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domingo, 3 de janeiro de 2016

“Reader, I married him.” (Jane Eyre)


(por Aline Tavares)


Título no Brasil: O Casamento da Princesa
Título Original: Princess Diaries Royal
Wedding
Autora: Meg Cabot
Tradução: Alice Melo
Editora: Galera Record
Páginas: 448

A primeira resenha do ano, ao contrário do que indica o título, não é de um dos livros das irmãs Brontë (até porque não li Jane Eyre, ainda ). Falarei hoje sobre o livro mais divertido lido do ano de 2015, da minha terceira autora preferida, Meg Cabot (atrás somente de Jane Austen e J.K. Rowling), O Casamento Real, décimo primeiro livro da série O Diário da Princesa.



Essa série ocupa um lugar muito especial no coração de muitos leitores, uma vez que muitos de nós crescemos acompanhando as aventuras de Mia Thermopolis, uma garota nova iorquina que descobre ser herdeira de um principado europeu quando seu pai fica infértil devido a um câncer. Mia era uma adolescente comum e verá sua vida virar de cabeça para baixo com a notícia, uma vez que sai do anonimato para uma vida cheia de festas, recepções e aparições em público, seja em NY ou em Genovia, onde cada atitude sua é vigiada. A série de livros rendeu dois filmes legais, apesar das muitas diferenças em relações aos livros.


O primeiro livro foi lançado em 2000 e o décimo, que coincide com a formatura da Princesa na High School, foi lançado em 2009. Ao longo desse período acompanhamos Mia tendo de lidar com suas neuras (em especial a hipocondria), as dificuldades no colégio, as Lições de Princesa ministradas pela temível Gradmère, os desafios nas relações com amigos, colegas e família, e o romance com o nerd Michael Moscovitiz, o grande amor da Princesa. Mas uma das coisas que mais gosto na série é a sintonia com a cultura pop do período, que aparece na forma de livros, filmes, séries, músicas, celebridades, e facilitam a identificação com a história.


O décimo primeiro livro foi lançado em comemoração aos 15 anos do início do lançamento da série. No livro a princesa Mia conta o “inferno astral” que antecede o seu aniversário nesse ano: o pai está preso, o clima político em Genovia é tenso e ela não pode sair do consulado para nada, nem para o trabalho no Centro Comunitário que fundou, por causa de um stalker. No meio disso tudo Michael a leva para o Caribe e faz o pedido de casamento. Mas o retorno para a vida real aguarda muitas surpresas, entre elas uma meia irmã pré adolescente que mora em New Jersey.
O livro garante muitas gargalhadas com as trapalhadas da Princesa, mesmo depois de amadurecer um pouco. Dá para matar a saudade de personagens queridos e se encantar por novos, como a fofa Olivia Grace. A série continua antenada com acontecimentos da cultura pop, mas também discute temas mais sérios, como, por exemplo, a crise dos refugiados na Europa e o empoderamento feminino. Uma leitura divertida, com um toque de nostalgia.



Então precisa decidir, Principessa, o que quer fazer: vai calçar os sapatos de diamante e ir ao baile? Ou vai tirá-los e ficar em casa?

sábado, 28 de novembro de 2015

Às vezes, "eu te amo" é o mais difícil de dizer.


Título no Brasil:  Amy e Matthew
Título Original: Say What You Will
Autora: Cammie McGovern
Tradução: Raquel Zampil
Editora: Galera Record
Páginas: 336
Sinopse: Amy e Matthew não se conheciam realmente. Não eram amigos. Matthew sabia quem ela era, claro, mas ele também sabia quem eram várias outras pessoas que não eram seus amigos.Amy tinha uma eterna fachada de felicidade estampada em seu rosto, mesmo tendo uma debilitante deficiência que restringe seus movimentos. Matthew nunca planejou contar a Amy o que pensava, mas depois que a diz para enxergar a realidade e parar de se enganar, ela percebe que é exatamente de alguém assim que precisa. À medida que passam mais tempo juntos, Amy descobre que Matthew também tem seus problemas e segredos, e decide tentar ajudá-lo da mesma forma que ele a ajudou. E quando a relação que começou como uma amizade se transforma em outra coisa que nenhum dos dois esperava (ou sabe definir), eles percebem que falam tudo um para o outro... exceto o que mais importa

   Amy e Matthew é um daqueles livros que você devora em poucos dias de tão gostosa que é a leitura. Sua historia é simples e bonita que transmite uma mensagem super legal na forma como nossos protagonistas  enfrentam suas dificuldades e , principalmente, como eles aprendem com os seus erros.

    Nossos protagonistas apesar de serem completamente diferentes, cada um com suas dificuldades e problemas,  combinam de uma forma que somente eles entendem. Amy uma jovem inteligente que por conta de sua paralisia não possui muitos amigos e Matthew  um jovem que enfrenta problemas com TOC. Ambos conseguem, juntos, enfrentam seus medos e inseguranças da adolescência  e de suas próprias vidas.

    A autora usa de vários artifícios  para tornar a leitura interessante e nada cansativa, como por exemplo, os emails que os protagonistas trocam,  deixando o livro muito mais próximo da nossa realidade. Durante toda leitura Cammie McGovern nos faz torcer pelos personagens  e no final acabar amando os dois.  E o que me surpreendeu muito  foi a forma como a historia foi se desenvolvendo e fiquei mais satisfeita ainda com esse romance tão diferente do que costumamos ver. 


  Esse é o primeiro livro destinado a publico jovem adulto escrito pela autora que é uma das fundadoras do  Whole Children que dá assistência para crianças com necessidades especiais, o que muito provavelmente a incentivou a escrever essa história. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

"Ninguém disse que a melhora seria uma jornada em linha reta."

Por Aline Tavares


Título no Brasil: À procura de Audrey 
Título original: Finding Audrey 
Autora: Sophie Kinsella 
Tradução: Glenda D'Oliveira 
Editora: Galera Record 
Páginas: 336
Sinopse: 
Audrey, 14 anos, leva uma vida relativamente comum, até que começa a sofrer bullying na escola. Aos poucos, a menina perde completamente a vontade de estudar e conhecer novas pessoas. Sem coragem de sair de casa e escondida por um par de óculos escuros, a luz parece ter mesmo sumido de sua vida. Até que ela encontra Linus e aprende uma valiosa lição: mesmo perdida, uma pessoa pode encontrar o amor.

Sophie Kinsella já é uma conhecida autora de chick-lits, em especial a série Becky Bloom, que conta as trapalhadas da nossa compradora compulsiva favorita. Em À procura de Audrey, a escritora mostra a sua versatilidade ao escrever um Young Adult. Para se aproximar do público jovem, o chamariz da obra é o bullying. Porém, ao invés de narrar os atos de violência, Kinsella destaca as consequências psiquiatras da agressão, os desafios do tratamento e o impacto disso nas relações familiares. 

Após sofrer bullying na escola, a jovem Audrey, em decorrência da depressão e dos transtornos de ansiedade não sai mais de casa, nem consegue manter contato visual com as pessoas, incluindo os membros de sua família. Para auxiliar no tratamento, sua terapeuta propõe que Audrey faça um documentário sobre sua rotina. Assim, o livro alterna a narrativa em primeira pessoa com a transcrição dessas filmagens. Enquanto isso, a garota se aproxima de Linus, um amigo do seu irmão mais velho, e lidar com o tratamento e com o desenvolvimento do primeiro amor é mais um desafio que Audrey terá que enfrentar. 

A escritora aproveita sua experiência voltada para o público adulto para abordar os desafios da convivência familiar, principalmente a relação entre pais e filhos. Essa situação é exacerbada pelo conflito entre a mãe e o irmão mais velho de Audrey, uma vez que a mãe, que parou de trabalhar quando a garota ficou doente, acredita que o filho está viciado em tecnologia, enquanto o garoto pretende participar de um torneio de um jogo online. Essa situação rende momentos hilários, arrancando boas gargalhadas, como é comum nos livros da Sophie Kinsella.

E assim, em À procura de Audrey a autora conquista o público jovem e o concilia com o adulto, em obra para ser lida por toda a família. 

sábado, 26 de setembro de 2015

Todo dia um corpo diferente. Todo dia uma vida diferente. Cada dia amando a mesma garota.







Título: Todo dia
Título original: Every Day
Autor: David Levithan
Páginas: 279
Tradução: Ana Resende
Editora: Galera Record








Sinopse:  Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.

"Todo dia" conta a história de A, um viajante de corpos. Sim, viajante de corpos, não se sabe se A é uma alma, um extraterrestre ou seja lá o que for, ele é simplesmente ele. A cada 24 horas ele acorda em um corpo diferente, não importa o sexo, a classe social, a personalidade, o único padrão é que ele toma o corpo de quem tiver a sua idade (16 anos).

Andrew - ou A - segue duas regras não interferir, nem se envolver na vida das pessoas. Ele apenas acorda, acessa as memórias do corpo para saber do que precisa para passar aquele dia bem e continua vivendo. Até um dia ele acordar no corpo de um rapaz chamado Justin e conhecer Rhiannon, a namorada do rapaz.


A partir daí ocorre um grande dilema. Antes, ele só precisa se preocupar com um dia de cada vez, agora, não consegue deixar o passado para trás e insiste em manter contato com essa garota tímida e atraente, e a cada vez sabendo mais sobre ela. Até onde isso dará?

A história nos instiga a querer saber o que acontece a seguir, e os diferentes gêneros textuais (diálogos, e-mails e prosa) atrelado aos capítulos razoavelmente curtos, aceleram o ritmo de leitura. 

O que eu mais gostei na história foi a criatividade do autor, a forma como ele desenvolveu a personagem principal, o mistério, dizendo muito coisa e sem revelar nada. Não tem explicação científica, nem espiritual, nada. Você conhece o A e pronto. Foi legal perceber quantas pessoas são diferentes e como A lida com todas elas. Ele já foi gay, lésbica, jogador de futebol americano, uma pessoa normal, a garota gostosa mais popular do colégio, drogado, depressivo suicida, , um nerd etc. A é totalmente desprovido de preconceitos. É algo ou alguém que todos deveriam tentar ser, mesmo que a gente não saiba direito o que é. Eu recomendo este livro por essa razão. Precisamos de mais histórias que nos faça refletir e sentir.

sábado, 27 de junho de 2015

Quem é o narrador da sua história?





  • Título: O Livro dos Vilões
  • Autor: #Stepsisters - Cecily von Ziegesar; Menina Veneno - Carina Rissi; The Deeper the Thorn - Diana Peterfreund; A Menina e o Lobo - Fábio Yabu
  • Editora Galera Record
  • Tradução: Ryta Vinagre
  • Número de págs: 320

  • Hoje não trago apenas mais uma resenha. Sempre gostei de livros “vazios”, daqueles que não trazem uma análise, mas sim uma história linear fechada, com início, meio e fim. E, por mais bobo que possa parecer, O Livro dos Vilões é exatamente o oposto. Você pode pensar “ah, mas conto de fada é coisa de criança”. Só tenho uma coisa a dizer: Você está errado.


    Sempre consideramos que vilão é coisa de novela ou de história. Mas você já parou pra pensar que na SUA história existe um vilão? Ou mais, já pensou que VOCÊ pode ser o vilão da história de alguém? Cecily von Ziegesar e Carina Rissi trouxeram histórias que mostram que no “mundo real” podem existir  vilões. A velha história da madrasta que não suporta a enteada pode parecer boba, mas existe, possivelmente você encontra uma no seu bairro, na sua rua talvez. Já Diana Peterfreud mostra que dentro de cada um de nós existe um vilão em potencial, e ele se mostra quando nos decepcionam. Alguns chamam de “vingança”, Diana chama de “lado vilão”. E Fábio Yabu cria uma história espetacular a partir da fábula da Chapeuzinho Vermelho. E foi essa história que me fez chegar a seguinte pergunta: Quem narra a sua história?


    As narrativas do Livro dos Vilões são feitas a partir dos personagens considerados vilões das histórias tradicionais, respectivamente as irmãs da Cinderela, a madrasta da Branca de Neve, Malévola (bruxa da Bela Adormecida) e o Lobo Mau. É interessante imaginar como seria o outro lado das histórias que nossos pais contavam pra gente dormir. E sempre nos imaginávamos na pele dos heróis, príncipes, heroínas e princesas dessas histórias. Mas nunca ninguém se imaginou na pele dos malvados, dos vilões. Mas nossas escolhas no nosso dia a dia estão nos levando por qual caminho?
    Os quatro autores aqui citados demonstraram uma criatividade indubitável na hora de criar esses contos (confesso que imaginar uma “vingancinha” da Gata Borralheira me deu um certo orgulho da mocinha). Todos trazem uma pequena reflexão para cada um de nós: “Ate onde vai a inocência de alguém?”, “Ate onde iríamos pelo sucesso, pelo dinheiro, pela “normalidade”?”, “Será que vale a pena mentir para ser aceito?”, “Porque somos o que somos? Seríamos diferentes se tivéssemos escolha? Temos essa escolha?”. Toda história possui vários lados, vários ângulos, vários pontos de vista.
    Não estou questionando aqui a origem dos contos de fada, nem se estão certos ou errados. São histórias inventadas a partir de uma vertente, e qualquer ser racional e criativo pode inventar histórias a partir da mesma vertente. Apenas inverto os papéis, tornando você, leitor, no personagem. Quem é você na história em que você vive? Você é o narrador da sua história, ou existe um narrador que não você, te tornando apenas mais um personagem controlado pela narração? Afinal, por que o Lobo Mau é mau? Por que a rainha má é má? Por que o príncipe encantado é encantado? Consegue entender onde quero chegar?
    Os seres dos contos são o que são. São seres inanimados, inventados por alguém, e eles são o que esse alguém diz que eles são. Mas você não é assim. Você é racional, criativo, capaz de fazer escolhas e responder por suas consequências. Não podemos deixar que narrem nossa história, que definam quem somos, que nos obriguem a seguir um roteiro. Ao nascermos – sim, nascemos, não ‘fomos inventados’ – recebemos um presente chamado Livre Arbítrio, que é como se fosse uma caneta, com a qual escreveremos nossa história. Quando nos tornamos adultos, essa “caneta” é deixada exclusivamente em nossas mãos. E o que temos feito? Colocado nas mãos de outras pessoas para que escrevam nossa história? Ou temos sido nossos próprios narradores, escrevendo, vivendo?

    O Livro dos Vilões me trouxe essas questões, e, caro leitor, a uma conclusão cheguei: Ninguém nasce mocinho ou vilão. Todos temos o potencial dentro de nós, para o bem e para o mal, e os usamos alternadamente, o que nos torna vilões em alguns casos, mocinhos em outros. Não significa que vamos envenenar alguém  à certa altura, nem que seremos envenenados, mas em coisas pequenas: praticar bullying ou defender uma vítima? Devolver uma carteira perdida ou ficar com o dinheiro? Rir e filmar alguém que caiu na lama ou ajudar? Quem decide se você é vilão ou mocinho é você. Você é o narrador da sua própria história. Escreva!