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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

[Resenha] O Feiticeiro de Terramar



Título no Brasil: O Feiticeiro de Terramar
Título Original: The Wizard of Earthsea
Autora: Ursula K. Le Guin
Tradução: Ana Resende
Editora: Arqueiro
Páginas: 176

Sinopse: Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda. Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários. Publicado originalmente em 1968, O feiticeiro de Terramar se tornou um clássico da literatura de fantasia. Ged é um predecessor em magia e rebeldia de Harry Potter. E Ursula K. Le Guin é uma referência para escritores do gênero como Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie e Neil Gaiman.

Quem aqui já assistiu Jane Austen Book Club? No filme, um grupo de seis adultos se reúne para conversar sobre as obras da Jane Austen. O único homem do grupo é Grigg, fã de ficção científica e que nunca lera Jane Austen. Sua escritora favorita é Ursula K. Le Guin, e desde então tenho vontade de ler alguma obra dessa autora. A oportunidade surgiu com o lançamento, pela Editora Arqueiro, de O Feiticeiro de Terramar, primeiro livro do Ciclo de Terramar, composto por cinco livros. 

O livro conta a história de um garoto órfão que mais tarde será um dos feiticeiros mais poderosos da sua geração. Vocês devem estar achando o enredo semelhante ao de outra série super famosa de fantasia, né? Mas foi Ursula, no final da década de 1960, instigada por um editor, que escreveu um dos primeiros livros de fantasia voltado para o público adolescente. Nessa obra, a autora criou um universo fantástico digno dos grandes autores de fantasia que a inspiraram, como Tolkein, Mas ao invés de narrar os grandes feitos de um feiticeiro maduro, como o Gandalf e Merlin, nesse livro conhecemos a história de Ged, um rapaz brilhante, mas que tem que aprender na marra que “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” e pela primeira vez temos uma história de garoto aprendendo a ser mago. 

Apesar de seguir características do cânone tradicional da fantasia, O Feiticeiro de Terramar apresenta um elemento subversivo, como é comum nas obras de Le Guin, uma vez que temos um protagonista não branco (não vou contar sua etnia, para saber isso, só lendo o livro). Em tempos em que questões como representatividade tem ocupado um papel tão importante no ambiente literário, saber que uma escritora defendia essa bandeira já na década de 1960 é inspirador. Além disso, a história é mais que uma batalha entre o Bem e o Mal, mas uma jornada de autodescoberta, em que o protagonista tem que descobrir quem é o seu inimigo. E a jornada, às vezes, costuma ser mais interessante que o destino final.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

[RESENHA] Dez formas de fazer um coração se derreter - Sarah MacLean


Título Original:
Título no Brasil: Dez formas de fazer um coração de derreter
Autora: Sarah MacLean
Editora: Arqueiro
Tradução: Fabiana Colasanti
Páginas: 352
Sinopse:Isabel Townsend não é exatamente o que se espera da filha de um conde. Apesar de ter a pele delicada e de saber se portar como uma dama quando necessário, a jovem também monta a cavalo, conserta telhados, administra a propriedade e cria o irmão caçula desde que a mãe faleceu – tudo isso sem despertar a menor suspeita de que não há um homem sequer para cuidar de sua família.

Para o pai dela, que só queria se divertir e gastar dinheiro em jogatinas, pouco importava o que ela fizesse. Porém, quando ele morre, Isabel se vê sem recursos e precisa defender os direitos do irmão, ameaçados pela chegada iminente de um tutor. Assim, não lhe resta saída senão vender sua coleção de estátuas de mármore, o único bem que herdou.

Para sorte sua, um especialista em antiguidades acaba de chegar ao condado. Inteligente e sensual, lorde Nicholas St. John é um solteiro convicto que deixou Londres para se livrar das jovens que passaram a persegui-lo desde que foi eleito um dos melhores partidos da cidade.

Em poucos dias, fica claro para Nick que Isabel é a mulher mais obstinada e misteriosa – além da mais interessante – que já cruzou seu caminho. Ao mesmo tempo, ao conhecê-lo melhor, a independente Isabel percebe que há homens em que vale a pena confiar. Enquanto eles põem de lado suas antigas convicções, seus corações se abrem para dar uma chance ao amor.


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Vou começar dizendo que, mais uma vez, Sarah MacLean merece cinco estrelas! Personagens incríveis, história cheia de nuances, diálogos inteligentes, e a narrativa... bem, falemos da narrativa. Simples, envolvente, com narrador ora observador ora onisciente, alternando entre os protagonistas.



"Isabel abriu a boca para retrucar, mas descobriu que não tinha nada a dizer. Que coisa mais frustrante. Nos romances, a heroína sempre tinha algo espirituoso a dizer. Só que ela não era nenhuma heroína."

O que mais gosto nas histórias de Sarah são suas personagens femininas. Com seu feminismo indiscreto, MacLean sempre cria mulheres fortes, inteligentes, independentes, ousadas, corajosas, trabalhadoras e ultimamente, fãs de roupas masculinas. Mas mesmo com tudo isso, não perdem sua essência feminina: a vaidade, a sensibilidade, o decoro, a ingenuidade, o que as coloca em situações engraçadas e incomuns.


"– Ela é incrível. Ela é tão forte, tão diferente de qualquer pessoa que eu já tenha conhecido... Quando ela acredita em alguma coisa, ou quando briga pelo que é dela... ela é uma rainha. Não tem nada a ver com as mulheres que conhecemos. Se algo precisa ser feito, ela faz. – Ele ergueu os olhos para Gabriel. – Na primeira vez em que a beijei, ela estava usando calças.
Um dos cantos da boca de Gabriel subiu em um sorriso. – Elas ficam interessantes de calças..."
E parece que os homens de Sarah gostam disso! Nick é o segundo St Jhon que se encanta pelas peculiaridades das damas incomuns de MacLean, numa série de dois livros, o que nos da 100% de aceitação! A autora sai do lugar comum dos bailes, clubes londrinos, ou mesmo das temporadas. Com nick, literalmente foge. E a história se desenvolve no interior da Inglaterra, depois de St Jhon ser "contratado" pelo Duque de Leighton afim de encontrar Georgiana, a irmã perdida do duque - que na verdade não está perdida, e sim fugitiva depois de descobrir sua gravidez. E tudo acontece no decorrer de 10 dias. Pode parecer pouco para um casal se conhecer, se apaixonar, casar, brigar, fazer as pazes... Talvez a autora tenha se inspirado em Jane Austen, quando esta diz "Não é o tempo nem a oportunidade que determinam a intimidade, é só a disposição. Sete anos seriam insuficientes para algumas pessoas se conhecerem, e sete dias são mais que suficientes para outras.".

O primeiro livro da trilogia foi publicado [e resenhado aqui], e o próximo será publicado nos próximos meses sob o título "Onze leis a cumprir na hora de seduzir" (Juliana). Sarah MacLean possui outros livros publicados no Brasil, a premiada série pré vitoriana “O Clube dos Canalhas”, composta por quatro livros, que pertence ao catálogo da Editora Gutenberg. Uma curiosidade é que os acontecimentos de “O Clube dos Canalhas” estão ligados a “Os Números do Amor”, uma vez que as duas séries possuem personagens em comum.


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Água para Elefantes, Sara Gruen

Título no Brasil: Água para Elefantes 
Título Original: Water for Elephants 
Autora: Sara Gruen
Tradução: Anna Olga de Barros Barreto
Editora: Arqueiro 
Páginas: 272


A vida é o maior espetáculo da terra. Água para Elefantes nos faz ter uma viagem ao passado, no tempo em que os grandes espetáculos circenses chegavam às cidades de trem, percorrendo o interior dos EUA. Nos traz a história de Jacob que aos seus 23 anos após perder os pais em um  acidente de carro, abandona a faculdade de medicina veterinária prestes a se formar, em meio às provas finais.

Jacob sem saber embarca no trem o esquadrão voador dos irmãos benzini. Um romance diferente, a descoberta do amor aos poucos por Marlena , em meio a espetáculos e viagens longas de trem. Nos trás a relação de Jacob com uma elefanta chamada Rosie, dada como burra no início se mostra inteligente logo no início do livro, demonstrando sentimentos em relação as pessoas as quais convive.

Os personagens passam por inúmeras dificuldades, enfrentando doenças, seus animais ficando doentes, a falta de pagamentos em alguns momentos, as amizades que não se mostram verdadeiras, aqueles que pareciam não se gostar desde o início se tornam amigos e parceiros. A história não foca somente no romance, também nos relacionamentos entre pessoas e animais, os sentimentos quando algum sofre.


As lembranças da época de circo de Jacob aos 93 anos em uma  casa com outros idosos, deixado pela família lá para ser cuidado, sua memória já falha, se lembra da época do circo, das histórias que aconteceram, de seu casamento de 61 anos. A chegada de um circo a cidade o faz retomar as lembranças, a expectativa de ir ao circo no domingo com a família, as lembranças que vem.

Com um final surpreendente o livro nos emociona desde o início, nos faz pensar nos nossos próprios sentimentos em relação as pessoas, animais e objetos.  

A obra contou com uma adaptação cinematográfica, com Reese Witherspoon e Robert Pattinson nos papeis principais. 

 

quinta-feira, 12 de maio de 2016

“Lembre-se, é uma imperatriz. Comporte-se como uma e as pessoas não terão opção que não a enxergar como tal.”

Título no Brasil: Nove regras a ignorar antes de se apaixonar
Título Original: 9 rules to break when romancing a Rake
Autora: Sarah MacLean
Tradução: Fabiana Colasanti
Editora: Arqueiro
Páginas: 384

Sinopse: “A sonhadora Calpúrnia Hartwell sempre fez tudo exatamente como se espera de uma dama. Ainda assim, dez anos depois de ser apresentada à sociedade, ela continua solteira e assistindo sentada enquanto as jovens se divertem nos bailes. Callie trocaria qualquer coisa por uma vida de prazeres.
E por que não se arriscar se, aos 28 anos, ela já passou da idade de procurar o príncipe encantado, nunca foi uma beldade e sua reputação já não lhe fará a menor diferença? Sem nada a perder, a moça resolve listar as nove regras sociais que mais deseja quebrar, como beijar alguém apaixonadamente, fumar charuto, beber uísque, jogar em um clube para cavalheiros e dançar todas as músicas de um baile. E depois começa a quebrá-las de fato.
Mas desafiar as convenções pode ser muito mais interessante em boa companhia, principalmente se for uma que saiba tudo sobre quebrar regras. E quem melhor que Gabriel St. John, o marquês de Ralston, para acompanhá-la? Afinal, além de charmoso e devastadoramente lindo, ele é um dos mais notórios libertinos de Londres.
Contudo, passar tanto tempo na companhia dele pode ser perigoso. Há anos Callie sonha com Gabriel e, se não tiver cuidado, pode acabar quebrando a regra mais importante de todas – a que diz que aqueles que buscam o prazer não devem se apaixonar perdidamente.”

Lançado em 2010, Nove regras a ignorar antes de se apaixonar é o primeiro romance de época da escritora estadunidense Sarah MacLean. O livro também é o primeiro da trilogia “Os Números do Amor”, que conta a história dos irmãos St. John, Gabriel, o Marquês de Ralston, e Nicholas, seu irmã gêmeo, ambientado no período conhecido como Regência Britânica. A família foi marcada pelo escândalo da fuga da mãe dos gêmeos quando eles ainda eram crianças. Ralston e Lord Nicholas não se importavam com a reputação da família, até a chegada de Juliana Fiori, meia-irmã italiana dos gêmeos, que também fora abandonada pela mãe. Com isso há a necessidade de se recuperar a reputação da família, para que Miss Fiori possa se aceita na sociedade, apesar de ser filha bastarda da marquesa desaparecida. 

Callie possui uma reputação exemplar. Boa moça, boa filha, boa irmã. Sempre fez tudo que se espera de uma moça naquele período. Porém nem isso, nem o título da família, o condado de Allendale, superam o fato dela não se adequar aos padrões estéticos daquela sociedade (Callie possui curvas generosas). Aos 28 anos, e conformada com o status de solteirona, ela resolve fazer aquilo que tinha vontade, mas não podia por ser mulher. Porém o Marquês de Ralston decide que ela é a pessoa ideal para ser a acompanhante de Juliana, e ao descobri os riscos que Callie está disposta a correr para por em prática seus sonhos, passa a temer que isso prejudique a reputação de sua irmã, e assim Callie e Gabriel passam a protagonizar um embate muito divertido e sensual.

O livro também se destaca pela discussão do papel da mulher naquela sociedade, e o impacto derivado da não adequação a determinados padrões pré determinados, como a marginalização da marquesa, por abandonar a família; de Callie, por não se adequar aos padrões estéticos; e Juliana, por ser estrangeira e bastarda. Além disso somos apresentados a repercussão do abandono na maneira como Gabriel, Nicholas e Juliana lidam com seus sentimentos, e principalmente, com o amor.

Os outros dois livros da trilogia serão publicados nos próximos meses: Dez formas de fazer um coração se derreter (Nicholas); e Onze leis a cumprir na hora de seduzir (Juliana). Sarah MacLean possui outros livros publicados no Brasil, a premiada série pré vitoriana “O Clube dos Canalhas”, composta por quatro livros, que pertence ao catálogo da Editora Gutenberg. Uma curiosidade é que os acontecimentos de “O Clube dos Canalhas” estão ligados a “Os Números do Amor”, uma vez que as duas séries possuem personagens em comum.


sábado, 23 de abril de 2016

Ah! As cartas de amor, sempre elas...



Todas as cartas de amor...
Fernando Pessoa
(Poesias de Álvaro de Campos)

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas...



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Título original: Dear Scott, dearest Zelda: the love letters of F. Scott and Zelda Fitzgerald

Título no Brasil: Querido Scott, Querida Zelda: As cartas de amor de Scott e Zelda Fitzgerald

Organização por: Jackson R. Bryer & Cathy W.

Revisão: Cecília Ramos e Marise Simões Leal

Número de páginas: 487

Editora: Companhia Das Letras





Década de 1920, era do jazz, Estados Unidos... e uma história de amor. Foi em 1918 que Scott Fitzgerald conheceu Zelda, num baile num clube de campo em Montgomery, no Alabama, Estados Unidos. Zelda era uma jovem bonita, graciosa, espirituosa, e por isso muito cortejada por vários rapazes. E Francis Scott Fitzgerald, um jovem tenente militar, se esforçava muito para conquistar a moça.

Ao arrumar trabalho em Nova York, Scott deixou Montgomery, e a jovem de seu coração. Foi então que começaram a trocar a extensa correspondência que fez parte da vida de ambos, durante longos anos.

Scott era um promissor escritor, e sonhava alto, em se tornar um dos maiores escritores de sua época, fato que realmente ocorreu posteriormente. Zelda, nesse período que Scott esteve em Nova York, não mudou em nada sua vasta vida social, saindo para festas, bailes, e sendo bastante cortejada por muitos rapazes, fato que ela relatava a Scott em suas cartas.

Scott já havia escrito um romance que fora rejeitado pelos editores, mas não desistiu. Tinha consciência de seu talento, e sabia que apenas quando vendesse um grande romance possuiria dinheiro suficiente para pedir a mão de Zelda, que possuía uma família tradicional em sua cidade, e como eram bastante abastados, seus pais não permitiriam que ela se casasse com uma pessoa sem recursos.

Apenas dois anos depois de conhecer sua bela amada, Scott conseguiu a publicação de seu primeiro romance, Este lado do paraíso, e rapidamente vendeu toda a primeira edição. Uma semana depois de publicado, a 3 de abril de 1920, ele e Zelda se casaram. Pouco mais de um ano depois, tiveram sua filha, Scottie. Alguns meses depois do nascimento da menina, Scott publicava seu segundo romance, Belos e malditos, e o casal Fitzgerald continuavam apaixonados como nunca.

Zelda também possuía grande talento para as artes, como a escrita e a pintura. Entretanto, era evidente que ela se dedicava tanto ao marido como à vida social que possuíam, primeiramente em Nova York, posteriormente na França, onde conheceram e conviveram com grandes artistas da época, e acabava deixando em segundo plano suas habilidades artísticas.

Em 1925, Scott publica um de seus maiores romances, O grande Gatsby. Neste, Scott retrata a vida e o pensamento dos americanos de sua época, abordando temas como amor, dinheiro e ambição. 

O sonho do casal foi abruptamente interrompido em 1930, quando Zelda teve seu primeiro colapso nervoso, e o sonho de fadas acabou. A partir daí, a vida de Zelda se resumiu em várias internações em clínicas e manicômios, entre períodos de crise e lucidez.

Em contrapartida, o alcoolismo tomava conta da vida de Scott, que se dividia em escrever contos para sustentar a família e criar a filha sozinho. As despesas aumentavam, pois ele também tinha que pagar as internações da esposa. Com todos esses problemas, ele se afundava cada vez mais no alcoolismo. 

Alguns críticos e biógrafos escreveram várias versões para a vida do casal, e muitos relatavam que, Scott se afundava no álcool por causa da doença da esposa, e que Zelda enlouqueceu por Scott podar seus talentos artísticos. Mas o que vemos em Querido Scott, Querida Zelda, é que tudo foi uma fatalidade. Na época sabia-se muito pouco sobre a esquizofrenia, doença diagnosticada de Zelda. E o alcoolismo ainda não era visto como doença, e sim como falha de caráter, o que tornava mais difícil a vida do escritor.

Apenas nos 10 anos de casamento houve pouca correspondência, mas nos outros períodos, esta foi constante,

Em Querido Scott, Querida Zelda, nos deliciamos com as cartas trocadas pelo casal, nem sempre de amor, como diz no subtítulo, mas muitas também de amargura e acusações mútuas.

A maior parte das cartas são de Zelda para Scott, pois muitas das cartas escritas por ele se perderam devido às várias internações pelas quais ela passou.

As cartas de Zelda eram bem poéticas, carregadas de lirismo e figuras de linguagem. A cada carta lida percebemos como era profunda a ligação entre um dos casais mais conturbados nos meios literários, e envolvemo-nos com esse grande amor, que como lemos em suas cartas, apesar de eles estarem separados, os acompanhou até a morte.





segunda-feira, 7 de setembro de 2015

“Todos têm segredos. Sobretudo eu.” – Os Bridgertons #4

Sinopse: Há muitos anos Penelope Featherington frequenta a casa dos Bridgertons. E há muitos anos alimenta uma paixão secreta por Colin, irmão de sua melhor amiga e um dos solteiros mais encantadores e arredios de Londres. Quando ele retorna de uma de suas longas viagens ao exterior, Penelope descobre seu maior segredo por acaso e chega à conclusão de que tudo o que pensava sobre seu objeto de desejo talvez não seja verdade. Ele, por sua vez, também tem uma surpresa: Penelope se transformou, de uma jovem sem graça ignorada por toda a alta sociedade, numa mulher dona de um senso de humor afiado e de uma beleza incomum. Ao deparar com tamanha mudança, Colin, que sempre a enxergara apenas como uma divertida companhia ocasional, começa a querer passar cada vez mais tempo a seu lado. Quando os dois trocam o primeiro beijo, ele não entende como nunca pôde ver o que sempre esteve bem à sua frente. No entanto, quando fica sabendo que ela guarda um segredo ainda maior que o seu, precisa decidir se Penelope é sua maior ameaça ou a promessa de um final feliz.

"Os Segredos de Colin Bridgerton" é meu livro favorito da série por diversas razões: primeiramente, tem amor à primeira vista. Penelope é apaixonada pelo Colin desde nova, principalmente porque o terceiro Bridgerton é o único homem que não a intimida. Com isso, temos o segundo motivo para a minha preferência, essa é a história de como uma longa amizade pode se transformar em amor. O ano é 1824, ou seja, quatro anos após os acontecimentos do terceiro livro, portanto os personagens não são mais tão jovens. Isso, somado ao fato que já os conhecemos dos outros livros da série, contribui para que a caracterização dos protagonistas seja mais completa, dando espaço para a revelação de novas nuances ao longo desse livro.

Ilha de Creta

Também me identifico com a protagonista. Penelope é tímida e não chama atenção pela beleza. Porém no fundo é uma garota inteligente e esperta, que tem que lidar com uma família que não acredita nela. Já o mocinho é meu Bridgerton favorito desde o início. Colin é bem-humorado, simpático, sempre a postos para ajudar os irmãos. Porém, no fundo possui a alma inquieta, uma vez que usa as viagens como válvula de escape para o fato de possuir alguma realização pessoal. Conhecer esse lado do personagem, que também perde a cabeça e possui suas frustrações o torna mais interessante. Juntos, eles estabelecem uma relação baseada na admiração, respeito e principalmente, amizade. Além disso, ambos são extremamente talentosos com as palavras.

Escócia

A ação que movimenta o livro é o desafio lançado por Lady Danbury: mil libras para quem descobrir quem é Lady Whistledown. Isso causará um grande impacto nas relações familiares e de amizade, uma vez que todos são suspeitos. Quem será a colunista? Como ela vai lidar com a aposta? Como a sociedade reagirá quando sua identidade vier à tona?

A playlist de "Os Segredos de Colin Bridgerton" é composta por "Heavy Things" by Phish (“When I tried to step aside / I moved to where they hoped I'd be”), "Legend of a Cowgirl" by Imani Coppola (“Pack my bags and mount my horse / I'm gonna ride on into the next town / Spend all my money on absolutely nothing / Need no man to pay for anything”), "Virginia Woolf" by Indigo Girls (“they published your diary / and that's how i got to know you / the key to the room of your own and a mind without end”) e "Babylon" by David Gray (“Let go your heart  / Let go your head / And feel it now”). Confira as músicas aqui.


- Título Original: Romancing Mister Bridgerton
- Título no Brasil: Os Segredos de Colin Bridgerton
- Autora: Julia Quinn
- Editora: Arqueiro
- Tradução: Cláudia Guimarães
- Páginas: 336










sábado, 22 de agosto de 2015

"E se verdadeira pergunta não se refere a ser, mas a como ser?"





  • Título Original: Just One Day
  • Título no Brasil: Apenas um Dia
  • Autora: Gayle Forman
  • Editora: Novo Conceito
  • Tradução: Ana Paula Doherty
  • Páginas: 384


Allyson Healey está fazendo uma viagem pela Europa junto com sua melhor amiga, Melanie, e aquelas turmas de excursão. A última parada antes de voltar para o EUA, e a faculdade é a Inglaterra. Quando o livro começa, elas estão em Stratford-upon-Avon, na fila pra assistir Hamlet, porém resolvem ver Noite de Reis ao ar livre representado pela companhia Will Guerrilheiro.

No trem para Londres ela reencontra Willem, um garoto holandês que interpretou Sebastian na peça. Ele a acha parecida com Louise Brooks, atriz americana estrela do cinema mudo nos anos 1920, e lhe dá o apelido de Lulu. Ao chegarem em Londres ele propõe acompanhá-la a Paris, cidade que não deu pra visitar no seu tour. Na Cidade Luz, na companhia de Willem, Allyson vive não só o melhor momento de sua viagem, como também de sua vida, uma vez que pela primeira vez ela pode ser quem ela realmente é, não se importando com as expectativas dos outros, principalmente da mãe, q projeta filha a realização do seu maior sonho: estudar medicina. Allyson também se apaixona por Willem, e pelo ideal de liberdade q ele encarna, uma vez que o garoto tem viajado pela Europa, sem rumo certo, se entregando ao acaso, nos últimos anos. Porém, no dia seguinte ela acorda sozinha. 

Ao voltar para os EUA, ela tenta esquecer o que viveu em Paris. O primeiro semestre da faculdade, e do curso preparatório para medicina, não a satisfaz. Pela primeira vez suas notas estão ruins e ela não se mantém distante das colegas de alojamento. Além disso, sua amizade com Melanie está diferente, uma vez que a garota está sempre se reinventando. 

Na virada do ano, ela percebe o quanto está longe da sua identidade e resolve recomeçar. A mudança começa na faculdade, e com a ajuda da orientadora, ela adia algumas disciplinas do preparatório para medicina e inclui algumas de humanas, como Declamação de Shakespeare, apesar da lembrança que a acompanha. Ministrada por um professor excêntrico, o programa daquele semestre possui peças com uma temática em comum: "Mudança de identidade. Mudança de realidade." Durante a declamação de Como Gostais, Allyson percebe o vazio e a solidão em que se encontra e levanta a hipótese de talvez ter sido precipitada ao tirar conclusões quanto ao desaparecimento de Willem. A partir daí, e com a ajuda de Dee, seu novo melhor amigo, e das colegas de alojamento, Allyson resolve levantar informações sobre o garoto, e enfrentar a mãe, uma vez que resolve não estudar medicina. A busca por Willem a leva de volta ao Velho Continente, onde ela também quer resgatar Lulu, a garota que ela quer ser.

Gayle Forman é uma autora conhecida, graças ao sucesso de "Se eu ficar", já adaptado para o cinema. O livro, por ser um Young Adult, discute temas como a busca pela própria identidade, o primeiro amor, a relações com os pais, mas se destaca por utilizar as peças de Shakespeare para apresentar essas questões, comuns nessa fase de amadurecimento. O final é daqueles que nos deixam em suspense, e com mais vontade de ler a continuação, "Apenas um Ano", que já foi publicada no Brasil e apresenta a história pelo ponto de vista de Willem. Também fiquei com vontade de conhecer melhor as obras do Bardo, principalmente as comédias.

"O mundo inteiro é um palco, e todos os homens e mulheres, meros atores. 
Eles saem de cena e entram em cena, e cada um, a seu tempo, representa vários papéis." 
(Como Gostais, William Shakespeare)

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

"A vingança nunca é plena ..." - Os Bridgertons #1

  • Título Original: The Duke and I
  • Título no Brasil: O Duque e Eu
  • Autora: Julia Quinn
  • Editora: Arqueiro
  • Tradução: Cássia Zanon
  • Páginas: 288




Na obra The Bridgertons, composta por nove volumes, Julia Quinn conta a história de oito irmãos e os desafios de se encontrar o amor em meio à sociedade inglesa nas décadas de 1820 e 1830. Esta é uma família peculiar, nem tanto pelo tamanho, e sim pelo fato de terem sido batizados em ordem alfabética, além da semelhança física que eles possuem. Na primeira metade da série se destaca a importância da coluna de Lady Wistledown, que contribui para conhecer a sociedade na qual a história se desenrola, com seus comentários mordazes, irônicos e certeiros. A colunista sabe TODAS as fofocas da sociedade londrina, não tem medo de citar nomes e possui um carinho especial pela família Bridgerton. A especulação quanto a sua identidade é uma constante nos diálogos dos personagens, assim como os sentimentos que nutrem por ela, uma mistura de fascínio, admiração e ódio. 

O ano é 1813. A protagonista da família é Daphne, a quarta filha, e a mais velha entre as mulheres. Daphne já está na terceira temporada em busca de um casamento, e apesar da boa aparência, família e fortuna, ainda não encontrou um marido. A explicação seria que os homens a vêem como uma boa amiga. Por outro lado, Simon tem tudo para ser o principal partido da temporada, afinal é um Duque.  Porém, a mágoa que nutre pelo pai desde a infância, que o rejeitou pelo fato de ser gago, e, portanto, um herdeiro imperfeito, continua forte, levando-o a decisão de não se casar, a fim de extinguir o ducado.

Quando Simon conhece Daphne, irmã do seu melhor amigo Anthony, ele apresenta uma opinião diferente para sua solteirice: ter três irmãos mais velhos, e frequentar a sociedade com eles afugentaria os pretendentes. Porém, para testar a hipótese da Daphne, eles fazem um trato: ele fingiria cortejá-la, o que poderia despertar o interesse dos outros cavalheiros, ao mesmo tempo em que o preserva do assédio das mães casamenteiras.  A proximidade entre os dois logo uma se transforma em paixão, mas a obsessão do Duque em sua vingança pode colocar tudo a perder. 

Observatório de Greenwich, local visitado pela família Bridgerton e o Duque durante a história.

Uma das coisas mais legais nessa série é a ampla participação dos personagens coadjuvantes na história. Violet, mãe dos irmãos Brigdertons é viúva, e seus esforços em ver todos os filhos casados pode ser comparados com o da Sra. Bennet, porém a Viscondessa é mais simpática e esperta. É invejável como ela consegue fazer com que todos os filhos a obedeçam. Dentre os outros irmãos, nesse volume destacam-se Anthony, o irmão mais velho e chefe da família. Ele é muito ciumento e não confia nem no melhor amigo, por conhecer sua reputação de libertino. Temos também o Colin, o terceiro filho e o mais divertido. A proximidade de idade entre ele e Daphne os tornou muito unidos, tanto que ele sempre apóia a irmã. A caçula dos Bridgertons, Hyacinth, é uma figura, apresentando muita espirituosidade desde a infância. 


Em seus livros, Julia Quinn apresenta uma boa caracterização da época, reproduzindo com veracidade os costumes e hábitos da sociedade inglesa do início do século XIX. Ela também equilibra com competência romance, humor e drama e constrói assim o livro leve com uma trama que te prende até a última página.

A autora gosta de fazer playlists para seus livros. A página Julia Quinn Society of Brazil divulgou esse playlist com os comentários. No caso de "O Duque e Eu" as músicas escolhidas foram: 

Take my hand - Dido 
"Touch my skin, and tell me what you're thinking.
Take my hand, and show me where we're going." 

Mouth - Merril Bainbridge
"Would it be my fault if I could turn you on?
Would I be so bad if I could turn you on?"


God only knows -  The Beach Boys
"You never need to doubt it
I'll make you so sure about it"

Pretty in pink - Psychedelic  Furs
"She's pretty in pink
Isn't she"