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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

BEDA #3 Marian Keyes é chick-lit, mas dela eu gosto!


Não é novidade para quem já leu minhas resenhas que não sou fã do gênero romântico e que quando leio algo desse gênero acabo encontrando erros, problemas, defeitos e critico negativamente o livro, mas assim como tudo no mundo existe uma exceção! E essa exceção se chama Marian Keyes !
Marian Keyes é uma escritora irlandesa nascida em 1963. Graduou-se em Direito na Universidade de Dublin, porém não exerceu a profissão. Ela morou por alguns anos em Londres trabalhando como garçonete e/ou escritório durante esses anos. 
Dona de vários Best Sellers do gênero Chick Lit, Marian trata do universo feminino de forma bem humorada, leve e com muito tato, conseguindo abordar temas como luto, depressão pós-parto, violência doméstica e estagnação emocional e profissional. Ela é dona do que fala, sabe do que fala e como falar. Nos faz pensar e refletir sobre o assunto.
Para quem for a Bienal de São Paulo desse ano pode encontrar essa diva na Arena Cultural no dia 28 de Agosto às 11h e quem quiser pode comprar um livro dela pedir um autógrafo e mandar aqui pra casa! Serei eternamente grata! (kkk)
Vamos as sinopses das obras desse “serumaninho”  lindo?

·         Melancia (Watermelon) (2003)
É o primeiro livro da autora e também o que nos introduz a família Walsh, que será nossa companheira e nossa segunda família na série de livros conhecidos como “Família Walsh” em que a autora dá voz a cada uma das integrantes femininas do clã Walsh, nos apresentando suas vidas e dramas pessoais. Além disso em cada livro somos apresentados mais um pouco a família de forma geral!
"Melancia" é um romance sobre a arte de manter o bom humor mesmo nos momentos mais adversos. Com 29 anos, uma filha recém-nascida e um marido que acabou de confessar um caso de mais de seis meses com a vizinha também casada, Claire se resume a um coração partido, um corpo inteiramente redondo, aparentando uma melancia, e os efeitos colaterais de gravidez, como, digamos, um canal de nascimento dez vezes maior que seu tamanho normal! Nada tendo em vista que a anime, Claire volta a morar com sua excêntrica família: duas irmãs, uma delas obcecada pelo oculto, e a outra, uma demolidora de corações; a mãe viciada em telenovelas e com fobia de cozinha; e o pai, à beira de um ataque de nervos. Após passar alguns dias em depressão, bebendo e chorando, Claire decide avaliar os prós e os contras de um casamento de três anos. É justamente nessa hora que James, seu ex-marido, reaparece. Claire irá recebê-lo, mas lhe reservará uma bela surpresa.

·         Férias! (Rachel's Holiday) (2004)
Rachel Walsh tem 27 anos e a grande mágoa de calçar 40. Ela namora Luke Costello, um homem que usa calças de couro justas. E é amiga - pode-se mesmo dizer muy amiga - de drogas. Até que a sua vida vai para o Claustro - a versão irlandesa da Clínica Betty Ford. Ela fica uma fera. Afinal, não é magra o bastante para ser uma toxicômana, certo? Mas, olhando para o lado positivo das coisas, esses centros de reabilitação são cheios de banheiras de hidromassagem, academia e artistas semifissurados (ao menos ela assim ouviu dizer). De mais a mais, bem que já está mesmo na hora de tirar umas feriazinhas. Rachel encontra mais homens de meia-idade usando suéteres marrons e sessões de terapia em grupo do que poderia supor a sua vã filosofia. E o pior é que parecem esperar que ela entre no esquema! Mas quem quer abrir as janelas da alma, quando a vista está longe de ser espetacular? Cheia de dor-de-cotovelo (o nome do cotovelo é Luke), ela busca salvação em Chris, um Homem com um Passado. Um homem que pode dar mais trabalho do que vale... Rachel é levada da dependência química para o terreno desconhecido da maturidade, passando por uma ou duas histórias de amor, neste romance que é, a um tempo, comovente, forte e muito, muito engraçado.

·         Sushi (Sushi for Beginners) (2004)
Sushi" é um livro sobre a busca da felicidade. E ensina que, quando você deixa as coisas ferverem sob a superfície por tempo demais, cedo ou tarde elas acabam transbordando. Perspicaz, engraçado e humano, este romance de Marian Keyes consolida sua posição como a mais popular jovem autora da Grã- Bretanha. Lisa Edwards, a durona e sofisticada editora de revistas, acha que sua vida acabou, quando descobre que seu novo emprego "fabuloso" não passa de uma ordem de deportação para a Irlanda, com a missão de lançar a revista Garota. Ashling Kennedy, a editora assistente da Garota, também tem seus problemas. É a Rainha da Ansiedade, e não é de hoje que sente que algo não está cem por cento na sua vida. E não só porque o que lhe sobra são bolsas, falta em cintura e namorado - mas porque, no fundo, no fundo, falta algo mais, como aquele pontinho minúsculo que fica na tela quando a gente desliga a TV à noite. Conhecida como "Princesa", a vida sempre deu a Clodagh tudo que queria (e por que haveria de ser diferente, quando se é a garota mais bonita da turma?). Ao lado de seu príncipe e dois filhinhos encantadores, ela vive um conto de fadas doméstico em seu castelo. Mas então, por que será que nos últimos tempos anda sentindo vontade - e não pela primeira vez - de beijar um sapo? (Abrindo o jogo: de dormir com um sapo).

·         Casório?! (Lucy Sullivan is Getting Married) (2005)
Lucy Sullivan vai se casar. Essa moça de 26 anos, que divide o apartamento com as amigas, não tem dúvidas de que, dentro de poucos meses, estará entrando na igreja durante uma linda cerimônia. Só falta um pequeno detalhe: o noivo! Mas Lucy, que nem ao menos tem um namorado e nunca foi muito bem-sucedida no amor, confia piamente nas previsões de sua cartomante e iniciará uma busca incessante (e hilariante) por um bom partido: ele só precisa ser bonito, inteligente e não lembrar em nada o seu pai.

·         É Agora... ou Nunca (Last Chance Saloon) (2006)
Tara, Katherine e Fintan são amigos inseparáveis. Nascidos no interior da Irlanda, partiram juntos para Londres e se deram muito bem profissionalmente, pelo menos. Pois, nas grandes cidades, o mercado amoroso está saturadíssimo! E os corações dos três, todos na faixa dos trinta e poucos anos, podem não agüentar: o de Tara já se partiu, o de Katherine está prestes congelar e o de Fintan pode até parar de bater. É chegada então a hora de gritar por mudanças... ou calar-se para sempre!

·         Los Angeles (Angels) (2007)
Maggie sempre foi uma anjinha, a cria mais certinha da complicada (e engraçadíssima) família Walsh... até se cansar de andar na linha e mandar todas as regras que a prendiam a um dia-a-dia em sal (e muito menos açúcar) às favas - a começar pelo casamento (que, para o bem da verdade, nunca havia realmente engrenado) e o trabalho bitolante numa firma de advocacia. Ao largar essa vida em preto e branco no passado, Maggie decide se mandar para o lugar onde a realidade promete ser em Technicolor: Hollywood, claro! Terra do glamour, da liberdade, da beleza (até as palmeiras das calçadas são magras), da luxúria e, obviamente, da diversão!

·         Um Best Seller pra Chamar de Meu (The Other Side of the Story) (2008)
Jojo é a personagem focada, com olhos bem atentos às nuvens para não errar o plano de vôo, mas como nada é perfeito... ela acaba se apaixonando por um dos seus chefes; justamente o casado. Lily Wright ainda está colhendo os frutos de seu romance de estréia. Contudo, seu segundo livro parece que se nega a sair de sua cabeça, e o prazo de entrega... vai para o espaço. Acontece que Lily ouviu os conselhos do "amor da sua vida" e gastou quase todo dinheiro na compra de uma casa. E agora?
Para completar o elenco principal, Gemma Hogan. Organizadora de eventos, era a melhor amiga de Lily, até se apaixonar pelo amor da sua vida, que coincidentemente (ou não) é o mesmo do de sua melhor amiga. Gemma cuida da mãe recém-abandonada pelo marido e leva uma vida social sem grandes emoções. Gemma e Jojo acabam trabalhando juntas.

·         Tem Alguém Aí? (Anybody Out There?) (2009)
Anna Walsh é um desastre ambulante. Ferida fisicamente e emocionalmente destruída, ela passa os dias deitada no sofá da casa de seus pais em Dublin com uma ideia fixa na cabeça: voltar para Nova York.
Nova York é onde estão seus melhores amigos, é onde fica o Melhor Emprego do Mundo®, que lhe dá acesso a uma quantidade estonteante de produtos de beleza, mas também, e acima de tudo, é a cidade que representa Aidan, seu marido.
Só que nada na vida dela é simples...
Sua volta para Manhattan se torna complicada não só por conta de suas cicatrizes físicas e emocionais, mas também porque Aidan parece ter desaparecido.
Será que é hora de Anna tocar sua vida pra frente? Será que ela vai conseguir (tocar a gente sabe que sim; o negócio é pra frente)?
Uma série de desencontros, uma revelação estarrecedora, dois recém-nascidos e um casamento muito esquisito talvez ajudem Anna a encontrar algumas respostas. E talvez transformem sua vida... para sempre.

·         Cheio de Charme (This Charming Man) (2010)
Como todo fim de ano, chega em novembro às livrarias mais uma aventura da sensacional Marian Keys. Quatro mulheres diferentes. Um homem terrivelmente sedutor. E o segredo sombrio que conecta a todos. Esse é Cheio de Charme.
A estilista Lola tem todos os motivos para chocar-se com a notícia do casamento: apesar de ser a namorada do cara, ela não é, definitivamente, a noiva. Já a jornalista Grace conheceu Paddy há muito tempo, mas por algum motivo não consegue esquecê-lo. Marnie, casada e com filhos, não tira da cabeça o político conquistador, seu amor adolescente. E Alicia, a noiva, fará de tudo para preservar seu reinado.

·         A Estrela Mais Brilhante do Céu (The Brightest Star in the Sky) (2011)
Existe um misterioso espírito que paira sobre o edifício número 66 da Star Street, em Dublin, Irlanda. Ele está em uma missão para mudar a vida de alguém. Em A Estrela Mais Brilhante do Céu, Marian Keyes demonstra mais uma vez sua técnica como uma dos grandes contadores de histórias da atualidade e sua vontade de ultrapassar limites na literatura.
Os inquilinos do prédio 66 formam certamente um grupo excêntrico. Na cobertura mora Katie, uma mulher de 39 anos que trabalha como relações públicas de cantores e que só se preocupa com o tamanho de suas coxas e se seu namorado irá propor casamento. No apartamento abaixo, dividem o espaço dois poloneses mais a engraçada Lydia. No primeiro andar está Jéssica, a octogenária que vive com seu malvado cachorro e o filho adotivo. Já no térreo estão os recém-casados Maeve e Matt, que por mais que tentem esquecer o passado, não conseguirão.

·         Chá de Sumiço (The Mistery of Mercy Close) (2013)
Helen Walsh não vive um bom momento. O trabalho como detetive particular não vai bem, o apartamento foi tomado por falta de pagamento e um ex- namorado surge com uma proposta de trabalho: encontrar o desaparecido músico da Laddz, a boy band do momento. Precisando do dinheiro, ela se vê forçada a aceitar, o que causa uma confusão em sua cabeça ao conviver com o ex e precisar acalmar o atual namorado. Ao tentar seguir suas próprias regras, Helen será arrastada para o mundo complexo, perigoso e glamoroso do showbiz, percebendo que seu pior inimigo ainda está por surgir. Irresistível, comovente e muito engraçado, Chá de sumiço é diferente de todos os romances do gênero, e a protagonista – corajosa, vulnerável e dona de uma língua afiadíssima – é a heroína perfeita para os novos tempos

·         Mamãe Walsh: Pequeno dicionário da família (Mammy Walsh's A-Z Of The Walsh Family) (2014)
Cheio de humor, cheio de lágrimas, cheio de emoção e de vida. Depois de histórias que envolviam suas cinco filhas Claire, Margaret, Rachel, Anna e Helen , faltava um livro que trouxesse as palavras da matriarca de uma das famílias mais divertidas da literatura. Em Mamãe Walsh - Pequeno Dicionário da Família Walsh, Marian Keyes apresenta mais um exemplo que explica porque ela se tornou a maior escritora de chick-lit do planeta. A obra traz uma compilação de expressões que fazem o leitor compreender ainda melhor essa inusitada família. Em cada uma delas, a chefe do clã narra acontecimentos que ilustram o tema, como H de Homens de verdade, em que ela conta as aventuras com grandes exemplares do sexo masculino; ou C de Cozinha, com histórias sobre o dom culinário dos Walsh. Mamãe Walsh produzirá no leitor lembranças de cada um dos títulos anteriores de Marian, de Melancia a Chá de sumiço, causando identificação instantânea: quem nunca passou por situações loucas na vida? Um livro que convida todos a se divertirem mais uma vez com esses incríveis personagens.

·         A Mulher que Roubou Minha Vida (The Woman Who Stole My Life (2015)
Um dia, andando de carro em meio ao tráfego pesado de Dublin, Stella Sweeney, mãe e esposa dedicada, resolve fazer uma boa ação. O acidente de carro que resulta disso muda sua vida. Porque ela conhece um homem que lhe pede o número do seu celular para o seguro, plantando a semente de algo que levará Stella muitos quilômetros para longe de sua antiga rotina, transformando-a em uma superestrela e também, nesse processo, virando a sua vida e a de sua família de cabeça para baixo. Em seu novo e divertido romance, Marian Keyes narra a história de uma mudança de vida. É tudo muito bom quando se passa de um cotidiano banal para dias cheios de eventos glamorosos — mas, quando essa vida de sonhos é ameaçada, pode-se (ou deve-se) voltar a ser a pessoa que se costumava ser?


E então? O que acham de num futuro próximo fazermos resenha de cada um desses livros? 
Por hoje é só!
Deborah M.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Pode um casamento de aparências se tornar real?

Título no Brasil: Casamento de Conveniência
Título Original: The Convenient MarriageAutora: Georgette HeyerTradução:
Editora: Grupo Editorial RecordPáginas: 336

Georgette Heyer é considerada a grande dama do romance histórico britânico. Nascida em 1902, ela foi uma mulher singular para sua época. Tornou-se autora de best sellers ainda muito jovem - aos 19 anos, em seu primeiro livro publicado. Sempre alheia a publicidade, manteve sua vida particular preservada e nunca deu uma entrevista sequer. Apenas respondia às cartas dos fãs que levantavam questões históricas que considerasse relevantes. Experimentou escrever sob um pseudônimo - Stella Martin - em seu terceiro livro, alcançando definitivamente o hall dos grandes escritores. Pioneira em seu gênero literário, mulher da qual diziam ter “uma cabeça masculina”, suas obras retratam com precisão histórica os costumes ingleses, em fragmentos genuínos sobre moda, hábitos, linguagem, convenções sociais, e sempre trazendo um tom de sarcasmo e humor.

Sinopse: Ambientado em 1776, Casamento de conveniência foi publicado pela primeira vez em 1934. Numa revolução literária para a época, o casamento não é visto como o final feliz para a história, mas como seu ponto de partida, o mote a partir do qual a trama se desenvolve.

Quando o conde de Rule pede a mão de Elizabeth Winwood, não sabe o problema que causará à bela jovem. Ela está comprometida com o admirável mas pobre tenente Heron. O final infeliz para essa história só pode ser impedido pela impetuosidade da irmã mais nova de Elizabeth, Horatia, que se oferece para se casar com lorde Rule. (Site da editora)


Como eu costumo dizer: os romances de época me perseguem. Mal tinha entrado na biblioteca mês passado e esse livro surgiu na minha frente. Não resisti. A leitura foi uma surpresa, uma vez que há muitas diferenças em relação aos romances de época que conhecemos atualmente. A protagonista, Horatia Winwood, é bem jovem, pouco atraente e gaga. Porém possui uma personalidade marcante, afinal, é ela quem pede Conde de Rule em casamento. Esse, por sua vez, esconde por trás da aparência indolente, a mente perspicaz. As bodas são celebradas com o objetivo de satisfazer as necessidades do Conde, que precisa de um herdeiro, e dos Winwood, endividados devido as extravagâncias do irmão de Horry, o atual Visconde. Como o título indica, um casamento de conveniência, à moda francesa, onde os cônjuges acordam não interferir na vida privada um do outro.

Narrado em terceira pessoa, a história não se limita em contar a dinâmica dos recém casados, ao mostrar os pensamentos e ações dos principais interessados no futuro desse relacionamento. Entre os que se dispõe a atrapalhar, temos um primo do Conde, que até então seria seu herdeiro, a amante de Rule, que vê sua posição ameaçada, e um antigo desafeto, que possui como objetivo de vida humilhar o aristocrata. Do outro lado, temos o Visconde de Winwood, um jovem viciado no jogo, endividado, mas que adora a irmã e está disposto a tudo para proteger sua reputação, inclusive se meter em confusões que nos arrancam muitas gargalhadas.
Ambientado no final do século XVIII, durante a Era Georgiana, o livro apresenta uma caracterização de época impecável, desde o vestuário, as atividades de lazer, como os jogos mais populares, as influências francesas sobre a aristocracia inglesa, a linguagem, entre outras. Essa é uma das principais características da autora, já falecida, que em sua obra utiliza-se da ironia para mostrar como o excesso de ociosidade pode ser nocivo, e o vazio que caracterizava muitas das relações naquele período. O livro me deixou curiosa para ler as outras obras da autora.

Georgette Heyer nasceu em 16 de agosto de 1902, em Wimbledon. Quando morreu, aos 71 anos, tinha publicado mais de cinquenta obras, traduzidas para dez idiomas, entre elas 11 histórias de detetive. As tiragens de seus livros variavam entre 60 mil e 120 mil exemplares - num período de recessão mundial em que não se podia recorrer a trens, jornais e correio. Apesar de nunca ter cedido à imprensa, suas obram sobrevivem. (Site da editora)


domingo, 3 de janeiro de 2016

“Reader, I married him.” (Jane Eyre)


(por Aline Tavares)


Título no Brasil: O Casamento da Princesa
Título Original: Princess Diaries Royal
Wedding
Autora: Meg Cabot
Tradução: Alice Melo
Editora: Galera Record
Páginas: 448

A primeira resenha do ano, ao contrário do que indica o título, não é de um dos livros das irmãs Brontë (até porque não li Jane Eyre, ainda ). Falarei hoje sobre o livro mais divertido lido do ano de 2015, da minha terceira autora preferida, Meg Cabot (atrás somente de Jane Austen e J.K. Rowling), O Casamento Real, décimo primeiro livro da série O Diário da Princesa.



Essa série ocupa um lugar muito especial no coração de muitos leitores, uma vez que muitos de nós crescemos acompanhando as aventuras de Mia Thermopolis, uma garota nova iorquina que descobre ser herdeira de um principado europeu quando seu pai fica infértil devido a um câncer. Mia era uma adolescente comum e verá sua vida virar de cabeça para baixo com a notícia, uma vez que sai do anonimato para uma vida cheia de festas, recepções e aparições em público, seja em NY ou em Genovia, onde cada atitude sua é vigiada. A série de livros rendeu dois filmes legais, apesar das muitas diferenças em relações aos livros.


O primeiro livro foi lançado em 2000 e o décimo, que coincide com a formatura da Princesa na High School, foi lançado em 2009. Ao longo desse período acompanhamos Mia tendo de lidar com suas neuras (em especial a hipocondria), as dificuldades no colégio, as Lições de Princesa ministradas pela temível Gradmère, os desafios nas relações com amigos, colegas e família, e o romance com o nerd Michael Moscovitiz, o grande amor da Princesa. Mas uma das coisas que mais gosto na série é a sintonia com a cultura pop do período, que aparece na forma de livros, filmes, séries, músicas, celebridades, e facilitam a identificação com a história.


O décimo primeiro livro foi lançado em comemoração aos 15 anos do início do lançamento da série. No livro a princesa Mia conta o “inferno astral” que antecede o seu aniversário nesse ano: o pai está preso, o clima político em Genovia é tenso e ela não pode sair do consulado para nada, nem para o trabalho no Centro Comunitário que fundou, por causa de um stalker. No meio disso tudo Michael a leva para o Caribe e faz o pedido de casamento. Mas o retorno para a vida real aguarda muitas surpresas, entre elas uma meia irmã pré adolescente que mora em New Jersey.
O livro garante muitas gargalhadas com as trapalhadas da Princesa, mesmo depois de amadurecer um pouco. Dá para matar a saudade de personagens queridos e se encantar por novos, como a fofa Olivia Grace. A série continua antenada com acontecimentos da cultura pop, mas também discute temas mais sérios, como, por exemplo, a crise dos refugiados na Europa e o empoderamento feminino. Uma leitura divertida, com um toque de nostalgia.



Então precisa decidir, Principessa, o que quer fazer: vai calçar os sapatos de diamante e ir ao baile? Ou vai tirá-los e ficar em casa?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Sangue na Neve

Título no Brasil: Sangue na Neve
Título Original: Blod på snø
Autora: Jo Nesbø
Tradução: Gustavo Mesquita
Editora: Record
Páginas: 152
Sinopse: Olav tem apenas um talento: matar pessoas a sangue-frio. Não há nada que ele preze mais que ter o poder sobre a vida e a morte. Porém, sua natureza sensível é proporcional às suas habilidades como matador de aluguel. Uma vez tentou roubar bancos, mas não deu certo – ele se sentiu tão culpado que foi visitar uma das vítimas no hospital. Agenciar mulheres para prostituição, idem – Olav se apaixona muito fácil. O assassinato foi tudo que lhe restou.
Ele leva uma vida solitária em Oslo até se ver envolvido em um trabalho importante para um dos mais perigosos chefes do crime organizado na cidade, Daniel Hoffman. Ao aceitá-lo, Olav finalmente conhece a mulher da sua vida, mas logo se depara com dois problemas. O primeiro é que ela é a esposa do chefe. E o segundo é que ele foi contratado para matá-la.

Olav é um homem de poucos talentos. Segundo ele mesmo já concluiu, Matador de Aluguel é o único ramo que poderá seguir e ser bem sucedido. E Daniel Hoffman, o maior traficante de Oslo, sabendo disso, o contrata eventualmente para alguns serviços, que carinhosamente chamam de “encomenda”. Os assassinatos são bem feitos, sem marcas, sem vestígios. Olav já adquiriu experiência o suficiente para fazer com que as pistas apontem para tão longe quanto possível.
Com uma série de deficiências - dislexia, uma infância conturbada, educação precária, e uma tendência a se apaixonar facilmente - Olav nunca pensou muito antes de concluir um trabalho. Apenas fazia o que devia ser feito. Ate o dia em que resolveu pensar, seu maior erro. Hoffman o contrata para um novo trabalho: matar sua esposa que o estava traindo e fazer com que parecesse um assalto. Mas após pensar, e se apaixonar por sua vítima, decide salvar a vida de Corina e eliminar o amante, teoricamente, acabando com os problemas do chefe. E isso o torna o alvo.

Julguei um livro pela capa, e me surpreendi positivamente. Jo Nesbø construiu uma narrativa impressionante, que me fez me perder e encontrar sucessivamente no protagonista: um homem problemático, disléxico, que gosta de criar histórias. Ao final, não sabemos muito bem o que é a verdade e o que foi inventado, acrescentado ou modificado nas situações. Apenas sabemos que é um homem muito solitário, discreto e bom no que faz. Se é inteligente ou não, é difícil afirmar. É metódico, esperto, e possui um bom coração. Um matador a sangue frio com um bom coração: uma mistura interessante que vale a pena ser lida. 
O que mais me impressionou em Sangue na Neve foi justamente a narrativa. É simples e intrigante ao mesmo tempo! Olav é um personagem que foi sendo construído com o decorrer do livro. E as nuances da sua personalidade são intricadas com a história. Seu gosto por leitura e por criar histórias deixa no ar a pergunta "mas isso realmente aconteceu ou ele inventou essa parte?" E outra coisa que preciso ressaltar: A descrição física do personagem só se deu nos últimos capítulos, ou seja, a imagem que tinha de Olav era completamente diferente da real. Fiquei surpresa, e foi uma sensação divertida e surpresa ao ler que o homem que eu imaginava moreno, baixinho e sem graça é na verdade loiro, de cabelos compridos e olhos azuis! Adorei!
Apenas 152 páginas para cativar qualquer leitor. Super recomendo!!!

sábado, 28 de novembro de 2015

Às vezes, "eu te amo" é o mais difícil de dizer.


Título no Brasil:  Amy e Matthew
Título Original: Say What You Will
Autora: Cammie McGovern
Tradução: Raquel Zampil
Editora: Galera Record
Páginas: 336
Sinopse: Amy e Matthew não se conheciam realmente. Não eram amigos. Matthew sabia quem ela era, claro, mas ele também sabia quem eram várias outras pessoas que não eram seus amigos.Amy tinha uma eterna fachada de felicidade estampada em seu rosto, mesmo tendo uma debilitante deficiência que restringe seus movimentos. Matthew nunca planejou contar a Amy o que pensava, mas depois que a diz para enxergar a realidade e parar de se enganar, ela percebe que é exatamente de alguém assim que precisa. À medida que passam mais tempo juntos, Amy descobre que Matthew também tem seus problemas e segredos, e decide tentar ajudá-lo da mesma forma que ele a ajudou. E quando a relação que começou como uma amizade se transforma em outra coisa que nenhum dos dois esperava (ou sabe definir), eles percebem que falam tudo um para o outro... exceto o que mais importa

   Amy e Matthew é um daqueles livros que você devora em poucos dias de tão gostosa que é a leitura. Sua historia é simples e bonita que transmite uma mensagem super legal na forma como nossos protagonistas  enfrentam suas dificuldades e , principalmente, como eles aprendem com os seus erros.

    Nossos protagonistas apesar de serem completamente diferentes, cada um com suas dificuldades e problemas,  combinam de uma forma que somente eles entendem. Amy uma jovem inteligente que por conta de sua paralisia não possui muitos amigos e Matthew  um jovem que enfrenta problemas com TOC. Ambos conseguem, juntos, enfrentam seus medos e inseguranças da adolescência  e de suas próprias vidas.

    A autora usa de vários artifícios  para tornar a leitura interessante e nada cansativa, como por exemplo, os emails que os protagonistas trocam,  deixando o livro muito mais próximo da nossa realidade. Durante toda leitura Cammie McGovern nos faz torcer pelos personagens  e no final acabar amando os dois.  E o que me surpreendeu muito  foi a forma como a historia foi se desenvolvendo e fiquei mais satisfeita ainda com esse romance tão diferente do que costumamos ver. 


  Esse é o primeiro livro destinado a publico jovem adulto escrito pela autora que é uma das fundadoras do  Whole Children que dá assistência para crianças com necessidades especiais, o que muito provavelmente a incentivou a escrever essa história. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

"Depois do fim, somente um amor inabalável pode nos ajudar a recomeçar"

por Aline Tavares


Título no Brasil: Beleza Perdida

Título Original: Making Faces

Autora: Amy Harmon

Tradução: Monique D'Orazio

Editora: Verus Editora

Páginas: 332
Sinopse: Ambrose Young é lindo — alto e musculoso, com cabelos que chegam aos ombros e olhos penetrantes. O tipo de beleza que poderia figurar na capa de um romance, e Fern Taylor saberia, pois devora esse tipo de livro desde os treze anos. Mas, por ele ser tão bonito, Fern nunca imaginou que poderia ter Ambrose... até tudo na vida dele mudar. Beleza perdida é a história de uma cidadezinha onde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. É uma história sobre perdas — perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido. Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura moderna de A Bela e a Fera, que nos faz descobrir que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós.

Beleza Perdida é um daqueles livros que quando a gente termina a leitura, para e pensa: "Que. Livro. Lindo!!!". É uma história em que tudo se destaca: enredo, personagens, referências... A história possui três protagonistas super carismáticos que se revezam na narração, seja no tempo cronológico, seja nos flashbacks: Fernie Taylor, Ambrose Young e Bailey Sheen. 

Fern é uma garota inteligente que sonha em ser uma escritora de sucesso, e alimenta uma paixão secreta por Ambrose, o cara mais popular da escola, super campeão em luta greco-romana que como todo bom "heroi", possui seus próprios fantasmas. Porém, além do casal, temos o Bailey, primo da Fern e o maior fã do Ambrose, que apesar da distrofia muscular não é um garoto amargurado, muito pelo contrário: Bailey é inteligente, bem humorado e um excelente conselheiro. Os títulos de cada capítulo fazem referência a uma lista feita por Bailey quando era mais novo.

Amy Harmon utiliza de várias referências para construir essa história. Os valores cristãos (o pai da Fern é pastor) aparecem quando se discute responsabilidade, culpa e perda. Bailey é um grande fã de mitologia grega e utiliza a história de Hércules para motivar Ambrose durante a temporada de luta. A dinâmica do casal Fern e Ambrose é uma referência clara ao conto de fadas A Bela e a Fera, e os dois são grandes fãs de Shakespeare, e utilizam trechos de suas obras para expressar seus sentimentos.

Todas essas referências estão bem costuradas e somadas a alusão a fatos reais, como os atentados de 11 de setembro e os conflitos derivados; e situações que infelizmente fazem parte do cotidiano, como a violência doméstica, constroem uma trama sensível e comovente. Beleza Perdida é um livro que discute o conceito de beleza, a nossa impotência frente aos acontecimentos da vida, mesmo quando nossas escolhas estão envolvidas, e que o heroísmo também reside nos pequenos gestos. Uma leitura imperdível.

"Pense nisso. Não existiria a tristeza se não tivesse existido a alegria. Eu não sentiria a perda se não tivesse existido o amor."

"Acreditamos que há lições na perda e poder no amor, e que temos dentro de nós o potencial para uma beleza tão magnífica que o nosso corpo não pode contê-la."

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

"Ninguém disse que a melhora seria uma jornada em linha reta."

Por Aline Tavares


Título no Brasil: À procura de Audrey 
Título original: Finding Audrey 
Autora: Sophie Kinsella 
Tradução: Glenda D'Oliveira 
Editora: Galera Record 
Páginas: 336
Sinopse: 
Audrey, 14 anos, leva uma vida relativamente comum, até que começa a sofrer bullying na escola. Aos poucos, a menina perde completamente a vontade de estudar e conhecer novas pessoas. Sem coragem de sair de casa e escondida por um par de óculos escuros, a luz parece ter mesmo sumido de sua vida. Até que ela encontra Linus e aprende uma valiosa lição: mesmo perdida, uma pessoa pode encontrar o amor.

Sophie Kinsella já é uma conhecida autora de chick-lits, em especial a série Becky Bloom, que conta as trapalhadas da nossa compradora compulsiva favorita. Em À procura de Audrey, a escritora mostra a sua versatilidade ao escrever um Young Adult. Para se aproximar do público jovem, o chamariz da obra é o bullying. Porém, ao invés de narrar os atos de violência, Kinsella destaca as consequências psiquiatras da agressão, os desafios do tratamento e o impacto disso nas relações familiares. 

Após sofrer bullying na escola, a jovem Audrey, em decorrência da depressão e dos transtornos de ansiedade não sai mais de casa, nem consegue manter contato visual com as pessoas, incluindo os membros de sua família. Para auxiliar no tratamento, sua terapeuta propõe que Audrey faça um documentário sobre sua rotina. Assim, o livro alterna a narrativa em primeira pessoa com a transcrição dessas filmagens. Enquanto isso, a garota se aproxima de Linus, um amigo do seu irmão mais velho, e lidar com o tratamento e com o desenvolvimento do primeiro amor é mais um desafio que Audrey terá que enfrentar. 

A escritora aproveita sua experiência voltada para o público adulto para abordar os desafios da convivência familiar, principalmente a relação entre pais e filhos. Essa situação é exacerbada pelo conflito entre a mãe e o irmão mais velho de Audrey, uma vez que a mãe, que parou de trabalhar quando a garota ficou doente, acredita que o filho está viciado em tecnologia, enquanto o garoto pretende participar de um torneio de um jogo online. Essa situação rende momentos hilários, arrancando boas gargalhadas, como é comum nos livros da Sophie Kinsella.

E assim, em À procura de Audrey a autora conquista o público jovem e o concilia com o adulto, em obra para ser lida por toda a família. 

sábado, 10 de outubro de 2015

Clube do Livro - "Amor e Inocência" e "Uma Rosa do Inverno"

Olá meninos e meninas!

Estamos aqui hoje para contar pra vocês o que rolou no nosso debate desse mês! Dessa vez teremos os dois aqui, o filme e o livro. Prontos?

FILME



  • Título Original: Becoming Jane
  • Título no Brasil: Amor e Inocência
  • Direção: Julian Jarrold
  • Produção: Scion Filmes e Julian Jarrold
  • Lançamento: 2007
  • Duração: 121 minutos

Pontos positivos: Elenco perfeito - Anne Hathaway foi uma Jane Austen perfeita. E o que dizer de McAvoy? [suspiros e corações], cenário maravilhoso que nos transporta para dentro da história, roupas incríveis e condizentes. Em se tratando da realidade: o noivado de Cassandra e morte do noivo, a relação do Henry com a Condessa, o irmão doente... Nesses pontos o filme não se distanciou da história da vida de Austen. Contudo...
“Gostamos de pensar que ela teve um beijo daqueles!” Contudo, foi tudo muito dramático, pois sabemos que a relação Jane x Lefroy não passou de um flerte.
Outra parte fantasiosa: O pedido de casamento do sobrinho da condessa. Jane só recebeu uma proposta de casamento na vida, e foi do irmão das amigas dela.
Única crítica [sim, única]: a maior parte do filme é fantasiosa. Muitas coisas não condizem com a realidade da vida de Jane.

Ao final, aplaudimos o filme. Trouxe-nos uma visão feliz, de um amor correspondido, e um link com diversas partes das obras que ela escreveu como se fosse inspirado na própria vida.
Por fim: Ela merecia ter vivido um grande amor!

LIVRO


  • Título Original: A Rose in Winter
  • Título no Brasil: Uma Rosa do Inverno
  • Autora: Kathleen E. Woodiwiss
  • Editora: Record
  • Tradução: Aulyde Soares Rodrigues
  • Páginas: 332
  • Sinopse: Casada com um estranho a quem não podia trair...
    Possuída por um amor que não conseguia esquecer...

    Este é o coração atormentado da jovem Erienne que, para salvar o pai da ruína financeira, acaba descobrindo o homem que irá transformar totalmente a sua vida.

    Foi no norte da Inglaterra que tudo começou. O pai de Erienne deu a mão de sua filha ao mais rico pretendente para sanar suas dívidas de jogo. Agora, ela era a Lady Saxton, senhora de uma grande propriedade, anteriormente arruinada pelo fogo, e esposa de um homem de aparência misteriosa que despertava nela o medo e a piedade.

    Saxton, o marido misterioso que ocultava o rosto com uma enigmática máscara, irá confundir os sentimentos de Erienne até quase o fim da história. Até lá, o leitor irá acompanhar o suspense e o drama de uma mulher apaixonada pelo inimigo do pai e desesperada pela iminente atração que o devotado marido estava lhe despertando.

    ERIENNE: Para salvar o pai da ruína financeira, ela se casa contra a vontade – leiloando seu amor a quem fizesse a oferta mais alta.

    SAXTON: O enigmático lorde – sua capa longa e esvoaçante ocultava um mistério, um coração vingativo...e paixões estranhas e secretas.

    SETON: Christopher Seton, homem do mar, ianque galante e sedutor, dono de olhos verde-cinza cheios de vida – é inimigo mortal do pai de Erienne.

    INTRIGA!
    No Norte da Inglaterra do século XVIII, nas ruínas de uma propriedade que fora importante no passado, uma noiva comprada descobriria a surpreendente verdade sobre o marido... e seria levada implacavelmente ao seu misterioso mundo, repleto de perigos, vinganças e desejos intensos nunca sonhados.
Impressões:
A história enrolou demais, a linguagem era exagerada e carregada, com muitos detalhes e passagens que poderiam ser cortadas - a pesquisa da casa, por exemplo. Era meio difícil acompanhar a mudança do narrador, e a história em si ficou dramática demais. E o “mistério” Seton/Saxon foi facilmente desvendado, logo no início da leitura. Mas no geral ate que a história foi interessante. A vingança movimentou o livro, na verdade.
Algumas já tinham uma expectativa negativa quanto ao livro, mas no final acabaram gostando - apesar de todas as críticas. O final foi um pouco óbvio, meio clichê, mas agradou. Não foi de forma alguma maravilhosa, mas também não foi ruim… 

E aí, já leu? E o filme, já viu? Concorda conosco? Deixe seu comentário!!! ;)

sábado, 26 de setembro de 2015

Todo dia um corpo diferente. Todo dia uma vida diferente. Cada dia amando a mesma garota.







Título: Todo dia
Título original: Every Day
Autor: David Levithan
Páginas: 279
Tradução: Ana Resende
Editora: Galera Record








Sinopse:  Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.

"Todo dia" conta a história de A, um viajante de corpos. Sim, viajante de corpos, não se sabe se A é uma alma, um extraterrestre ou seja lá o que for, ele é simplesmente ele. A cada 24 horas ele acorda em um corpo diferente, não importa o sexo, a classe social, a personalidade, o único padrão é que ele toma o corpo de quem tiver a sua idade (16 anos).

Andrew - ou A - segue duas regras não interferir, nem se envolver na vida das pessoas. Ele apenas acorda, acessa as memórias do corpo para saber do que precisa para passar aquele dia bem e continua vivendo. Até um dia ele acordar no corpo de um rapaz chamado Justin e conhecer Rhiannon, a namorada do rapaz.


A partir daí ocorre um grande dilema. Antes, ele só precisa se preocupar com um dia de cada vez, agora, não consegue deixar o passado para trás e insiste em manter contato com essa garota tímida e atraente, e a cada vez sabendo mais sobre ela. Até onde isso dará?

A história nos instiga a querer saber o que acontece a seguir, e os diferentes gêneros textuais (diálogos, e-mails e prosa) atrelado aos capítulos razoavelmente curtos, aceleram o ritmo de leitura. 

O que eu mais gostei na história foi a criatividade do autor, a forma como ele desenvolveu a personagem principal, o mistério, dizendo muito coisa e sem revelar nada. Não tem explicação científica, nem espiritual, nada. Você conhece o A e pronto. Foi legal perceber quantas pessoas são diferentes e como A lida com todas elas. Ele já foi gay, lésbica, jogador de futebol americano, uma pessoa normal, a garota gostosa mais popular do colégio, drogado, depressivo suicida, , um nerd etc. A é totalmente desprovido de preconceitos. É algo ou alguém que todos deveriam tentar ser, mesmo que a gente não saiba direito o que é. Eu recomendo este livro por essa razão. Precisamos de mais histórias que nos faça refletir e sentir.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Um lado não tão obscuro da Segunda Guerra retratado por uma jovem

Título original: Het Achterhuis
Título no Brasil: O diário de Anne Frank
Autora: Anne Frank
Editora: Record
Tradução: Alves Calado
Número de páginas: 414


 Em 2 de setembro de 1945 terminava, oficialmente, a Segunda Guerra Mundial. O mundo tornara-se palco de horrores incabíveis, a humanidade teve uma grande chaga aberta. Mais uma vez, o homem presenciou o quanto o orgulho, a vaidade, a arrogância pode destruir o ser humano. Basta estudar História para entender o tamanho do horror que assolou nosso mundo.


Entretanto, indo muito além do que os livros de histórias podem retratar, em 12 de junho de 1942, vamos encontrar a pequena Anne Frank, em seu quarto, escrevendo em um diário que ganhara no seu 13º aniversário. Suas primeiras palavras:

“Espero poder contar tudo a você, como nunca pude contar a ninguém, e espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda.”


No começo do diário, Anne conta-nos sobre sua rotina, como são as idas à escola, como ela era popular entre os amigos, e o quanto era admirada pelos garotos. Anne vivia em uma confortável casa com os pais e a irmã Margot.

Após a ida de sua família para um anexo secreto, no qual se escondiam dos soldados nazistas para não irem para os campos de concentração na Alemanha, Anne retrata em seu diário como era o dia a dia dela e de todos que moravam nesse local.

A percepção de como uma garota se sentia com um futuro tão incerto, comove e nos envolve pouco a pouco com essa protagonista de uma história que, por ser real e não fictícia, nos impressiona página a página durante a leitura.

 Kitty, como era chamado seu diário, tornou-se para a adolescente uma fonte de desabafo, no qual ela se sentia segura e ali colocava suas alegrias, aflições, angústias, medos.

O resultado disso é um leitor cativado por Anne Frank, a doce adolescente que dividiu conosco um pedaço de sua vida por meio de seu diário. Além de ter se tornado um registro histórico, sua história tem também relevante papel na literatura, e sua leitura agrada públicos de todas as idades, desde jovens curiosos por saber como era a vida de uma adolescente da década de 1940, até o público mais maduro, que dirige seu olhar para o lado mais humano dessa história: o sofrimento ao qual o povo judeu foi submetido durante a Segunda Guerra Mundial.



sábado, 27 de junho de 2015

Quem é o narrador da sua história?





  • Título: O Livro dos Vilões
  • Autor: #Stepsisters - Cecily von Ziegesar; Menina Veneno - Carina Rissi; The Deeper the Thorn - Diana Peterfreund; A Menina e o Lobo - Fábio Yabu
  • Editora Galera Record
  • Tradução: Ryta Vinagre
  • Número de págs: 320

  • Hoje não trago apenas mais uma resenha. Sempre gostei de livros “vazios”, daqueles que não trazem uma análise, mas sim uma história linear fechada, com início, meio e fim. E, por mais bobo que possa parecer, O Livro dos Vilões é exatamente o oposto. Você pode pensar “ah, mas conto de fada é coisa de criança”. Só tenho uma coisa a dizer: Você está errado.


    Sempre consideramos que vilão é coisa de novela ou de história. Mas você já parou pra pensar que na SUA história existe um vilão? Ou mais, já pensou que VOCÊ pode ser o vilão da história de alguém? Cecily von Ziegesar e Carina Rissi trouxeram histórias que mostram que no “mundo real” podem existir  vilões. A velha história da madrasta que não suporta a enteada pode parecer boba, mas existe, possivelmente você encontra uma no seu bairro, na sua rua talvez. Já Diana Peterfreud mostra que dentro de cada um de nós existe um vilão em potencial, e ele se mostra quando nos decepcionam. Alguns chamam de “vingança”, Diana chama de “lado vilão”. E Fábio Yabu cria uma história espetacular a partir da fábula da Chapeuzinho Vermelho. E foi essa história que me fez chegar a seguinte pergunta: Quem narra a sua história?


    As narrativas do Livro dos Vilões são feitas a partir dos personagens considerados vilões das histórias tradicionais, respectivamente as irmãs da Cinderela, a madrasta da Branca de Neve, Malévola (bruxa da Bela Adormecida) e o Lobo Mau. É interessante imaginar como seria o outro lado das histórias que nossos pais contavam pra gente dormir. E sempre nos imaginávamos na pele dos heróis, príncipes, heroínas e princesas dessas histórias. Mas nunca ninguém se imaginou na pele dos malvados, dos vilões. Mas nossas escolhas no nosso dia a dia estão nos levando por qual caminho?
    Os quatro autores aqui citados demonstraram uma criatividade indubitável na hora de criar esses contos (confesso que imaginar uma “vingancinha” da Gata Borralheira me deu um certo orgulho da mocinha). Todos trazem uma pequena reflexão para cada um de nós: “Ate onde vai a inocência de alguém?”, “Ate onde iríamos pelo sucesso, pelo dinheiro, pela “normalidade”?”, “Será que vale a pena mentir para ser aceito?”, “Porque somos o que somos? Seríamos diferentes se tivéssemos escolha? Temos essa escolha?”. Toda história possui vários lados, vários ângulos, vários pontos de vista.
    Não estou questionando aqui a origem dos contos de fada, nem se estão certos ou errados. São histórias inventadas a partir de uma vertente, e qualquer ser racional e criativo pode inventar histórias a partir da mesma vertente. Apenas inverto os papéis, tornando você, leitor, no personagem. Quem é você na história em que você vive? Você é o narrador da sua história, ou existe um narrador que não você, te tornando apenas mais um personagem controlado pela narração? Afinal, por que o Lobo Mau é mau? Por que a rainha má é má? Por que o príncipe encantado é encantado? Consegue entender onde quero chegar?
    Os seres dos contos são o que são. São seres inanimados, inventados por alguém, e eles são o que esse alguém diz que eles são. Mas você não é assim. Você é racional, criativo, capaz de fazer escolhas e responder por suas consequências. Não podemos deixar que narrem nossa história, que definam quem somos, que nos obriguem a seguir um roteiro. Ao nascermos – sim, nascemos, não ‘fomos inventados’ – recebemos um presente chamado Livre Arbítrio, que é como se fosse uma caneta, com a qual escreveremos nossa história. Quando nos tornamos adultos, essa “caneta” é deixada exclusivamente em nossas mãos. E o que temos feito? Colocado nas mãos de outras pessoas para que escrevam nossa história? Ou temos sido nossos próprios narradores, escrevendo, vivendo?

    O Livro dos Vilões me trouxe essas questões, e, caro leitor, a uma conclusão cheguei: Ninguém nasce mocinho ou vilão. Todos temos o potencial dentro de nós, para o bem e para o mal, e os usamos alternadamente, o que nos torna vilões em alguns casos, mocinhos em outros. Não significa que vamos envenenar alguém  à certa altura, nem que seremos envenenados, mas em coisas pequenas: praticar bullying ou defender uma vítima? Devolver uma carteira perdida ou ficar com o dinheiro? Rir e filmar alguém que caiu na lama ou ajudar? Quem decide se você é vilão ou mocinho é você. Você é o narrador da sua própria história. Escreva!