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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

[Resenha] O Feiticeiro de Terramar



Título no Brasil: O Feiticeiro de Terramar
Título Original: The Wizard of Earthsea
Autora: Ursula K. Le Guin
Tradução: Ana Resende
Editora: Arqueiro
Páginas: 176

Sinopse: Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda. Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários. Publicado originalmente em 1968, O feiticeiro de Terramar se tornou um clássico da literatura de fantasia. Ged é um predecessor em magia e rebeldia de Harry Potter. E Ursula K. Le Guin é uma referência para escritores do gênero como Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie e Neil Gaiman.

Quem aqui já assistiu Jane Austen Book Club? No filme, um grupo de seis adultos se reúne para conversar sobre as obras da Jane Austen. O único homem do grupo é Grigg, fã de ficção científica e que nunca lera Jane Austen. Sua escritora favorita é Ursula K. Le Guin, e desde então tenho vontade de ler alguma obra dessa autora. A oportunidade surgiu com o lançamento, pela Editora Arqueiro, de O Feiticeiro de Terramar, primeiro livro do Ciclo de Terramar, composto por cinco livros. 

O livro conta a história de um garoto órfão que mais tarde será um dos feiticeiros mais poderosos da sua geração. Vocês devem estar achando o enredo semelhante ao de outra série super famosa de fantasia, né? Mas foi Ursula, no final da década de 1960, instigada por um editor, que escreveu um dos primeiros livros de fantasia voltado para o público adolescente. Nessa obra, a autora criou um universo fantástico digno dos grandes autores de fantasia que a inspiraram, como Tolkein, Mas ao invés de narrar os grandes feitos de um feiticeiro maduro, como o Gandalf e Merlin, nesse livro conhecemos a história de Ged, um rapaz brilhante, mas que tem que aprender na marra que “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” e pela primeira vez temos uma história de garoto aprendendo a ser mago. 

Apesar de seguir características do cânone tradicional da fantasia, O Feiticeiro de Terramar apresenta um elemento subversivo, como é comum nas obras de Le Guin, uma vez que temos um protagonista não branco (não vou contar sua etnia, para saber isso, só lendo o livro). Em tempos em que questões como representatividade tem ocupado um papel tão importante no ambiente literário, saber que uma escritora defendia essa bandeira já na década de 1960 é inspirador. Além disso, a história é mais que uma batalha entre o Bem e o Mal, mas uma jornada de autodescoberta, em que o protagonista tem que descobrir quem é o seu inimigo. E a jornada, às vezes, costuma ser mais interessante que o destino final.

sábado, 10 de setembro de 2016

Uma aventura entre 3 mundos


Título: Entre 3 Mundos

Autor(a): Lavínia Rocha

Editora: D'Plácido

Páginas: 218


Sinopse: Há algumas décadas, o Brasil vivia intensos conflitos entre pessoas normais e pessoas com dons extraordinários. Visando a paz no país, as autoridades o dividiram em dois territórios – o do Norte e o do Sul – e assinaram um contrato proibindo a migração de uma região para a outra.

Alisa é de uma família do Norte, mas foi identificada como pertencente ao Sul e precisa esconder a verdade de ambos os mundos. Além de quebrar o contrato toda semana para visitar seus pais, Alisa enfrenta problemas comuns da adolescência: acha seu próprio nome bizarro, gosta do cara errado e é a única pessoa que não percebe o quanto seu melhor amigo é apaixonado por ela.

A vida de Lisa (como prefere ser chamada) se transforma completamente com um grande acontecimento no colégio e, agora, ela se vê diante de um desafio envolvido pela descoberta do amor e da sua verdadeira identidade.


Era uma vez uma menina normal que vivia feliz com sua família no Norte, até que aparece uma pessoa em sua casa e diz que na verdade ela pertence ao Sul. E é assim que conhecemos Alisa e a existência de 3 mundos diferentes, o mundo normal, o meio-mágico e o mágico. Sim! Estamos entrando num mundo de fantasia que mistura um pouco de Harry Potter, um pouco de distopia e tudo o que toda menina sempre sonhou, como por exemplo, dividir um quarto com as amigas, pode escolher entre diversos restaurantes o que vai almoçar e morar numa escola tão despojada que vai ganhar até um centro comercial!

Em entre 3 mundos somos apresentados a um Brasil dividido e que o preconceito pelo diferente é tão forte que acabou dividindo o país em duas partes que se odeiam e não se entendem. A diferença quanto à cor da pele, diferenças e condição social continua existindo de certa forma, mas adicionamos a essa lista o preconceito contra aqueles que tem poderes mágicos. Acompanhamos essa história através dos olhos de Alisa que apesar de ter nascido no mundo normal descobre que tem poderes mágicos e, por esse motivo, é mandada para estudar no Colégio Ruit para aprender a lidar com seus poderes, mas surge uma questão: Como pode uma criança do mundo normal ter nascido com poderes? E qual a consequência dessa possibilidade para essa divisão dos 3 mundo?Vamos descobrindo as respostas para essas perguntas ao longo dos capítulos e também descobrindo pouco mais sobre esses mundos, sobre o Colégio Ruit, sobre a os poderes e também sobre os amigos de Alisa.

Aí você m diz: “Ok Deborah entendi essa parte de mundo meio mágico e normal, mas até agora você não disse nada sobre o mundo mágico!” Pois é caro (a) amigo (a) não disse nada e nem vou dizer! Esse é um mistério para ser descoberto ao longo da trama, aos poucos enquanto você entra e aprende mais sobre tudo à sua volta nesses mundos totalmente novo e ao mesmo tempo tão similar ao que vivemos.

Agora vamos falar um pouquinho sobre a autora e a sua escrita? Bem, vou começar dizendo que ela é a coisa mais fofa do mundo! Só perde para os pôneis, pandas e arco-íris! (kkkk) E a escrita dela é da mesma forma, o único problema que tive foi com a repetição quase constante de algumas palavras (mas que não atrapalham em nada a leitura) e alguns “erros de continuidade”. Apesar desses pontos a autora cria personagens cativantes e um mundo encantador que é perfeito para você presentear aquela pré-adolescente e/ou adolescente para criar nelas o hábito da leitura. Esse livro foi escrito de uma adolescente (Lavínia tinha apenas doze anos quando começou a escrever essa história) para todas as adolescente e é uma escolha perfeita para quem gosta de visitar novos mundos e aproveitar uma atmosfera escolar.

Para terminar quero dizer que Lavínia é uma promessa do gênero YA brasileiro e que estou louca para ler a continuação desse livro e ler os próximos livros dessa mineirinha cheia de ideias e cachinhos na cachola.

Se interessou pela história? Compre no site da livraria.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Caminho das Sombras

Caminho das Sombras

Para Durzo Blint, matar é uma arte e ele é o artista mais talentoso da cidade. Temido por muitos, Durzo é uma lenda viva com as mãos manchadas de sangue e nenhuma culpa pelas vítimas que deixa pelo caminho. Esse mundo sombrio também não é novidade para o jovem Azoth. Sobrevivendo entre becos sujos, ele aprendeu que a esperança é uma piada. Pelas regras das guildas, crianças são agredidas e surradas todos os dias. Tentar contestar essa realidade seria um risco alto demais. Mas quando a morte se torna questão de tempo para ele e seus amigos, Azoth se vê forçado a vencer o medo e agarrar a chance de virar um derramador, um assassino. Ele precisa se tornar discípulo de Durzo Blint. Para ser aceito, o garoto abandona sua antiga vida e abraça uma nova identidade. Ao se tornar Kylar Stern, ele aprenderá a transitar no mundo dos nobres, sobreviver às magias de seus inimigos e cultivar uma amizade muito especial: a da escuridão.
Ficha técnica
Título Original: The Way of Shadows
Título no Brasil: Caminho das Sobras
Série Anjos da noite; Livro 1
Autor: Weeks, Brent
Editora: Arqueiro
Tradutora: Fernanda Abreu
--x--

Caminho das sombras fascina o leitor desde o início, repleto de magia e profecias nos encanta logo no início. Nos é apresentado como um livro em que matar é um oficio, pessoas morrem todos os dias nas tocas, crianças são obrigadas a roubarem para tentar sobreviver. A vida de Azoth não é diferente, aos 11 anos já sofreu, tem medo, divide o pouco que tem com três amigos da mesma Guilda, sente medo dos mais velhos, jurou que não queria mais sentir medo, que queria um dia poder sair daquela vida.

Para poder se juntar a Durzo Blint é preciso mais do querer sair das tocas, Azoth é obrigado a matar aquele que mais temia: Rato. Um momento de pode ser fatal, Azoth sabe isso, não é só sua vida em risco, para se juntar a Durzo Blint vai ter que esquecer todo o seu passado, não poderia ser capaz de amar. Ainda criança é obrigado a assumir uma nova identidade, para o mundo Azoth estava morto, agora nascia Kylar Stern, um menino vindo de uma família mais nobre, que não tinha sido criado nas tocas, sim em uma família, que agora estava morando com o Conde Drake e sua família.

Kylar Stern mesmo sendo obrigado a esquecer o passado não consegue, visitando uma amiga de infância sem ela saber, ao mesmo tempo que aprende a arte dos derramadores convive no mundo dos nobres, fazendo amizades sinceras. O menino cresce, cada vez se tornando mais forte, mesmo que Azoth tenha morrido para o mundo, o menino ainda vivia nele, que aprendia outros sentimentos, mesmo acreditando que "a vida é vazia. Quando tiramos uma vida, não estamos tirando nada de valor" . 

Repleto de magia e profecias, que envolvem de alguma forma quase todos os personagens, com reis, príncipes e princesas, bruxos e magos, poderes e muitas artes dominadas ao longo dos anos. Magia do início ao fim, desde cedo sabem as artes, assumem postos importantes ainda jovens, criam laços de amizade permanentes, inimizades também são criadas desde crianças, em meio a disfarces e mentiras.

A história me fez pensar no que as pessoas são capazes de fazer, por amor; por poder; para proteger aqueles mesmo distantes, de uma forma direta ou indireta. Cativante e envolvente desde o início o livro encanta o leitor, do jovem leitor até o adulto com uma experiência maior. Com um final surpreendente nos deixa ansiosos pelos demais livros da trilogia.

sábado, 31 de outubro de 2015

Não Pare! Não Olhe! Não Fuja!

Contém spoiler!

                Halloween...
                Dia nebuloso... Lembra trevas e escuridão.
                E a resenha de hoje é bem sombria!

  • Título (s): Não Pare! / Não Olhe! / Não Fuja!
  • Autora: Fml Pepper
  • Editora: Valentina
  • Ano de Lançamento: 2015

                Nina é uma garota normal, que tem uma mãe psicótica, e muito, muito azarada. Será? Será que é culpa do azar sua vida ser tão diferente? Será que é apenas psicose, ou sua mãe esconde algo? Será que Nina é realmente uma garota normal?
                Nina vive apenas com sua mãe. Não tem como dizer onde, pois elas vivem constantemente se mudando - como se estivessem fugindo. Aos 16 anos, já está cansada de sua vida nômade, e começa a discutir muito com sua mãe a respeito. Após muitas discussões - e por um motivo desconhecido - Stela, mãe de Nina, decide se estabelecer definitivamente em Nova Iorque, dando muito mais liberdade para Nina viver. Nina fica felicíssima com as expectativas de uma vida normal, com amigos, trabalho, faculdade, e quem sabe, um amor.
                Nina faz amigos na escola, arruma um emprego, mas o azar não dá trégua. Episódios estranhos acontecem ao seu redor sem explicação, e ela começa a desconfiar de que existe algo diferente, estranho, perigoso até, que sua mãe não sabe ou esconde dela. Para piorar a situação, alguns alunos novos começam a estudar em sua sala, e um deles a irrita ao extremo. O que Nina sente quando Richard se aproxima a deixa à beira de um colapso, enquanto Kevin a faz derreter por dentro. Jhon, o ruivinho, e Samantha, a loira gótica, a olham de maneira estranha, mas nunca se aproximam.
                Kevin se aproxima de Nina, aparentemente interessado nela, e Richard começa a atrapalhar suas investidas, sendo inconveniente sempre, o que a faz odiá-lo. Eles são a prova “viva” de que as aparências enganam. Cega pela beleza e carisma de Kevin, Nina não percebe que o real perigo não era Richard.
                A vida de Nina muda de repente. Ela se vê sozinha no mundo. Sua mãe morre num acidente, ela não sabe quem é seu pai, não tem nenhum parente vivo nesse mundo,"nesse mundo". Nesse ínterim, Nina descobre que o pouco que ela sabia a respeito de sua vida e existência eram mentiras. Que suas pupilas verticais não são uma deformação genética, mas um traço de família. Descobre que nosso mundo não é apenas o que vemos, mas que existem dimensões que coexistem em equilíbrio, cada uma com sua função. E ela era uma ameaça a esse equilíbrio.
                Richard, Kevin, Jhon e Samantha não são adolescentes comuns, mas Resgatadores [grave essa palavra] de Zyrk [grave essa também] e estão em missão: Capturar Nina. Num primeiro impulso, Nina decide fugir, mas está sendo perseguida por todos os lados, não sabe mais em quem confiar, não tem mais para onde ir. Então, percebe que tem apenas uma alternativa: Ficar e ver no que vai dar. Nina precisa de respostas, e se existe um lugar onde ela pode encontrá-las, é em Zyrk.

                Nina se vê envolta por batalhas pelo poder e pela glória. Cada vez mais perguntas se acumulam. Nada é de fato o que parece ser. E para piorar, ela está apaixonada. Apaixonada por sua própria morte. Irônico, não? Um zirquiano, que não pode nutrir bons sentimentos. E pra piorar ainda mais, nenhuma de suas atitudes faz sentido. Nina é a peça chave de uma lenda que fala sobre amor, mas como? Se zirquianos não têm bons sentimentos, como cativar o amor de algum deles? Nina é filha de um deles, e sabe-se que apenas quando há amor é possível um zirquiano e uma humana gerarem uma vida. Então, se ela é uma híbrida, houve amor entre seus pais. É possível. Será?
                Não tem mais como parar. Agora ela precisa seguir em frente e descobrir onde estão as respostas que ela tanto procura. Ela descobre quem foi seu pai, e descobre um avô ainda vivo. Nina é capaz de fazer surgir bons sentimentos em qualquer zirquiano, e isso a faz vítima de muitos mercenários. Existem muitos mistérios horríveis em Zyrk. Para não perder a fé e a esperança, ela não pode olhar. Melhor ficar na ignorância do que conhecer tudo. Não existe espaço para o medo.

                Sempre na batalha entre descobrir a verdade e fugir, Nina se decepciona cada vez mais com Richard. E quando por fim decide deixar toda essa loucura pra trás e voltar para sua dimensão, mais descobertas a assolam, e ela percebe que fugir não é mais uma opção. Agora ela vai até o fim.
                Capturada por magos poderosos da terceira dimensão - Zyrk - Nina descobre que tem “poderes”. Ainda não sabe controlá-los, mas já sabe que eles existem. Agora ela tem três amores, três pessoas por quem daria a vida: Richard, sua mãe, e seu padrasto! Sim, ela descobre um padrasto. Justamente aquele que ela jamais imaginaria, nem nós, leitores. [Não, esse spoiler eu não vou dar!]
                A lenda era verdadeira. Nina era uma maldição. Trazida ao mundo pela força do próprio demônio. Mas será que ela não poderia controlar nada em sua vida? Será que ela era um peão do destino? E o livre-arbítrio? E o amor? O amor não é previsível, não é controlável, não é fraco. Amar é se doar. Se anular pelo outro. Se sacrificar pelo outro. E é quando Nina e Richard compreendem isso que o verdadeiro milagre acontece. Mas será que mesmo com um amor tão grande, eles terão forças pra lutar contra tudo e todos? Será que sobreviverão? E se sobreviverem, será que terão alguma chance juntos? Será que de fato aqueles olhos azuis hipnotizantes serão o fim da linha para Nina?

                Fml Pepper criou um mundo fantasioso, com demônios, magos, mortes, almas... Mas o mais importante de tudo: Uma história emocionante, surpreendente e incrível. A trilogia inteira é feita de mistérios, e nada, absolutamente nada é o que parece. No meio do livro eu comecei a querer desvendar os segredos, mas eu me enganava redondamente! A narrativa prende, os personagens são concretos, a história é fechada - o que não tem no livro é porque não é importante. Pontas amarradas... e um amor que ultrapassa todas as barreiras: tempo, espaço, medo... nada é impossível. E, claro, a moral da história: Amor não é um sentimento egoísta; E é quando nada mais importa, nem mesmo o próprio eu, mas apenas o outro, é que experimentamos a forma mais pura de amor. É quando sem o outro, nada mais faz sentido, e nem vale a pena tentar.

                Resumindo: LEIAM!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

150 Anos de Alice

Esse ano (2015) o livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, completa 150 de publicação. 150 anos encantando crianças, jovens, adultos e idosos com suas fantasias e personagens surpreendentes. Hoje nosso artigo vai falar um pouquinho desse autor e dessa obra tão admirada pelo mundo. "A premiada Edição Comentada e Ilustrada de Alice ganha novo formato, seguindo o padrão da coleção Clássicos Zahar. O livro reúne Aventuras de Alice no País das Maravilhas e sua continuação, Através do espelho e o que Alice encontrou por lá, obras-primas de Lewis Carroll."
  •  Título Original: Alice in Wonderland
  • Título no Brasil: Alice no País das Maravilhas
  • Autor: Lewis Carrol - pseudônimo de Charles Lutwidge Dogson
  • Editora: Zahar
  • Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges
  • Páginas: 416
SINOPSE: “Quando decidiu seguir um coelho que estava muito atrasado, Alice caiu em um enorme buraco. Só mais tarde descobriu que aquele era o caminho para o País das Maravilhas, um lugar povoado por criaturas que misturam características humanas e fantásticas, como o Gato, o Chapeleiro e a Rainha de Copas - e lhe apresentam enigmas.”


A história começa quando Alice está sentada numa ribanceira junto com sua irmã mais velha, que está lendo um livro para adultos. Alice, entediada, começa a pensar e procurar algo que fazer num dia terrivelmente quente, quando nesse momento, ela vê um Coelho Branco de colete e relógio de bolso correndo, que olha as horas e diz: “Por minhas orelhas e bigodes, está ficando muito tarde!” Curiosa, mas não espantada, Alice segue o Coelho Branco e cai pelo buraco de sua toca. A partir daí, embarcamos junto com ela num mundo subterrâneo de fantasia – o País das Maravilhas. No entanto, essa não é uma história qualquer. No mundo de Alice, “quase nada é realmente impossível”.
A partir do momento em que Alice plana [sim, ela não cai, ela plana!] no fundo da toca, inicia uma constante problemática da menina: seu tamanho. Observamos que em diversos momentos Alice está aumentando e diminuindo sua altura; na verdade, nunca tem o tamanho apropriado, sempre precisando ajustar-se aos lugares e situações, quer seja através de uma bebida, um bolo, ou um cogumelo. Contudo, são justamente as mudanças de tamanho que permitem os encontros da protagonista com tantos seres que, de outra forma, não estariam ao seu alcance. A Lagarta, por exemplo. Só é possível conversar com a lagarta porque Alice estava, então, com o tamanho do inseto fumador de narguilé!
Com a Lagarta, chegamos a outra problemática que, como seu tamanho, também a segue no livro: sua identidade.

"- Quem é você?"
"- Não estou bem certa, senhora... Quero dizer, nesse exato momento não sei quem sou... Quando acordei de manhã, eu sabia quem eu era, mas acho que já mudei muitas vezes..."


Tantas coisas estranhas acontecem a sua volta que a menina passa a duvidar de si mesma e se pergunta: será que o mundo mudou, ou fui eu? E, para ter certeza de que continua a mesma, Alice tenta se lembrar do que costumava saber: a tabuada, as capitais... mas não acerta em nada.
Nesse país, somos apresentados a diversos personagens, que são, ao mesmo tempo, absurdos e reais, um mais intrigante do que o outro: o Coelho Branco sempre apressado, a Lagarta que fuma narguilé, o Gato cujo sorriso paira sozinho no espaço, o Chapeleiro e a Lebre de Março, ambos loucos assumidos, uma corte de cartas de baralho cuja Rainha irritada manda cortar as cabeças ao menor deslize, a Duquesa que adora achar moral em tudo e constrói frases complicadíssimas...

"- Oh, você não tem como evitar" - disse o gato - "somos todos loucos. Eu sou louco. Você é louca."
"- Como é que você sabe que eu sou louca?"
"- Você deve ser, ou não teria vindo parar aqui."

São muitos diálogos interessantes, e, como Carroll afirmou, “tudo tem uma moral: é só encontra-la”. Devemos enxergar em cada personagem, o reflexo das pessoas que encontramos no nosso dia a dia: alguém que encara a vida de maneira tão simples que é tida como louca, ou uma pessoa que age da maneira que quer, feito criança, ou adultos sempre atrasados em seus afazeres que correm de um para outro lado sem ao menos arriscar uma olhada ao seu redor, ou pessoas que estão tão ocupadas consigo mesmas que não se importam com os sentimentos dos outros... E em Alice, a nossa capacidade de adaptação às mais diversas situações e nossas variações de humor.

Talvez seja verdade: "Somos todos loucos". Mas então, aquele que não é louco é que está errado, não é?

O final do livro traz também uma reflexão sobre a infância, a inocência, a seriedade e a maturidade. A irmã de Alice torce para que, ao crescer, Alice não perca a fé no Mundo das Maravilhas, que mantenha um pouquinho da infância viva dentro dela. Que continue a andar em frente, mas sempre olhando para os lados, admirando, observando, sorrindo. Qualquer mundo tem suas maravilhas. Basta achá-las!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Clube do Livro - Harry Potter e a Pedra Filosofal

Por As Garotas de Pemberley


Título Original: Harry Potter and Philosopher's Stone
Título no Brasil: Harry Potter e a Pedra Filosofal
Autora: J. K. Rowling
Editora: Rocco
Tradução: Lia Wyler
Páginas: 224

Primeiro livro da Saga
No nosso Clube do Livro do mês de Julho aproveitamos o período de férias para discutirmos duas obras. Na semana passada apresentamos uma transcrição do debate de O Pequeno Príncipe. Nessa semana nós discutimos sobre Harry Potter e a Pedra Filosofal, primeiro livro da série escrita pela escritora inglesa J.K. Rowling. 

 Assim como O Pequeno Príncipe, Harry Potter marcou muitas das Garotas de Pemberley, contribuindo para a formação do nosso hábito de leitura. Harry Potter conta a história de um garoto órfão que no seu aniversário de 11 anos descobre ser um bruxo e vai estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Lá, além de desenvolver suas habilidades, Harry conhece as circunstâncias que envolvem a morte do seus pais, provocada por um ataque de Lorde Voldemort, um bruxo das trevas que pretende dominar o mundo bruxo. Além disso, faz muitas amizades, em especial Hermione e Rony. 


Onde estão nossas cartas de Hogwarts?
Apesar de para o debate termos lido somente o primeiro livro, a discussão abrangeu a série completa. Compartilhamos as lições aprendidas, as frases que mais nos marcaram, qual é a nossa casa em Hogwarts (tem GDP em todas as casas), quais eram as matérias que mais gostávamos e o que seríamos depois de formados. 

Além disso destacamos os personagens que mais gostávamos, nossos livros favoritos, discutimos teorias sobre a série e seus personagens e compartilhamos dicas de fanfics. O desejo que a J.K. escreva mais sobre esse universo foi defendido pela maioria. Quanto aos filmes, todas gostamos das adaptações, apesar de algumas coisas, como a descaracterização de alguns personagens, (ex. Gina Weasley). Os elogios ao elenco foram unânimes, principalmente ao elenco adulto, que possui uma longa trajetória no cinema britânico. Quem também é Janeite e Potterhead compartilhe sua opinião nos comentários!!!


Título Original: Harry Potter and Philosopher's Stone
Título no Brasil: Harry Potter e a Pedra Filosofal
Diretor: Chris Columbus
Distribuição: Warner
Classificação: Livre
Tempo: 152 min