isso!], tomamos um chá inglês com direito a bolo com receita internacional [ainda posso sentir o gosto daquela maravilha...], divulgamos nosso blog [nosso bebê] e nos divertimos muito! O tema desse mês foi o livro Mansfield Park, o terceiro livro da nossa querida Jane Austen. Falamos então de sua vida e suas obras no geral. Concluímos que é impossível falar de um livro da Austen sem falar nos outros, ou em sua vida... Vimos também que esse é um livro bastante contraditório, ou você ama ou você odeia. Por sorte, nós amamos!
Participantes do Sarau
       Começamos falando sobre o enredo. Como Jane Austen sempre gostou de mostrar a divisão clara entre classes na sociedade britânica, dessa vez não foi diferente. Pobres e ricos interagindo, por vezes tendo as mesmas raízes, são traços bem comuns da literatura de Austen, o que torna suas histórias sempre mais reais, mais gostosas, mais elaboradas. Vou falar pra vocês, sem mais enrolação, sobre Mansfield Park!
 

  • Título Original: Mansfield Park
  • Título no Brasil: Mansfield Park
  • Autora: Jane Austen
  • Editora: Landmark (edição bilíngue)
  • Tradução:
  • Páginas: 552
Não é comum ouvir de alguém que "não gosta de Mansfield Park". É bem verdade que ele é o romance menos romântico de Austen, contudo esse livro não deve ser visto como 'mais um' livro de Jane, e sim como seu livro mais sério, mais maduro, mais sóbrio. Inicialmente desconstruindo aquela imagem de "final feliz" (só inicialmente... porque  o final feliz existe), não existindo uma heroína forte e excêntrica,  nem um herói/mocinho perfeito. O que vemos na construção dos personagens são pessoas comuns, falhas, em muitos momentos egoístas, mesquinhas, egocêntricas, falsas. Por exemplo, temos  o Sir Bertram, um homem oponente, rico, mas que está falindo, que não tem controle da família, e muito influenciável; Lady Bertram, que enxerga seus filhos como perfeitos, mal percebendo quantos defeitos os envolvem; Sra Noris, que reveste uma capa de 'mulher perfeita', mas é egoísta, persuasiva, que gosta de tomar para si a glória dos outros; Thomas Bertram, o herdeiro de Mansfield, que gasta a fortuna da família com divertimentos, bebedeiras, mulheres e jogos, e não tem um amigo que preste; Edmund Bertram, que aparenta uma sobriedade e uma seriedade tal, mas que é um bobo influenciável, ingênuo, muitas vezes fraco; Fanny Price, aparentemente fraca e inocente, tímida e doente, mas que se mostra decidida, perspicaz, observadora, esperta. 
Mansfield Park vem nos mostrando que as pessoas são muito além daquilo que elas mostram ser. Aqueles que eram tidos como os mais importantes, os mais espertos, os mais queridos, tornam-se os vilões da história. Ta, não necessariamente vilões, mas são os que dão desgosto e fazem vergonha. Literalmente. Nos ensina que para conhecer pessoas devemos conviver com elas, e observar suas atitudes, palavras, ações, antes de confiar neste ou naquele. 
No decorrer da história, dois personagens chave aparecem: Mary e Henry Crawford. Considerados jovens excelentes, tinham boa aparência, considerável fortuna, e muita influência. Mas a história revela dois irmãos interesseiros e espertos. Conquistaram a confiança de todos... aliás, quase todos. Fanny sempre teve um "pé atras" com os dois, e se mostrou mais esperta do que todos ao final.

Tudo isso foi discutido no nosso sarau. E vai deixar saudade. Se eu pudesse, iria a todos! 

sábado, 20 de junho de 2015

Clube do Livro - Lady Susan, Jane Austen

Kate Beckinsale como Lady Susan
Sinopse: Lady Susan, uma obra epistolar curta, porém completa, conta a história de uma viúva sedutora e manipuladora de, aproximadamente, trinta e cinco anos de idade. Sua conduta é, aparentemente, irrepreensível, como se esperaria de uma perfeita dama. Dotada de grande beleza, com modos encantadores e supostamente sensíveis, ela consegue desarmar até mesmo aqueles que estão familiarizados com boatos sobre sua má reputação. A relação com a filha, Frederica, uma jovem tímida e submissa, parece ser destituída de qualquer afeição, pois a mãe a trata como mais uma peça em seu jogo maquiavélico, planejando casá-la contra a própria vontade. O livro é um convite ao interior da mente de uma mulher astuta e maliciosa, habituada a brincar com os sentimentos alheios sem nenhuma pitada de remorso. 


Nesse mês de junho discutimos no Clube do Livro Lady Susan, romance epistolar escrito pela Jane Austen no final da sua adolescência, segundo estimativas de estudiosos. É uma obra única em meio aos textos produzidos pela autora, uma vez que a personagem principal é uma mulher madura que utiliza de charme e inteligência para conseguir o que quer.

Nosso primeiro estranhamento foi quanto ao formato. Por ser um romance epistolar, muitas ficaram confusas quanto aos personagens e ao desenrolar do enredo. Se por um lado o formato epistolar proporciona que conheçamos melhor cada personagem, por outro a uma perda quanto à ausência de diálogos e descrição do espaço. A personagem principal, Lady Susan despertou certa polêmica, uma vez que, apesar de inteligente e carismática, ela também é arrogante, manipuladora e maquiavélica, sempre tentando levar vantagem. Concordamos quanto a dois pontos: 1- ficamos com pena da Frederica, filha da personagem principal, uma vez que Lady Susan é uma péssima mãe; 2 – os personagens masculinos são meio frouxos, sendo muito suscetíveis ao charme de da personagem título. No geral, ficamos divididas em achar o texto divertido ou chato. Porém, vale à pena a leitura, uma vez que podemos conhecer melhor a versatilidade, a ironia e a crítica social presente nas obras da Jane Austen, que já se manifestava desde nova.

Lady Susan está sendo adaptado para as telas, com estreia prevista para 2016. Porém, o nome do filme será “Love and Friendship”, que por sinal é o título de outro texto da Jane Austen escrito na juventude. A personagem principal será interpretada por Kate Beckinsale, que já interpretou a Emma em um filme para TV de 1996. Morfydd Clark será Frederica. A atriz também interpretará Georgina em “Orgulho and Preconceito and Zombies”. Já Xavier Samuel, da série Crepúsculo, será Reginald de Courcy, alvo de interesse de mãe e filha. Estamos curiosas quanto à construção do roteiro.

Kate Beckinsale, Xavier Samuel e Morfydd Clark



Para ler a obra em português:

Pedra Azul (edição ilustrada), Landmark (edição bilíngue), Zahar (junto com Persusão e Jack & Alice)